A França, que já foi uma das nações mais prósperas da Europa, está a cair para meio da tabela, depois de novos dados terem revelado que caiu firmemente para o “segundo escalão” da União Europeia.
Pelo terceiro ano consecutivo, a riqueza per capita do país está abaixo da média da UE e está agora também abaixo da do Chipre, por exemplo, de acordo com os dados do Eurostat. Os dados mais recentes pintam um quadro negro: com a média da UE nos 100, a Alemanha marca 111, o Reino Unido 99 e a França apenas 98.
Entretanto, os italianos quase alcançam os franceses, com o PIB per capita em paridade do poder de compra nos 59.453 dólares, em comparação com os 59.683 dólares da França.
Nicolas Baverez, antigo alto funcionário público francês, fez uma avaliação mordaz no Le Figaro:
“O nosso país tornou-se a Argentina da Europa. A França está presa numa espiral infernal que a está a conduzir ao estatuto de país do terceiro mundo.”
O orçamento para 2026, aprovado pelo Parlamento francês na segunda-feira, trouxe poucos motivos para optimismo entre aqueles que esperavam disciplina orçamental.
Em vez de cortar nas despesas, o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu optou por aumentar substancialmente os impostos, acrescentando 6,5 mil milhões de euros à carga fiscal das famílias ricas e 7,3 mil milhões de euros aos impostos sobre as empresas.
Os gastos públicos, que já ultrapassam os 1,7 mil milhões de euros e são dos mais elevados do mundo desenvolvido em proporção à riqueza nacional, aumentarão em mais 38 mil milhões de euros este ano.
Por incrível que possa parecer, o Estado Francês tem agora uma despesa maior, em percentagem sobre o produto interno bruto, do que acontecia na União Soviética, na véspera do seu colapso.
France now spends 57.2% of its GDP through the state. A higher share than the USSR in 1990, just a year before it collapsed. Astonishing. pic.twitter.com/9ZgzPQc8dF
— Brian McDonald (@27khv) January 13, 2026
O governo francês pretendia inicialmente reduzir o défice de 5,4% para 4,7% através de cortes nas despesas. A sua meta revista de 5% depende agora principalmente de impostos mais elevados, enquanto a dívida nacional de 3,4 mil milhões de euros continua a crescer.
A receita fiscal deverá atingir os 43,9% do PIB, um aumento face aos 43,6% anteriormente previstos.
Os críticos argumentam que o orçamento contém exactamente os ingredientes responsáveis pelos recentes fracassos económicos da era Macron, com impostos elevados, despesas públicas ainda maiores e dívida crescente para cobrir o défice.
Frederic Douet, professor de Direito na Universidade de Rouen-Normandie, escreveu no Le Figaro: ”
“A lenta pauperização da França é consequência de políticas tão dispendiosas quanto ineficientes. O mantra dos nossos tecnocratas e políticos é que o aumento dos impostos resolve os nossos problemas.”
O Partido Socialista, que obteve importantes concessões de Lecornu, incluindo a suspensão da reforma das pensões, moldou a agenda fiscal. Um deputado socialista comentou:
“Não creio que [Lecornu] imaginasse ceder tanto quando começou a negociar connosco.”
O próprio Lecornu reconheceu liderar o governo francês mais frágil em décadas, tendo sobrevivido a um episódio bizarro em que se demitiu em Outubro, apenas um mês após a sua nomeação, antes de ser reconduzido no cargo uma semana depois.
Os seus dois antecessores foram destituídos enquanto tentavam aprovar orçamentos, consequência da decisão do Presidente Emmanuel Macron de convocar eleições parlamentares antecipadas em 2024.
A preocupação também cresceu em relação à situação demográfica do país: o ano passado marcou a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial em que o número de mortes superou o de nascimentos em França, com o crescimento populacional sustentado apenas pela imigração.
Carine Camby, presidente interina do Tribunal de Contas, alertou:
“É urgente agir com vigor para reduzir o nosso défice, controlar as nossas despesas e estabilizar a nossa dívida pública.”
Mas a única preocupação do Macron e do estabelecimento globalista francês é o de permanecer no poder. Mesmo que a França seja arruinada no processo.
O britânico Carl Benjamin comenta a actual realidade económica e social francesa, com assertividade e lágrimas de crocodilo (ou schadenfreude, se preferirem).
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