O ex-presidente norte-americano Bill Clinton e a sua mulher, a Bruxa Má do Ocidente, parecem ter mudado de ideias e concordaram na semana passada em testemunhar numa investigação da Câmara dos Representantes sobre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. A decisão surge após meses de resistência ao depoimento presencial sobre as suas ligações a Epstein, as viagens frequentes de Bill Clinton no Lolita Express e as correspondentes visitas à infame ilha do amigo pedófilo, bem como as também regulares visitas deste último à Casa Branca, enquanto o democrata do Arkansas lá foi inquilino.

O acordo, comunicado através dos seus advogados, evita – para já – uma votação para considerar os Clinton culpados de desrespeito ao Congresso, o que constitui um crime. De acordo com os advogados que representam o ex-presidente e a sua mulher, o casal aceita agora as condições de James Comer,o presidente da Comissão de Supervisão da Câmara, e “comparecerá para depoimentos em datas mutuamente acordadas”. Ainda assim, Comer afirmou que não retirará as acusações de desrespeito ao Congresso contra os Clinton pela sua recusa inicial em depor sob intimação. No entanto, a Comissão de Regras da Câmara decidiu, adiar por enquanto a votação das duas resoluções correspondentes.

“Não temos nenhum compromisso por escrito”, disse Comer, que deixou porém a porta aberta para aceitar a oferta dos Clinton, referindo que “depende do que eles disserem”. O representante republicano do Kentucky salientou que os Clinton “não podem ditar os termos das intimações legais”.

O Comité de Supervisão da Câmara, numa votação bipartidária, aprovou resoluções de desrespeito criminoso ao Congresso contra Bill e Hillary Clinton, após meses de negociações sobre as condições em que iriam depor perante o comité. No mês passado, os Clinton desrespeitaram uma intimação do Congresso que os obrigava a depor perante a comissão da Câmara. O depoimento estava marcado para os dias 13 e 14 de Janeiro. No entanto, um advogado que representa os Clinton afirmou que nenhum dos dois compareceria perante a comissão da Câmara e argumentou que a intimação do Congresso era “legalmente inexequível”.

Afinal, não era.