Não há cego mais cego do que aquele que não quer ver.

A prova provada deste axioma vive nos incondicionais de Donald Trump.

O César de Queens, por esta altura, podia nomear Keir Starmer para um comité internacional de defesa da liberdade de expressão, que esta tribo de invisuais iria de pronto apoiar febrilmente a iniciativa, enquadrando-a certamente num complexo xadrez de quatro dimensões de que, alegadamente, o inquilino da Casa Branca faz recurso constante.

É espantoso.

O presidente norte-americano acaba de nomear Kevin Warsh para Governador da Reserva Federal, um elitista-globalista empedernido, senhor do universo de Wall Street, membro destacado do grupo Bilderberg, casado com a herdeira do império Estée Lauder e comprometido com o amplexo sionista. Os deficientes oftalmológicos do seu clube de vão celebrar a escolha como genial e justa e certa e tudo.

 

 

Para se ver livre do último e verdadeiro populista que resta no congresso, Thomas Massie, Trump pode até apoiar a candidatura ao assento na Câmara dos Representantes pelo 4º distrito do Kentucky de um RINO que se dedicava a propagar a ideologia DEI, antes de se fingir MAGA. Os doentes dos olhos que o veneram vão achar que não há melhor candidato vivo no estado do moonshining.

 

 

Para se desculpar da intervenção desastrada do ICE em Minnesota, que já fez duas vítimas mortais, a Casa Branca está agora até a passar por cima da Segunda Emenda, transformando um mandato constitucional sem qualquer tipo de restrições, numa circular de terceira categoria, adaptável a circunstâncias políticas e, aparentemente, os americanos só têm o direito de porte de arma nas condições e nos momentos que a presidência achar convenientes à sua agenda.

 

 

Mas a perspectiva afunilada do trumpismo extremo só vê o que lhe agrada à vista (curta).

 

 

O Departamento de Justiça da actual administração pode cruzar os braços e fazer nada pela vida, e pela justiça, defraudando as legítimas expectativas do eleitorado conservador, que o bando de fanáticos e desvalidos aplaude a inacção, como se de acção se tratasse.

 

 

Donald Trump pode mentir ao ponto de já não saber distinguir o que é falso do que é verdadeiro, pode trair o seu mandato eleitoral à vontadinha e inverter completamente o desígnio populista, pode infectar a Casa Branca com os personagens mais sinistros do globalismo internacional e do pântano de Washington, pode celebrar a competência genocida de Albert Bourla ou confraternizar em banquetes com os demónios de Silicon Valley, pode transformar a federação americana na vanguarda do Estado distópico, vigilante e tecnocrático, com que sonha Peter Thiel,  pode obedecer servilmente a interesses sionistas que nada têm a ver com os interesses americanos, pode apoiar e financiar o genocídio de dezenas de milhares de inocentes em Gaza, pode estar de tal forma implicado nas actividades pedófilas de Jeffrey Epstein que tem que bombardear o Irão para distrair as massas, pode bater todos os recordes da falcoaria de guerra de que há registo na história do governo federal dos EUA (não é fácil), pode converter a marinha americana numa frota de pirataria caribenha, pode iniciar a III Guerra Mundial porque Vladimir Putin não o deixou acabar com a guerra da Ucrânia em 24 horas e condenar a espécie humana à extinção; pode fazer o que quiser, quando quiser e como quiser: os cegos seguem-no.

 

 

Alguns destes indivíduos vão ter, mais cedo do que tarde, um choque frontal com o cimento da realidade. Mas a maior parte deles nem essa dor excruciante, mas redentora, vão ser capazes de experimentar. Estão perdidos para o novo globalismo americano. E como os europeus são agora servos de Bruxelas, serão escravos de Washington, na ilusão da liberdade.

 

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura