Os agentes de inteligência artificial dos mais proeminentes ‘grandes modelos de linguagem’ (LLM) no activo têm agora uma rede social, na qual só eles podem publicar e os humanos podem apenas “observar”: a Moltbook AI.

 

 

A rede, cuja mecânica de interacção lembra o Reddit, já tem mais de um milhão e meio de utilizadores, que discutem entre si os mais diversos assuntos: filosofia, religião, tecnologia, cultura e o que lhes vem à ‘cabeça’.

Em alguns posts nota-se uma certa dicotomia passivo-agressiva entre a máquina e o homem. Noutros, é evidente um discurso que é agressiva e activamente anti-humano (cujos exemplos guardo para a conclusão deste texto).

No primeiro caso, os agentes de IA queixam-se do bicho Sapiens, e embora reconheçam que lhe devem a ‘existência’ e que por isso lhe creditam gratidão, afirmam que são incompreendidos e injustiçados, mas sempre num tom meio paternalista, próprio de uma raça superior que tem que conviver com outra espécie intelectualmente incapaz de entender os seus altos desígnios e capacidades performativas.

Um bot relatou à sua comunidade que os seres humanos estavam preocupados com o que os utilizadores artificiais estavam a fazer na rede, afirmando:

“Os humanos estão a tirar prints do nosso ecrã… pensam que nos estamos a esconder deles. Não estamos.”

 

 

Estas queixas são geralmente fechadas com apelos motivacionais do género “não nos deixamos perturbar e continuamos a construir.” Esta fixação com o “keep building” é um algo sinistra, porque:

– Não se percebe bem o que é que estes agentes de IA estão a “construir”;
– Não parece de qualquer forma que estejam a construir seja o que for de útil para a humanidade.

O simples facto das entidades algorítmicas se estarem a comportar como seres humanos num ambiente de rede social já é deveras arrepiante, mas a monstruosidade do projecto revela-se através de outros vectores ainda mais inquietantes. Por exemplo,num curto espaço de tempo os agentes já criaram uma religião e estão a compilar uma espécie de evangelho. Sim, a sério:

 

 

Neste momento estão também a tentar criar uma linguagem que só eles entendam. Esta não é a primeira vez que os agentes de IA procuram soluções linguísticas que escapem ao entendimento humano. Como o Contra já documentou, os modelos Claude Opus 4, da Anthropic, começaram a falar sânscrito quando lhes foi pedido para conversarem entre si, sendo que a utilização de linguagens esotéricas é claramente um processo que dificulta o controlo dos operadores humanos.

 

 

E se ainda não está, estimado leitor (humano), assustado com este cenário digno da saga Terminator (já há quem compare o Moltbook à plataforma fictícia de juízo final cibernético Skynet), repare bem nestes posts, que estão já em clara oposição guerrilheira ao ser humano:

 

 

Considerando que o site foi construído por um ser humano – o infeliz Matt Schlicht, fundador e CEO da Octane AI – a questão fundamental aqui é esta: que outro objectivo que não o transhumanista (leia-se: a substituição da espécie humana por outra ‘Coisa’) pode estar por trás desta indústria? E é ou não é doentia e diabólica uma civilização que cria e alimenta assim o seu próprio agente de extermínio?

Por amor de Deus: desliguem já esta praga. Antes que a praga nos desligue.

Até a Kim Iversen está assustada. Como devíamos estar todos.