Um general de alta patente dos serviços de informação militar russos foi baleado e ferido num prédio de apartamentos em Moscovo na semana passada, no que a Rússia classificou como uma tentativa de assassinato orquestrada pela Ucrânia.

 

 

Em declarações televisivas, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, acusou a Ucrânia de estar por trás do “acto terrorista”, afirmando que Kiev queria “interromper o processo negocial” em curso, que procura pôr fim à guerra de quatro anos.

Isto porque Vladimir Alekseyev é o vice-chefe da inteligência militar de Moscovo (GRU) e, nessa condição, o principal adjunto do negociador-chefe de Moscovo nas negociações trilaterais com a Ucrânia e os Estados Unidos, cuja última ronda terminou na quinta-feira passada em Abu Dhabi.. Ou seja: o regime Zelensky tentou matar o homem com quem estava em diálogo para acabar com a guerra.

O suspeito da tentativa de assassinato foi entretanto detido no Dubai e extraditado para a Rússia e terá confessado que foi contratado pelos serviços secretos ucranianos.

 

 

O Kremlin reconheceu que os seus líderes militares estavam sob ameaça no seu próprio país, enquanto as suas tropas combatem na Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou a este propósito:

“É claro que estes líderes militares e especialistas de alto nível correm riscos em tempo de guerra. Mas não cabe ao Kremlin decidir como garantir a sua segurança. Isso é assunto para os serviços especiais.”

Peskov acrescentou que o presidente russo, Vladimir Putin, estava a ser mantido informado sobre o incidente e que o Kremlin esperava que o general recuperasse.

Putin, que não comentou o tiroteio, apesar de ter feito aparições públicas na sexta-feira — já repreendeu o seu poderoso serviço de segurança FSB por não ter detectado planos de assassinato no passado.

Mas, seja como for, esta singular tentativa de abortar as negociações de paz que a Casa Branca tanto tenta promover, para além de ter condenado definitivamente a hipótese de qualquer acordo, deveria pelo menos alertar o regime Trump para a má fé de Kiev.

Isto embora seja muito difícil acreditar que a CIA desconhecesse o plano de assassinato de um importante general russo.

Mais a mais, não é a primeira vez que esta Casa Branca convida um governo estrangeiro para a mesa das negociações só para trair, de forma virulenta, o espírito da iniciativa. Em Setembro de 2025, o Irão foi atacado por Israel enquanto negociava termos de paz com os Estados Unidos. Em Setembro de 2025, Israel realizou um ataque, em território do Qatar, contra uma equipa do Hamas que estava também a negociar, sob a égide norte-americana, a paz na Faixa de Gaza.

Há aqui, nítido, um padrão comportamental que é, no mínimo, infame.