As autoridades francesas realizaram buscas nos escritórios da X, a plataforma de redes sociais de Elon Musk, em Paris, no âmbito de uma investigação criminal alargada sobre alegados crimes relacionados com dados e conteúdos, incluindo extracção ilegal de dados, possível cumplicidade na posse ou distribuição de pornografia infantil e anti-semitismo. A pesquisa foi realizada pela unidade de cibercrime da procuradoria de Paris, que afirmou que a investigação começou em Janeiro de 2025 e se centrou inicialmente no conteúdo promovido pelos algoritmos de recomendação da X.
Live scenes from Paris France, Elon Musk’s X office raided by the French police
Europe is on its last legs in regards to free speech and this is just more proof of this pic.twitter.com/YE4F7Tcek2
— Zee 🔥 (@Zeeeee_xx) February 3, 2026
Em meados de 2025, os investigadores expandiram uma investigação que teve início em 2023, para incluir o chatbot de inteligência artificial (IA) de Musk, o Grok. Os procuradores disseram que estão a examinar possíveis crimes que vão desde a extracção fraudulenta de dados por um grupo organizado até violações de direitos de imagem através da criação de deepfakes sexuais.
Tanto Musk como a ex-CEO da X, Linda Yaccarino, foram convocados para comparecer em audiências agendadas para Abril.
No Reino Unido, os reguladores também voltaram a sua atenção para o Grok. O Gabinete do Comissário de Informação (ICO, na sigla em inglês) anunciou em Janeiro a abertura de uma investigação sobre a ferramenta de IA devido a preocupações com o seu “potencial para produzir conteúdo sexualizado prejudicial, tanto em imagens como em vídeos”. A investigação surge após relatos de que o Grok terá sido utilizado para gerar deepfakes sexuais, utilizando frequentemente imagens reais de mulheres sem o seu consentimento.
A paltaforma X não se manifestou publica ou oficialmente sobre as investigações francesa e britânica, mas Musk qualificou o processo francês como um “ataque político”.
This is a political attack https://t.co/Z204wJuQIr
— Elon Musk (@elonmusk) February 3, 2026
As acções em França e no Reino Unido ocorrem no contexto de tensões mais amplas entre as autoridades europeias e o X sobre a regulamentação e a liberdade de expressão. Os reguladores da União Europeia (UE) já multaram a plataforma com base na Lei dos Serviços Digitais (DSA), o que gerou críticas por parte das autoridades norte-americanas. Figuras de topo do governo dos EUA, incluindo o vice-poresidente JD Vance e o Secretário de Estado Marco Rubio, alertaram que os esforços de censura europeus correm o risco de “infringir a liberdade de expressão dos americanos”, enquanto a administração Trump descreveu as sanções europeias contra a X como um ataque às empresas tecnológicas americanas e aos seus utilizadores.
Sendo que há acusações do ministério público francês que são semelhantes às que foram levantadas contra o Telegram (aparentemente, as autoridades gaulesas consideram que se um crime é cometido por um utilizador com recurso a uma rede social os proprietários das plataforma são cúmplices desse crime), Pavel Durov afirmou a propósito da investigação francesa:
“A polícia francesa está a realizar uma operação de busca e apreensão no escritório do X em Paris. A França é o único país do mundo que persegue criminalmente todas as redes sociais que oferecem às pessoas algum grau de liberdade (Telegram, X, TikTok…). Não se deixem enganar: este não é um país livre.”
French police is currently raiding X’s office in Paris. France is the only country in the world that is criminally persecuting all social networks that give people some degree of freedom (Telegram, X, TikTok…). Don’t be mistaken: this is not a free country.
— Pavel Durov (@durov) February 3, 2026
Não é só a França. Nesta altura do campeonato civilizacional, os países livres na Europa contam-se pelos dedos de uma mão sem polegar.
E continuamos à espera que as autoridades francesas levantem um processo da mesma índole contra o Instagram de Zuckerberg, que é de longe a plataforma mainstream preferida das redes de pedofilia e cujo algortimo promove abertamente conteúdos de sexualização infantil.
Mas podemos esperar sentados, porque, como é mais que óbvio, ninguém aqui está preocupado com a segurança das crianças. Trata-se, como sempre, do draconiano e incessante combate à liberdade de expressão que é um dos vectores fundamentais do leninismo-globalismo europeu, ponto final, parágrafo.
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