As forças norte-americanas estão a mobilizar-se a um ritmo sem precedentes, com dezenas de aeronaves de grande porte a transportar efectivos e equipamento para bases na região do Médio Oriente, num movimento que parece indicar que o regime Trump se prepara para lançar mais um ataque ao Irão.

 

 

Esta mobilização ocorre enquanto o Presidente Trump emitiu nas últimos dias várias ameaças a Teerão, prometendo devastação total caso o país não obedeça aos mandatos de Washington no que diz respeito, presume-se, ao armamento nuclear e ao arsenal de mísseis de longo alcance.

As declarações de Trump sobre este assunto reflectem, se bem que inadvertidamente, o fracasso do bombardeamento norte-americano de Junho do ano passado, que tinha como alvo as instalações nucleares do Irão e que o inquilino da Casa Branca qualificou como extremamente bem sucedidas. Mas se de facto tivessem sido bem sucedidas, não seria o assunto agora motivo para voltar à guerra. Na altura, uma avaliação preliminar dos próprios serviços de inteligência americanos concluiu que o ataque não tinha destruído a capacidade nuclear do Irão, atrasando-a apenas por alguns meses.

Os  analistas de defesa estão a comentar o enorme transporte aéreo, que inclui mais de 20 C-17 Globemaster III e vários C-5M Super Galaxy a chegar ao Médio Oriente apenas nas últimas 48 horas. Os preparativos para reforçar as defesas aéreas sugerem que os EUA esperam uma retaliação iraniana, com os especialistas a estimar que a prontidão total das unidades militares norte-americanas na região poderá demorar mais uma semana.

 

 

No início deste mês, Donald Trump planeava uma acção militar contra o país dos aiatolás, mas acabou por recuar nessa intenção.

Enquanto o grupo de porta-aviões USS Abraham Lincoln se posiciona, apoiado por contratorpedeiros e caças, e mais tropas e armamento chegam à região, o mundo fica em suspenso sobre a natureza da operação que o Pentágono tem planeada.

Se se tratar de uma intervenção com tropas no terreno, destinada a mudar o regime iraniano, as implicações e as tensões globais que daí podem resultar são neste momento difíceis de equacionar, mas com certeza significativas.