A economia alemã está a sofrer a sua “crise mais profunda” desde o pós-Segunda Guerra Mundial, alertou um importante grupo industrial germânico, pedindo ao Governo de Friedrich Merz que tome medidas urgentes para impulsionar a recuperação.
A maior economia da Europa está em queda livre, “mas o governo federal não está a responder com a determinação necessária”, disse Peter Leibinger, presidente da Federação das Indústrias Alemãs (BDI).
A Alemanha enfrenta uma tempestade perfeita: custos de energia elevados a onerar os fabricantes, fraca procura pelas suas exportações nos mercados-chave, a ascensão da China como rival industrial e a onda de tarifas dos EUA.
O país está em recessão desde 2023 e os números disponíveis apontam para um crescimento residual em 2025.
O chanceler Merz, que assumiu o poder em Maio do ano passado, prometeu revitalizar a tradicional potência da zona euro, através de um grande investimento público na defesa e nas infra-estruturas.
Mas os líderes industriais manifestam cada vez mais frustração com a lentidão e a insuficiência destas medidas para lidar com uma série de problemas profundamente enraizados, desde a escassez crónica de mão-de-obra à pesada burocracia.
Leibinger afirmou a este propósito:
“A economia atravessa a sua crise mais profunda desde a fundação da república federal, mas o governo federal não está a responder com a determinação necessária. A Alemanha precisa agora de uma mudança radical na política económica, com prioridades claras para a competitividade e o crescimento.”
Regulamentação excessiva, inovação nenhuma.
Brian Fuerderer, presidente e fundador da Microqore Medical, fabricante alemão de equipamentos cirúrgicos de alta tecnologia, concordou com a avaliação da BDI, afirmando que a economia está a ser prejudicada pelo excesso de regulamentação e pela falta de inovação, acrescentando:
“Na Alemanha, o empreendedorismo como tal praticamente já não existe. Os fabricantes de automóveis já não são líderes… E penso que é aí que começa o primeiro problema: o espírito de inovação já não é encorajado nem desejado.”
No seu mais recente relatório, divulgado na terça-feira, a BDI — uma associação que reúne várias federações industriais — previu que a produção industrial alemã desça 2% em 2025, o que marcaria o quarto ano consecutivo de contracção.
A indústria pesada, desde o fabrico de automóveis à produção de equipamento industrial e de aço, continua a ser crucial para a economia alemã. O país alberga mais de 100 mil empresas transformadoras de diferentes dimensões, que empregam mais de oito milhões de pessoas.
Mas tem havido um fluxo constante de anúncios de despedimentos nos últimos tempos, principalmente no sector automóvel, atingido pela crise, incluindo a fabricante automóvel Volkswagen e o gigante industrial Bosch.
Merz defendeu as acções do seu governo, afirmando que levará tempo para que a economia volte ao bom caminho e apontando para as reformas que foram implementadas, incluindo a redução dos impostos sobre as empresas e a diminuição dos custos de energia para a indústria.
Alguns esperam que os milhares de empregos que estão a ser cortados nos sectores automóvel e industrial possam ser substituídos por novas vagas nas empresas de defesa, que estão a contratar rapidamente à medida que os países europeus se rearmam para enfrentar a alegada “ameaça russa”.
Mas Hans Christoph Atzpodien, presidente da associação da indústria de defesa BDSV, alertou que o crescimento do sector só poderá compensar parcialmente as perdas nos fabricantes de automóveis. Numa conferência de imprensa na terça-feira, num evento organizado pelos ministérios da Economia e da Defesa, afirmou:
“É claro que as escalas envolvidas e as formas de trabalho são diferentes. Existem oportunidades, mas é importante ser cauteloso em relação a elas”.
O que os industriais não dizem.
Seja como for, não deixa de ser aberrante o autismo que os empresários das grandes corporações e os dirigentes industriais manifestam ao evitar comentar os principais factores que têm levado a Alemanha ao declínio económico: a desindustrialização “verde”, relacionada com as políticas de emissões zero de que o estado corporativo alemão é fanático seguidor, a subida dos preços energéticos (que deriva dessas políticas e também da russofobia), os custos relacionados com a imigração desregrada, a deriva eléctrica da indústria automóvel, que está a conduzir o grupo Volkswagen à destituição, a desagregação da identidade nacional e da coesão social que lhe é consequente, o corporativismo recordista, o gigantismo do sector público e a monstruosidade do estado providência, a mentalidade marxista que infesta os corredores do poder político e burocrático no país, a decadência das instituições académicas, e o desinteresse dos políticos sobre as reais questões que afectam a vida dos cidadãos, em favor da agenda globalista.
Friedrich Merz é um exemplo vivo dessa alienação e é flagrante que está muito mais preocupado em empurrar a Europa para uma guerra com a Rússia do que em tentar revitalizar aquela que já foi uma das maiores potências industriais do mundo.
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