“Para que o mal triunfe basta que os homens bons nada façam.”
Edmund Burke
Por todo o Ocidente, as pessoas vão para a rua protestar por tudo e por nada, por isto e por aquilo, por dá cá aquela palha.
Vão para a rua protestar por valores e convicções e princípios.
Vão para a rua protestar pela liberdade religiosa, pela liberdade de expressão e pela liberdade sexual.
Vão para a rua protestar contra a guerra, contra o custo de vida, contra o racismo, contra a homofobia.
Protestam para salvar o planeta, para salvar a democracia, para salvar a consciência.
Protestam contra e a favor do aborto, contra e a favor da eutanásia, contra e a favor da pena de morte.
Protestam contra a brutalidade da polícia e protestam por falta de policiamento.
Protestam contra Israel em favor da Palestina, e em favor de Israel contra a Palestina.
Protestam contra o capitalismo, contra o marxismo, contra o estado a que as coisa chegaram.
Os sindicatos protestam porque os mineiros protestam, os agricultores protestam, os bancários protestam, os metalúrgicos protestam, os pilotos protestam, os vendedores de carros em segunda mão protestam e os funcionários públicos também.
Há protestos por causa dos impostos, por causa do preço da habitação, por causa dos salários, por causa dos horários, por causa deste governo, por causa do outro.
Há protestos para salvar de maus tratos os animais de estimação, para salvar da extinção os animais selvagens, para salvar da arena os animais toureados, para salvar dos laboratórios as cobaias e para salvar do matadouro o gado bovino.
Ruas, avenidas e praças das grandes cidades enchem-se dia sim. dia não com multidões indignadas, que erguem bandeiras a prometer revoluções e gritam slogans que dizem basta e carregam faixas que dizem chega.
Mas quando ficamos a saber que somos governados por um clube satânico de traficantes de carne humana, pedófilos, assassinos e canibais; quando se abre a cortina para o mais dantesco, chocante, nojento e criminoso cenário que podemos imaginar, toda esta gente activista de causas, militante de ideologias e fanática de convicções, fecha-se em casa, num silêncio aparvalhado, num estupor resignado, como se a revelação nada fosse ou fosse tudo isto normal.
As elites pecam por acção. As massas, por inacção.
São irredimíveis, todos.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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