Ghislaine Maxwell, a proxeneta de Jeffrey Epstein condenada por tráfico de seres humanos, afirmou num documento com validade jurídica, que 25 associados do financeiro/pedófilo que não identificou fizeram “acordos secretos” relacionados com acusações de abuso sexual, para evitarem processos judiciais.

A revelação bombástica surgiu depois de o Courthouse News Service ter publicado integralmente a petição de habeas corpus apresentada pelos advogados de Maxwell a 17 de Dezembro, numa tentativa de anular a condenação de traficante de carne humana, que está actualmente a cumprir uma pena de 20 anos de prisão.

Epstein foi também acusado no Tribunal Federal de Manhattan de tráfico sexual de menores, em Julho de 2019, mas foi suicidado na sua cela um mês depois, enquanto aguardava julgamento.

Na petição, Maxwell alegou que os 25 cúmplices fizeram “acordos secretos” com os advogados da acusação para evitarem os respectivos processos judiciais. Maxwell não referiu nomes, pelo que estes indivíduos ficam por identificar. Também não ficou claro se os cúmplices fizeram acordos com o Departamento de Justiça (DOJ) ou com procuradorias estaduais. Mas na sua argumentação para que Maxwell fosse libertada e a sua condenação anulada, o advogado referiu-se aos “acordos secretos” como “conluio” entre os advogados da acusação e o governo federal, implicando assim o DOJ:

“Se o júri tivesse conhecimento das novas provas de conluio entre os advogados da acusação e o governo para ocultar provas e a má conduta da acusação, não a teria condenado.”

O facto de ainda exisitirem cúmplices não identificados do prolífico criminoso sexual levanta questões sobre se e quando estes nomes serão revelados, considerando a aprovação da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein pelo Congresso, em Novembro de 2025.

Desobedecendo a esse mandato legislativo, o Departamento de Justiça de Donald Trump tem-se mostrado reticente em divulgar o conjunto completo de arquivos de Epstein, que se acredita conterem fotografias e nomes de associados e vítimas de Epstein. Os deputados Ro Khanna (democrata da Califórnia) e Thomas Massie (republicano do Kentucky) ameaçaram apresentar acusações de desacato contra a procuradora-geral Pam Bondi por incumprimento da lei que exigia a divulgação completa até 19 de Dezembro de 2025.

A 29 de Fevereiro o DOJ divulgou mais de 3 milhões de documentos relacionados com Epstein, naquela que foi a exposição mais chocante das suas actividades depravadas. Mas não é líquido que todos os ficheiros tenham ainda sido sido revelados e neste lote de documentos agora caídos no domínio público, os nomes dos perpetradores foram rasurados.

Maxwell deverá depor numa audiência fechada perante o Comité de Supervisão da Câmara a 9 de Fevereiro. O seu testemunho será virtual e espera-se que invoque a Quinta Emenda, de acordo com o presidente do comité, James Comer (republicano do Kentucky).