Na sexta-feira passada, o Departamento de Justiça norte-americano libertou mais uns milhões de documentos relacionados com as actividades de Jeffrey Epstein. E desta vez, a coisa rebenta mesmo, putrefacta e chocante, por todos os lados e em todas as direcções.

Devo reconhecer que nunca acreditei, e escrevi isso mesmo aqui no ContraCultura, que documentos como estes caíssem no domínio público, de tal forma tornam transparentes a corrupção moral e as abominações praticadas pelas elites no Ocidente. E atenção: se alguém está à espera que este ou aquele dos seus heróis escape incólume, que esta ou aquela ideologia, que este ou aquele partido não sejam conspurcados por esta luciferina lama, que se desiluda, já.

 

 

Em circunstâncias normais e num mundo que não estivesse virado ao contrário, seria adequado advertir os leitores que os conteúdos deste artigo são chocantes e podem ofender a sensibilidade de pessoas mais susceptíveis. Mas como estas não são circunstâncias normais e porque de facto vivemos por estes tempos numa espécie de negativo-inverso, não me parece adequada essa advertência. As pessoas, susceptiveis ou não, devem ficar chocadas. A sua sensibilidade deve ser ofendida. É premente que ganhem consciência dos monstros que estão à frente das suas nações.

 

 

Trump primeiro, porque é politicamente estranho.

Chega a ser enigmático, para dizer a verdade, que o Departamento de Justiça (DOJ) do regime Trump tenha divulgado ficheiros que implicam o inquilino da Casa Branca em práticas de tal forma perversas que é difícil contornar o assunto, mesmo que se seja um fanático MAGA (será preciso cumprir um exercício de ginástica mental deveras contorcionista, mesmo).

 

 

A título de exemplo, um relatório do FBI datado de Março de 2020, relata que uma vítima não identificada testemunhou que Epstein a traficou aos 13 anos e que foi violada por Trump, que mais tarde assistiu ao assassinato da sua filha recém-nascida e ao descarte do seu corpo num iate.

 

 

Mas há muito mais ficheiros e indícios deveras comprometedores para o Presidente norte-americano.

 

 

Um outro relatório do FBI incluso nos ficheiros Epstein, que cita uma fonte humana confidencial, afirma que “Trump foi comprometido por Israel”.

 

 

Não admira que alguém no DOJ tenha entretanto tentado apagar certos ficheiros que envolvem o presidente norte-americano directamente nas actividades aberrantes de Epstein. Mas esses ficheiros já tinham entretanto sido capturados por terceiros, pelo que a tentativa foi infrutífera.

 

 

Mas, para sermos justos, Donald Trump é um mero pixel, sem bem que muitíssimo carregado, na imagem dantesca que este lote de ficheiros compõe. Na verdade, os documentos incluem e sujam, directa ou indirectamente, quase toda a gente que tem poder neste lado do hemisfério. E não só. A ideia geral com que ficamos é que vivemos num mundo infernal, dirigidos, manipulados e governados por criminosos absolutamente execráveis, que venderam nitidamente a alma ao diabo.

E é como diz o Alexander Dugin: parece que toda a elite norte-americana está nos ficheiros Epstein. E também está certo quando diz que as massas são cúmplices das elites que elegeram.

 

 

Homicídio, violação, pedofilia, tortura, canibalismo, coprofagia, rituais satânicos, sacrifícios humanos: neste clube vale tudo.

O que estes escatológicos ficheiros permitem concluir é que as elites são constituídas por pessoas doentes ou possuídas, mas seja como for, demoníacas. Há relatos de horror sem paralelo, como o desmembramento de bebés e a posterior ingestão das suas fezes, retiradas dos seus intestinos. Há fortes indícios que as vítimas, presumivelmente menores, eram não só violadas como torturadas, para indisfarçável prazer dos perpetradores, que não se coibiam sequer de comunicar esse gozo por email, num claro sintoma de que se julgavam completamente a salvo de qualquer penalização pelos seus actos hediondos.

 

 

As vítimas, muitas delas crianças, eram fechadas em jaulas.

 

 

O canibalismo também fazia parte da luciferina ementa, claro. Porque o código desta desalmada gente é não ter código nenhum, numa regressão à animalidade primordial e feroz e amoral que desafia a imaginação e avilta a sensibilidade de qualquer pessoa minimamente sã.

 

 

É um clube satânico. Mas não tão exclusivo como isso.

A quantidade e diversidade de membros deste clube é absolutamente recordista e custa até a perceber como é que a sua natureza e as suas acticvidades foram escondidas do público durante tanto tempo. Não houve, aparentemente, um único convidado que ficasse horrorizado com o festival de horrores e viesse a público denunciá-los.

Muitos, mas mesmo muitos dos nomes mais sonantes da esfera pública mundial estabeleceram laços com Epstein. Bill Gates, por exemplo, era tão íntimo do pedófilo/traficante de carne humana/agente da Mossad, e de tal forma frequentador das suas orgias, que, tendo contraído nelas doenças venéreas, pediu encarecidamente a Epstein que lhe fornecesse medicamentos para, subrrepticiamente, medicar a sua mulher.

 

 

Se tudo isto não fosse tão degradante, até dava vontade de rir: o venéreo Bill Gates é conhecido pelo seu activismo em questões relacionadas com a saúde pública e foi outrora considerado pela imprensa corporativa um campeão do “sexo seguro”.

 

 

Outro caso melodramático é o de Elon Musk, que depois de anos a demarcar-se do escândalo e a acusar os outros de envolvimento no escândalo, aparece nos ficheiros a fazer-se convidado para visitar a ilha dos horrores, nem sendo esta a primeira vez que o seu nome vem a lume a propósito deste tenebroso assunto.

 

 

Os suspeitos do costume – o Príncipe André, o ex-primeiro-ministro israelita Ehud Barak, o constitucionalista norte-americano Alan Dershowitz, o procurador-geral do primeiro mandato de Trump, William Barr, e o ex-embaixador do Reino Unido em Washington, Lord Peter Mandelson – aparecem nos ficheiros, como era expectável.

 

 

Mas há novos, ou pelo menos surpreendentes personagens neste filme de terror, entre os quais os ex-primeiros-ministros globalistas Tony Blair e Gordon Brown. Brown é descrito como “um pedófilo praticante, cujas actividades eram conhecidas pelos serviços de informação britânicos, americanos e israelitas, por Rupert Murdoch e pelo seu editor sénior no Sunday Times” em 1986. Nos mesmos documentos, é referido que Blair “teria impedido a divulgação de nomes famosos do direito, dos negócios e da política, incluindo alguns membros do seu próprio gabinete, durante a investigação policial sobre actividades pedófilas na internet conhecida como Operação Ore”.

Tony Blair terá também participado nas orgias organizadas por Epstein.

 

 

Peter Thiel, o tecnocrata em chefe do regime Trump que já antes tinha sido apanhado nesta teia, não escapou ao escrutínio e ter-se-á “divertido” bastante, na sinistra companhia de Epstein. Na verdade, estão bem um para o outro, porque Thiel é um verdadeiro Darth Vader do eixo Wall Street-Silicon Valley.

 

 

O ex-presidente norte-americano George H. W. Bush (‘Bush pai’) também é mencionado como violador de rapazinhos (confirmando suspeitas antigas), e o actual primeiro-ministro britânico, o tirano Keir Starmer, é citado como tendo “lucrado com a violação e o tráfico de crianças.”

 

 

Emmanuel Macron não podia estar ausente desta lista de vilões. Os ficheiros revelam que Jeffrey Epstein fez negócios com o presidente francês em diversas ocasiões, tanto antes como depois de este se ter tornado presidente. Macron terá também procurado a ajuda de Epstein para assuntos de governação e relações públicas enquanto presidente dos franceses.

 

 

A princesa herdeira da coroa norueguesa, Mette-Marit, procurava conselhos sobre a educação do seu filho e discutia intrigas com o pedófilo, confessando-lhe que o achava extremamente charmoso. Não por acaso, o filho da princesa está neste momento a ser julgado por ter violado 4 mulheres.

 

 

Para cúmulo da insanidade, a senhora terá sido engravidada por Epstein, que a considerava “um desastre”.

 

 

Este artigo está a correr o risco de exaurir os seus leitores, mas é ainda necessário informá-los que o ex-Sectretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg, se envolveu em vilanias da pior espécie, na companhia do seu amigo Epstein; que a família real do Quatar aparece nos ficheiros por 297 vezes; que respeitados intelectuais do universo liberal como Richard Dawkins e Steven Pinker voaram em jactos privados do infame agente da Mossad; que Tiger Woods também se correspondia com ele; que vários académicos russos constam da lista e que a família Rothschild também fazia parte da organização criminosa, como não podia deixar de ser, até porque sem eles, nenhum clube de elite pode singrar.

 

Em conclusão.

Este interminável catálogo de horrores e de vilões grita a evidência: uma sociedade que permite ser liderada pela pior espécie de escumalha humana tem necessariamente que colapsar. Nós, no Ocidente, é que somos afinal ‘os maus da fita’. E merecemos completamente o destino triste que vamos ter, como civilização: o declínio, a queda e a condenação da História. Porque o apogeu, feitas as contas, foi este luciferino e aberrante bordel.

E, para nossa vergonha colectiva, isto:

 

 

Não sei, meus caros, que pesos e contrapesos oscilam agora na vossa consciência, mas eu posso confessar-vos que sinto profundamente a culpa. Partilho dos pecados destes animais todos. Sou também responsável, cúmplice, parceiro desta imundície e dos filhos da puta que legitimei, defendi e promovi. Fui também por esta lama contaminado. Sou também deste legado operário. Serei também por este opróbrio condenado.

É até incrível como é que conseguimos viver assim, com estes líderes, sabendo o que agora sabemos deles.

É até sinal tenebroso destes terríveis tempos, que esta gente permaneça confortavelmente rerfastelada nos cadeirões do poder, impune e fazendo a guerra, tranquila e vendendo aplicações, incólume enquanto concede empréstimos, impassível e largando postas de pescada moralizantes nas redes sociais e no telejornal.

Tenho eu mais vergonha deles, que eles. Mas sou, como eles, irredimível.

Stanley Kubrick sabia. Nós não quisemos saber.

 

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura

 

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A segunda parte deste trabalho de levantamento dos Ficheiros Epstein será publicada amanhã, terça-feira.