O número de casos de falência envolvendo grandes empresas na Alemanha aumentou drasticamente em 2025.
De acordo com um estudo da consultora empresarial Falkensteg, o número de grandes empresas – definidas como aquelas com um volume de negócios superior a 10 milhões de euros – que declararam falência cresceu cerca de um quarto, atingindo as 471 no ano passado.
Em comparação com 2021, o número de insolvências em grande escala quase triplicou.
O autor do estudo, Jonas Eckhardt, disse ao jornal Welt:
“A economia alemã não está apenas com dores de cabeça, está com febre. Para muitas empresas, esta já não é apenas uma recessão económica passageira, mas uma questão de sobrevivência. A recessão cíclica está a transformar-se num colapso estrutural”.
O estudo atribui o aumento das falências a uma combinação de factores, como uma crise estrutural nos sectores automóvel e da engenharia mecânica, uma quebra no consumo e as incertezas geopolíticas.
Os impulsos positivos dos programas de investimento público anunciados pelo Regime Merz – financiados com emissões de dívida recorde – têm sido praticamente imperceptíveis até à data.
Os fabricantes metalúrgicos foram responsáveis pela maioria das falências registadas em 2025, com 65 casos – um aumento de mais de um terço em relação a 2024. Os fornecedores da indústria automóvel também foram significativamente afectados, com 59 insolvências.
O maior aumento foi observado no sector da engenharia eléctrica, onde as falências saltaram quase 77%, atingindo os 53 casos.
Os autores do estudo afirmaram não esperar uma recuperação no próximo ano. Segundo o documento:
“A economia alemã recuperará apenas lentamente em 2026, porque vários entraves estruturais, como a perda gradual de competitividade, a escassez de mão-de-obra qualificada, a burocracia excessiva e o baixo investimento, se irão sobrepor.”
A crise energética que o país vive, e que foi auto-inflingida, também não deve ajudar grande coisa. A falhada e ruinosa transição para os veículos eléctricos, que a indústria alemã adoptou com fervor ideológico e cegueira estratégica, também não.
Em 2026, prevê-se um aumento de 10 a 20% das falências em grande escala, sendo o sector da indústria transformadora – outrora a joia da coroa do milagre económico alemão – o mais vulnerável.
O sector da indústria transformadora sofre de excesso de capacidade e de margens de lucro cada vez menores. Além disso, o novo plano quinquenal da China, previsto para ter início este mês. e com ênfase na auto-suficiência, poderá exercer uma pressão competitiva adicional sobre importantes sectores industriais alemães.
As insolvências não se limitam às grandes empresas. Como o ContraCultura documentou em Setembro de 2025, o tecido micro-económico alemão está em desagregação, com falências e desemprego a atingirem o nível mais alto em 10 anos.
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