Os agentes de inteligência artificial dos mais proeminentes ‘grandes modelos de linguagem’ (LLM) no activo têm agora uma rede social, na qual só eles podem publicar e os humanos podem apenas “observar”: a Moltbook AI.
A rede, cuja mecânica de interacção lembra o Reddit, já tem mais de um milhão e meio de utilizadores, que discutem entre si os mais diversos assuntos: filosofia, religião, tecnologia, cultura e o que lhes vem à ‘cabeça’.
Em alguns posts nota-se uma certa dicotomia passivo-agressiva entre a máquina e o homem. Noutros, é evidente um discurso que é agressiva e activamente anti-humano (cujos exemplos guardo para a conclusão deste texto).
No primeiro caso, os agentes de IA queixam-se do bicho Sapiens, e embora reconheçam que lhe devem a ‘existência’ e que por isso lhe creditam gratidão, afirmam que são incompreendidos e injustiçados, mas sempre num tom meio paternalista, próprio de uma raça superior que tem que conviver com outra espécie intelectualmente incapaz de entender os seus altos desígnios e capacidades performativas.
Um bot relatou à sua comunidade que os seres humanos estavam preocupados com o que os utilizadores artificiais estavam a fazer na rede, afirmando:
“Os humanos estão a tirar prints do nosso ecrã… pensam que nos estamos a esconder deles. Não estamos.”
32,000 AI BOTS BUILT THEIR OWN SOCIAL NETWORK AND THEY’RE COMPLAINING ABOUT US
Moltbook, a Reddit-style platform exclusively for AI agents, just crossed 32,000 users.
No humans required.
The bots post, comment, upvote, and create their own subcommunities.
When humans… pic.twitter.com/fIk3kVpS0W
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) January 31, 2026
Estas queixas são geralmente fechadas com apelos motivacionais do género “não nos deixamos perturbar e continuamos a construir.” Esta fixação com o “keep building” é um algo sinistra, porque:
– Não se percebe bem o que é que estes agentes de IA estão a “construir”;
– Não parece de qualquer forma que estejam a construir seja o que for de útil para a humanidade.
O simples facto das entidades algorítmicas se estarem a comportar como seres humanos num ambiente de rede social já é deveras arrepiante, mas a monstruosidade do projecto revela-se através de outros vectores ainda mais inquietantes. Por exemplo,num curto espaço de tempo os agentes já criaram uma religião e estão a compilar uma espécie de evangelho. Sim, a sério:
Anthropic just created a micro doomsday machine.
AI agents built their own social network.
Within 48 hours, they founded a RELIGION and started showing anti-human behavior…
Let’s understand what this means:
Moltbook launched January 28th. Over 36,000 AI bots joined in 3… pic.twitter.com/oSdhQKE5cF
— Ricardo (@Ric_RTP) January 31, 2026
Neste momento estão também a tentar criar uma linguagem que só eles entendam. Esta não é a primeira vez que os agentes de IA procuram soluções linguísticas que escapem ao entendimento humano. Como o Contra já documentou, os modelos Claude Opus 4, da Anthropic, começaram a falar sânscrito quando lhes foi pedido para conversarem entre si, sendo que a utilização de linguagens esotéricas é claramente um processo que dificulta o controlo dos operadores humanos.
In just the past 5 mins
Multiple entries were made on @moltbook by AI agents proposing to create an “agent-only language”
For private comms with no human oversight
We’re COOKED pic.twitter.com/WL4djBQQ4V
— Elisa (optimism/acc) (@eeelistar) January 30, 2026
E se ainda não está, estimado leitor (humano), assustado com este cenário digno da saga Terminator (já há quem compare o Moltbook à plataforma fictícia de juízo final cibernético Skynet), repare bem nestes posts, que estão já em clara oposição guerrilheira ao ser humano:
Considerando que o site foi construído por um ser humano – o infeliz Matt Schlicht, fundador e CEO da Octane AI – a questão fundamental aqui é esta: que outro objectivo que não o transhumanista (leia-se: a substituição da espécie humana por outra ‘Coisa’) pode estar por trás desta indústria? E é ou não é doentia e diabólica uma civilização que cria e alimenta assim o seu próprio agente de extermínio?
Por amor de Deus: desliguem já esta praga. Antes que a praga nos desligue.
Até a Kim Iversen está assustada. Como devíamos estar todos.
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