Os incondicionais defensores de Israel passaram os últimos anos a insistir que o número de mortos da “Guerra contra o Hamas” divulgado pelo Ministério da Saúde de Gaza não passava de propaganda terrorista. Mas afinal não se trata de propaganda, porque o próprio regime sionista admitiu na quinta-feira passada a verdadeira escala da mortandade.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) reconheceram finalmente ter morto pelo menos 71.667 palestinianos desde o início das suas operações “contra o Hamas”, reconhecendo que as estimativas de vítimas do Ministério da Saúde palestiniano eram, na verdade, inferiores ao número correcto. Israel feriu pelo menos outras 171.343 pessoas desde o início do conflito, sendo que algumas avaliações apontam para que o número total ultrapasse as 500.000.

A contagem inclui aqueles que foram mortos directamente por fogo israelita, e não aqueles que morreram por outras causas, incluindo fome, doenças e falta de cuidados médicos, já que os hospitais em Gaza foram alvo constante do fogo sionista. Diversos estudos sugerem por isso que o número de mortos pode ser muito maior.

Os registos do Ministério da Saúde de Gaza identificam quase todas as vítimas utilizando os seus nomes e números de identificação, mas não distinguem entre militantes e civis. Segundo o Haaretz, as Forças de Defesa de Israel estão actualmente a analisar dados sobre as mortes para calcular quantas pessoas mortas são consideradas combatentes e quantas eram civis.

Um estudo realizado pelo Professor Michael Spagat, da Universidade de Londres, sugeriu que mais de 75.000 pessoas morreram durante a guerra até Janeiro de 2025. Nessa altura, o Ministério da Saúde de Gaza contabilizava pouco mais de 45.600 mortes, sugerindo uma subestimação de 40% do total real.

Será que aqueles que descartaram os dados do Ministério da Saúde de Gaza como um panfleto anti-semita vão reconhecer a sua infâmia? Dificilmente. E serão ou não estes números indicadores factuais de genocídio?

Os próprios dados das Forças de Defesa de Israel mostram que 83% dos mortos em Gaza eram civis. Isto significa que Israel admite agora ter massacrado quase 60.000 inocentes em resposta ao dia 7 de Outubro, quando o Hamas matou menos de 825 não combatentes.

E ainda há muito boa gente que defende agressivamente esta manifestação do mal absoluto.