O regime Trump não poderia ter oferecido aos democratas um caminho mais fácil para uma vitória nas eleições intercalares deste ano do que a forma como tem gerido o escândalo Epstein, mas a prestação da Procuradora-Geral Pam Bondi na quarta-feira da semana passada, quando foi chamada ao Comité Judiciário da Câmara dos Representantes, rebentou com a escala da idiotia e da desfaçatez.
Bondi entrou repetidamente em conflito com os representantes democratas durante a tensa audiência, recusando responder a perguntas incisivas sobre a actuação do Departamento de Justiça em relação aos ficheiros Epstein, antes de a sessão se transformar numa discussão acesa com o representante Thomas Massie (Republicano – Kentucky) sobre as rasuras nos ficheiros que divulgou por mandato do Congresso, que evidenciam uma clara cumplicidade com criminosos por parte do Departamento de Justiça.
A discussão começou quando o deputado Jerry Nadler (D-NY) pressionou Bondi sobre se o Departamento de Justiça tinha acusado ou estava a investigar algum dos alegados cúmplices de Epstein, citando o que chamou de “evidências concretas de criminalidade repugnante” em ficheiros recentemente divulgados. Bondi tentou esquivar-se da pergunta; quando Nadler a repetiu, ela elevou a voz e insistiu que “responderia à pergunta da forma que quisesse”. À medida que a troca de farpas se intensificava, Bondi desviou completamente o assunto Epstein, mencionando disparatadamente a alta conjuntural dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, afirmando que era desses índices que deviam estar a falar, embora a senhora seja procuradora e não economista e estivesse ali precisamente para falar sobre o caso Epstein e não sobre mercados financeiros.
Mas mesmo que esta reacção da procuradora fosse legítima o que ela está a dizer é que
a) As pessoas que violaram crianças estão a dar-se muito bem na bolsa de valores;
b) Desde que a bolsa de valores esteja em alta, as crianças podem ser violadas impunemente.
Bondi: The DOW is over 50,000. That’s what we should be talking about. They just asked what does the DOW have to do with anything. ARE YOU KIDDING? pic.twitter.com/nl5ueU867x
— Acyn (@Acyn) February 11, 2026
Os democratas mantiveram a pressão. O deputado Ted Lieu (D-CA) acusou Bondi de perjúrio depois de esta ter citado um memorando do Departamento de Justiça de Julho de 2025 que afirmava não haver provas que justificassem investigações de “terceiros não acusados”. Lieu apontou para imagens do ex-príncipe Andrew e, de seguida, mostrou um vídeo de Donald Trump com Epstein, perguntando se havia raparigas menores de idade presentes. Bondi respondeu atacando os democratas e elogiando Trump, dizendo que “não havia provas de que Donald Trump tivesse cometido um crime”. Quando Lieu citou uma denúncia do FBI e o testemunho de uma vítima, instando o Departamento de Justiça a interrogá-la, Bondi retorquiu de forma tresloucada:
“Nunca mais me acusem de um crime!”
Lieu plays Bondi the infamous clip of Trump and Epstein partying together and asks her if there were underaged girls at any party the two attended together
“This is so ridiculous,” Bondi says. “There is no evidence that Donald Trump has committed a crime”
“I believe you just… pic.twitter.com/Uv8BQTgMef
— Aaron Rupar (@atrupar) February 11, 2026
Trocas semelhantes ocorreram com a Deputada Zoe Lofgren (D-CA) e o Deputado Jamie Raskin (D-MD), com Bondi a desviar-se repetidamente para ataques pessoais e assuntos irrelevantes em vez de responder às perguntas colocadas.
A certa altura deu a sensação que se alguém perguntasse a Pam Bondi sobre a filosofia de Platão ela responderia:
“Sim, fui ao cabeleireiro hoje, porquê, tem alguma coisa contra o meu penteado?”
REP JAMIE RASKIN: “You can let her filibuster all day long, but not on our watch, not on our time. No way. And I told you about that, attorney general, before you started.”
AG BONDI: “You don’t tell me anything you washed-up loser lawyer — not even a lawyer.” pic.twitter.com/ouaDRGhz2I
— Fox News (@FoxNews) February 11, 2026
Rep. Jayapal: Will you turn to the survivors, who are standing right behind you, and apologize for what your Department of Justice has done?
Pam Bondi: *refuses to answer* #sheshed pic.twitter.com/rbUHcNmQVQ
— Donna Stern🚫👑 (@dvsmemphis) February 11, 2026
O momento mais explosivo da audiência ocorreu quando Massie, co-patrocinador da Lei de Transparência de ficheiros Epstein, confrontou Bondi com documentos do DOJ e do FBI que mostram os nomes das vítimas enquanto os nomes dos alegados abusadores foram ocultados – e um arquivo do FBI de 2019 que listava o confidente de Epstein, Les Wexner, como um “co-conspirador”, uma designação que Massie disse ter sido rasurada no comunicado do DOJ. Enquanto Massie perguntava quem tinha autorizado as rasuras e porquê, Bondi interrompeu-o repetidamente, insistindo que o problema tinha sido “corrigido em 40 minutos” e acusando Massie de agir como se houvesse um encobrimento. Quando Massie observou que a alteração só ocorreu depois de ele a ter alertado, a discussão acirrou-se, com Bondi a desvalorizar as críticas com uma gargalhada e a atacar Massie pessoalmente.
“Quem é o responsável?”, perguntou Massie. “Consegue rastrear quem na organização cometeu este erro crasso e divulgou os nomes das vítimas?” Bondi retorquiu, chamando Massie de “político falhado” e “hipócrita”.
Massie exibiu então o testemunho do director do FBI, Kash Patel, que disse ao Congresso que não havia “nenhuma informação fidedigna” de que alguém, para além de Ghislaine Maxwell, tivesse assistido Epstein no tráfico de mulheres e raparigas, e perguntou a Bondi se era essa a sua posição. Bondi não respondeu directamente, encorajando, em vez disso, as vítimas a ligar para o FBI e tentando desviar a culpa para as administrações anteriores, incluindo o ex-procurador-geral Merrick Garland. Quando Massie retomou a sua linha de inquérito e apresentou o escândalo como um fracasso de décadas que se estendeu por várias administrações, Bondi gritou que o representante tinha esgotado o seu tempo e recusou-se novamente a abordar o mérito da questão.
Massie: “Here is an email that was sent by the victims’ lawyers to the DOJ. It was a list of names not to release. What did the DOJ do with this email? They released it! Literally the worst thing you could do the survivors you did.” pic.twitter.com/oSzA1dV2jj
— Aaron Rupar (@atrupar) February 11, 2026
🚨Massie: “This goes over four administrations. You don’t have to go back to Biden. Let’s go back to Obama. Let’s go back to George Bush. This coverup spans decades, and you are responsible for this portion.”pic.twitter.com/mZoCGOoEtD
— Derrick Evans (@DerrickEvans4WV) February 11, 2026
No final da discussão, Bondi não tinha respondido a questão alguma. Continuamos sem perceber por que raio é que ninguém está a ser investigado e acusado, dada a abundância incomensurável de indícios de crimes múltiplos e tenebrosos. Continuamos sem saber como é que o Departamento de Justiça considera que “não há informações fiáveis” sobre os co-conspiradores, por que razão um documento que listava o poderoso bilionário Les Wexner como co-conspirador foi censurado ou quem aprovou a divulgação dos nomes das vítimas enquanto os alegados abusadores eram ocultados. A audição terminou com perguntas sem resposta — e um forte contraste entre as disputas iniciais dos democratas sobre as evasivas e uma posterior ruptura bipartidária que colocou a actuação do Departamento nos ficheiros de Epstein no centro da controvérsia.
A desfaçatez, a fanafarronice, a má educação, a insensibilidade política e a falta de vergonha na cara que Pam Bondi manifestou nesta audiência do Congresso não têm paralelo e fazem prova de que o Regime Trump entrou em definitivo num ciclo autista e alienado que vai chocar de frente com o cimento da realidade, quando os americanos forem às urnas em Novembro. A actual administração americana não só não tem interesse em investigar um dos maiores escândalos de que há memória no Ocidente, e que inclui – para além de crimes financeiros e de espionagem – homicídio, violação de menores, tráfico de carne humana e canibalismo, como nem sequer finge que está interessada.
Pam Bondi’s face after every Epstein sexual abuse victim in the room raised their hand, saying they felt ignored by the Trump administration. pic.twitter.com/KaHoCYQcwS
— 𝐀𝐍𝐓𝐔𝐍𝐄𝐒 (@Antunes1) February 11, 2026
Neste podcast, o comentador libertário Dave Smith, que apoiou a candidatura de Donald Trump em 2024, trata a procuradora-geral como ela deve ser tratada: abaixo de retardada.
Relacionados
15 Mai 26
Guerra civil na inteligência americana: CIA apreendeu ficheiros JFK e MKUltra que Tulsi Gabbard detinha e que ia tornar públicos.
Três informadores dos serviços secretos norte-americanos afirmaram que agentes da CIA apreenderam documentos dos arquivos JFK e MKUltra na posse da Directora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, que tencionava desclassificá-los.
15 Mai 26
Estrangeiros nas prisões do reino unido custam 629 milhões de libras por ano aos contribuintes britânicos.
Os contribuintes do Reino Unido estão a desembolsar 720 milhões de euros para abrigar 10.487 criminosos estrangeiros nas prisões britânicas — uma conta que poderia pagar 16.500 polícias ou 15.000 enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde britânico.
15 Mai 26
Trump leva para a China o Regime Epstein em peso.
Fiel à traição chocante que cometeu para com o seu eleitorado, impenitente na sua conversão a guardião do estabelecimento norte-americano, Donald Trump levou com ele para a China toda a plataforma de financiamento e propaganda do Regime Epstein.
14 Mai 26
Rei WEF anuncia, com pompa e circunstância: “os meus ministros darão seguimento à implementação da Identidade Digital.”
O Rei que vendeu a alma ao diabo está mesmo empenhado em implementar a distopia WEF. Mas quem é que o elegeu para apoiar políticas de carácter distópico, comportamento que vai contra os ditames da monarquia parlamentar britânica, pelo menos desde 1688?
14 Mai 26
À revelia do regime? Directora de Inteligência do governo federal americano investiga biolaboratórios estrangeiros financiados pelos EUA.
Tulsi Gabbard está a investigar mais de 120 biolaboratórios financiados pelos EUA em todo o mundo, para interromper actividades perigosas de ganho de função, no contexto de crescentes preocupações com a biossegurança.
14 Mai 26
Em desespero de causa,
Starmer vira mais à esquerda (se possível).
Em resposta ao desastre das eleições municipais, Keir Starmer optou por forçar a componente leninista do seu leninismo-globalismo, e vai nacionalizar indústrias, procurar a total inversão do Brexit e intensificar a repressão à dissidência.






