“Onde o erro é irreparável, o arrependimento é inútil.”

Edward Gibbon . Declínio e Queda do Império Romano

 

Depois de 48 horas de volta da galeria de horrores que consta do último lote dos ficheiros Epstein a serem divulgados publicamente, este redactor, para além de enojado, está revoltado. O que é evidente neste pesadelo é que o declínio e queda da civilização ocidental poderá muito bem ser arrumado numa gaveta da História ainda mais sombria do que o processo análogo que levou ao desmoronamento do Império Romano.

Há detalhes que são excessivamente perversos para conseguirmos sair disto sem mácula. Mesmo nós, que não praticámos os crimes, mas que fazemos parte da construção Ocidental, nesta idade das trevas. Por exemplo, quantos de vós, leitores, já contribuíram como consumidores para o sucesso da corporação Disney? Lamento, mas são, nesse sentido, também responsáveis por isto:

 

 

Os teóricos da conspiração, que na verdade sempre estiveram a milhas da realidade, que é inimaginável por definição, de tão pavorosa, merecem ainda assim crédito. Infelizmente e mais uma vez, estavam bem perto da verdade.

 

 

E sim, Dugin está carregado de razão, mais uma vez: tudo está definitivamente corrompido deste lado do mundo e todos os cidadãos desta civilização estão moralmente comprometidos. Não há volta a dar.

 

 

Agora, o insustentável peso na alma de qualquer pessoa decente e lúcida é saber que, como se todos estes horrores não bastassem, nada vai realmente mudar. Ninguém vai ser incriminado, julgado e condenado. Poucos ou nenhuns destes ensandecidos criminosos vão perder poder ou fortuna por causa disto. Pelo contrário. Podemos contar com uma reacção agressiva das elites. Podemos contar com mais operações psicológicas, com mais mentiras, com mais distrações, com mais repressão, com mais perversidade.

 

 

E não, não me venham por favor com a conversa que os ficheiros incluem relatos fabricados e testemunhos falsos e registos politicamente condicionados. São três milhões de páginas de terror puro. Mesmo que apenas 10% sejam verdadeiros, há razão para a repulsa, há razão para a revolução.

 

 

Nada para ver aqui, trata-se apenas de uma simples coincidência.

Alex Christoforou fala no clip vídeo em baixo do elefante encarnado que está sentado no meio desta sala de horrores: o timing da mobilização das forças americanas para o ataque ao Irão não podia ser mais conveniente, coincidindo, por mero acaso, claro, com a última descarga escatológica dos ficheiros Epstein.

A guerra como vector de alienação das massas não é propriamente novidade. O que é novo, aqui, é a forma flagrante, grosseira e desavergonhada como o regime Trump procura desviar a atenção do público com o circo sanguinolento do Pentágono.

Um detalhe: até Christoforou, que faz da denúncia da podridão moral das elites globalistas a sua vida profissional, parece meio abalado com as abominações que caíram no domínio público.

 

 

Supremacia sionista.

Uma das mais chocantes recorrências dos ficheiros Epstein é a do racismo judaico contra os gentios (termo perjorativo usado: goyim).

Na correspondência electrónica do pedófilo/traficante de carne humana/agente da Mossad abundam conversas sobre a supremacia judaica e a subhumanidade dos não judeus (especialmente dos brancos não judeus). É uma coisa mesmo revoltante e bem eloquente sobre o que pensam de nós os sionistas: que somos, basicamente, idiotas úteis e que servimos apenas para servir Israel.

É impressionante.

 

 

Israel financiou, promoveu e instrumentalizou tudo isto. E agora?

Se dúvidas existiam, porque a conecção já era bastante óbvia, é agora inegável que Jeffrey Epstein era um agente da Mossad, a organização criminosa que financiou toda a operação e intrumentalizava as actividades luciferinas do seu activo para chantagear este mundo e o outro e assim se explica que as elites em Washington estejam invariavelmente mais comprometidas com os intreresses israelitas do que com os interesses dos americanos (sendo a actual administração um exemplo clamoroso disso mesmo).

Ou dito de outra forma: Israel é na verdade o primeiro responsável por todos os horrores perpetrados sobre as vítimas deste circo do inferno. E as cúpulas políticas dos EUA permitiram (ou contribuiram para) o desvario insano e o abuso animalesco dos seus próprios cidadãos, cedendo à chantagem, de forma a salvar a pele.

 

 

É também evidente que daqui para a frente nada vai mudar. Porque em Telavive ainda são, muito provavelmente, guardados segredos bem piores, se possível, do que aqueles que caíram agora no domínio público. E as últimas notícias ilustram bem a continuidade imperturbável deste relacionamento abusivo entre o predador sionista e a presa americana.

 

 

Influência desmedida.

Outra constante que me deixa completamente abismado é a influência que Epstein, que me parece em tudo um tipo intelectualmente vulgar, detinha sobre as elites na América e por todo o mundo. Monarcas e oligarcas, ditadores e banqueiros, bilionários e tecnocratas, dirigentes desportivos e académicos, militares de topo e cientistas célebres, diplomatas e gurus, estrelas de cinema e artistas consagrados, ministros e economistas da extensa geografia global recorriam a este desprezível e medíocre indivíduo para conselhos e dicas, cunhas e convites, confissões e terapia.

Epstein reunia com líderes políticos e chefes de Estado regularmente e esteve no epicentro de alguns, muitos, dos eventos que marcaram os últimos 30 anos.

A conclusão a que se chega rapidamente é óbvia e não é nova: as massas são dirigidas globalmente por um bando de imbecis sem nome (grande parte deles, pedófilos e doentes mentais).

 

 

Artes gráficas, segundo John Podesta.

Um dos mais célebres amigos de Jeffrey Epstein, e há muito suspeito de ser um pedófilo satanista, é John Podesta, a face mais escancarada do Estado profundo e nada mais nada menos que o chefe de gabinete do presidente Bill Clinton (1998–2001), conselheiro do presidente Barack Obama (2014–2015), chefe de campanha de Hillary Clinton (2016) e conselheiro do presidente Joe Biden (2022–2025). Portanto, durante quase 30 anos, um dos homens mais poderosos do mundo.

Podesta é conhecido também pela sua colecção de arte, que faz questão de exibir publicamente e que inclui peças como estas.

 

 

“That’s the way the system works”

Epstein explica como é que a “banca fraccionária” funciona. E se os banqueiros são depravados, o sistema bancário não o é menos: Por cada dólar captado, nove dólares são capitalizados. É espantoso.

 

 

Por incrível que possa parecer e contra todas as evidências,

o estabelecimento do Reino Unido, em pânico, dadas as implicações dos ficheiros Epstein na reputação das suas elites (Lord Mendelson, Príncipe André, Tony blair, Gordon Brown e etc.), está a tentar convencer o público britânico que o pedófilo/financeiro/agente da Mossad/traficante de carne humana era um espião de… Vladimir Putin.

 

 

Na Austrália, o mesmo desavergonhado spin.

 

 

Esta gente não sabe fazer outra coisa que não seja mentir, mentir, mentir sempre, até que a realidade se transforme num indiscernível e grotesco jogo de espelhos.

 

 

E fechando esta galeria do inferno:

O desvairado século XXI já tem vários momentos chave. O 11 de Setembro de 2001, a crise do subprime de 2008, a pandemia de 2020-21, a operação militar russa na Ucrânia em 2022 e ainda em curso, e o 7 de Outubro de 2023, que espoletou o genocídio em Gaza nos últimos dois anos. São já muitos os eventos terríficos. Este é mais um. O dia 30 de Janeiro de 2026, vai ficar para a posteridade como um dos momentos mais sinistros, mas também mais reveladores, da civilização ocidental.

Há um antes e um depois dessa sexta-feira negra, que trouxe uma sombria e assombrosa claridade.

A conclusão que devemos tirar é que o sistema, esta maligna ordem mundial presidida por demónios inqualificáveis, está de tal forma corrompido que é irreformável.

Há que partir do zero e encontrar novas formas de governação dos povos e de regência do poder político e económico.

O curso da história ensina-nos que a decadência dos regimes conduz de facto a rupturas epistemológicas e filosóficas e a novas formas de condução do destino das nações e das sociedades. Esses processos são geralmente carregados de violência, é certo, mas traduzem a superação de estruturas que condicionam a espécie humana a uma existência de servitude e degradação moral, anulando o mandato que lhe foi conferido por Deus de liberdade, dignidade e transcendência.

Essa redenção cíclica não acontecerá amanhã. Muito provavelmente nem acontecerá no tempo das nossas vidas. Mas acontecerá por certo. E o facto de não a testemunharmos não quer dizer que devemos abdicar de contribuir para esse revolucionário processo. É sempre urgente lutar contra as trevas, mesmo quando sabemos – ou precisamente por sabermos – que só os nossos netos vão ver a luz.

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura