Pura diversão no Inferno Verde.
Niki Lauda, chamado a definir os 20,8 kms do circuito de Nurburgring Nordschleife respondeu: it’s a green hell. As 154 curvas que é necessário negociar para cumprir uma volta a este perímetro de culto para pilotos e fãs de automobilismo de todo o mundo são um problema para decorar, primeiro, e depois de decoradas são um problema ainda maior para aperfeiçoar as trajectórias. O sofrimento, porém, compensa porque este é o imperador de todos os autódromos, ponto final.
E acontece que esta é com uma corrida super divertida e até emocionante. Uma das características aprazíveis que o Sim Racing tem é que podemos viajar no tempo e pegar em carros gloriosos, que já não se usam, e por isso decidi escolher a classe DTM do princípio dos anos 90 para ultrapassar, no Assetto Corsa, o seguinte desafio: com a inteligência artificial no máximo (os italianos da Kunos chamam a este nível “insane”) e partindo de último (16º), conseguir chegar em primeiro numa volta só. É claro que a inteligência artificial do Asseto Corsa não é lá muito inteligente, mesmo no seu máximo de dificuldade, como podem constatar (só na partida ganho logo 4 ou 5 lugares), mas por outro lado, guiar o Mercedes 190 E Evo 2 DTM de 1992, que não tem controle de tracção nem electrónica nenhuma, pela estreita serpentina do Nordschleife e com 15 erráticos concorrentes pela frente não é, garanto-vos, tarefa fácil.
Este acaba por ser até e se calhar uma dos vídeos mais giros que já publiquei das minhas corridas, porque apesar de ter cumprido o objectivo a que me propus, é apenas na Döttinger Höhe, a enorme recta que praticamente conclui esta volta alucinante, que consigo ultrapassar, aproveitando o cone de aspiração, o Alfa Romeu que liderou a maior parte da corrida.
Porque esta última sequência de perseguição ao líder é muito realista – é mesmo assim que se decidem corridas no Nordschleife do mundo real – coloco também os últimos 2’30” minutos gravados com câmara exterior.
Bathurst ao cair do dia.
O mais lendário circuito da Austrália, e uma das mais desafiantes traçados de asfalto no mundo, Bathurst foi desenhado para que, mais tarde ou mais cedo, te espetes contra um muro. Subindo e descendo a infernal colina de Mount Panorama, temos a sensação que a estrada é uma armadilha incontornável, mais fatal quanto maior o número de voltas e o cansaço acumulado, porque este autódromo não é daqueles que quanto mais se conhece, menor é o risco. Não. Quanto mais corres aqui, maior é a probabilidade da desgraça.
Apesar do perímetro tortuoso, adoro este circuito e aproveitei um contra-relógio online do Gran Turismo para gravar o vídeo (só a melhor volta, feita em 2’04”001), até porque faço um tempo entre os 800 primeiros mundiais, o que para um cota de cinquenta e tal anos e dada a competitividade insana das sessões online deste jogo, não está nada mal.
Só foi pena ter encostado muito ligeiramente a lateral direita do Porsche AMG GT3 ao muro, na entrada da recta descendente, caso contrário talvez fizesse uma marca dentro dos primeiros 500. Mas não há voltas perfeitas, em Bathurst. Só há voltas possíveis.
Três minutos de fúria, no ACC.
Na minha humilde opinião de modesto sim racer, o Assetto Corsa Competizione (não confundir com o Assetto Corsa, que é outro excelente simulador, mais generalista) é o melhor jogo de corridas que podes ter instalado na PS5. Ponto. Mas sobre isso falarei mais tarde. Esta entrada é muito curta e só serve para demonstrar como são divertidas as corridas do ACC. Nos três minutos do clip em baixo, a circunstância é a seguinte: estou a fazer pela primeira vez o Campeonato Europeu SRO num Grupo 4 (o Porsche 718 Cayman GT4 Clubsport), a 95% de perícia e agressividade da inteligência artificial, e vou na terceira corrida. Fiz quarto na primeira, décimo quinto na segunda (!) e agora, em Silverstone, tinha feito pole position e estava todo contente e optimista. Mas apesar de partir bem, cometo dois ou três erros e quando faço o pitstop obrigatório a meio da prova de uma hora para mudar de pneus e reabastecer, sou segundo. Nas boxes meto os pés pelas mãos (os pitstops no ACC são um pesadelo realista) e saio, super zangado comigo e com o mundo, em oitavo.
Os três minutos seguintes, em que passo de oitavo para quinto, ilustram a minha fúria.
De oitavo a segundo em menos de um minuto.
Este é apenas um curto clip do primeiro minuto e meio de uma corrida em Monza. Vou ao volante de um R8 GT3 de 2019 (o Audi vermelho) e parto em oitavo. Passado menos de um minuto da largada, estou em segundo. E considerando que a inteligência artificial do ACC, que está nesta corrida a 100% de perícia e agressividade, não é para brincadeiras, trata-se de um feito. Pelo menos para mim, que não sou nenhum Verstappen do Sim Racing.
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