O Reino Unido registou o seu maior número de abortos em 2023, com cerca de 299.614 procedimentos realizados em todo o país, segundo dados oficiais. Informações divulgadas pelo Departamento de Saúde e Assistência Social mostram que ocorreram 278.740 abortos em Inglaterra e no País de Gales, um aumento de 10,56% em relação ao ano anterior. A Escócia registou 18.242 abortos, enquanto a Irlanda do Norte registou cerca de 2.632, elevando o total para um novo recorde nacional.
O aumento ocorreu durante o terceiro ano consecutivo em que os serviços de aborto domiciliário estiveram amplamente disponíveis em Inglaterra e no País de Gales. Estes serviços, introduzidos durante a pandemia de COVID-19, permitem que as mulheres recebam pílulas abortivas após uma consulta remota, em vez de comparecerem pessoalmente numa clínica. Os defensores argumentam que o modelo melhora o acesso aos cuidados, enquanto os críticos afirmam que reduz a supervisão médica e as salvaguardas, além de permitir que as pessoas adquiram medicamentos abortivos sem o consentimento da mulher grávida.
A organização Right To Life UK respondeu aos números apelando a um debate nacional sobre a legislação e as políticas do aborto. O grupo enfatizou a necessidade de uma maior proteçcão para os nascituros, além de alargar o apoio prático e financeiro às mulheres que enfrentam a gravidez não planeada. Pesquisas citados pela organização sugerem que a maioria das mulheres apoia mudanças nas actuais regulamentações sobre o aborto, incluindo o restabelecimento de consultas presenciais obrigatórias.
Catherine Robinson, porta-voz da Right To Life UK, afirmou a este propósito:
“É uma tragédia e um escândalo nacional que tantas vidas tenham sido perdidas devido ao aborto em Inglaterra e no País de Gales em 2023”.
As organizações pró-vida sublinham que os dados dos anos mais recentes não estão disponíveis porque o governo britânico está a atrasar a sua divulgação, suspeitando que estes apresentem um aumento ainda maior no número de abortos desde 2023.
O debate britânico decorre no contexto de uma ampla controvérsia internacional sobre o aborto. No Canadá, imagens gravadas secretamente reacenderam as críticas de grupos pró-vida, mostrando a facilidade com que os abortos em fases avançadas da gravidez podem ser realizados.
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