A situação no estado do Minnesota em geral e em Minneapolis em particular é objectivamente de guerra civil. As polícias locais trabalham activamente contra as polícias federais, enquanto turbas de insurrectos criam o caos impunemente e o ICE já matou dois cidadãos americanos.
Contexto: o Minnesota alberga uma significativa comunidade somali que em grande parte reside no país ilegalmente e que, segundo dados recentes, defraudou os contribuintes americanos em biliões de dólares, através de organizações fraudulentas como centros de formação e cuidado infantil que recebiam fortunas do erário público e simplesmente não cumpriam qualquer tarefa para além de arrecadar o dinheiro. O ICE, a polícia federal de fronteiras, entrou por Minneapolis adentro com alguma agressividade, por vezes letal e injustificada, e tem enfrentado também turbas de extrema-esquerda dispostas a tudo para dificultar o seu trabalho, incluindo a violência armada. As autoridades locais não só se recusam a apoiar a polícia federal como apoiam claramente os amotinados. A situação é explosiva e de tal forma que Donald Trump se viu obrigado a ceder, afirmando na terça-feira que ia começar a retirar as forças federais do Estado renegado.
Acresce que o número de efectivos do ICE cresceu exponencialmente desde que Donald Trump foi eleito, mas o seu treino e preparação para estas situações de alta tensão, extremamente delicadas, não é de todo o adequado e isso tem sido óbvio não só no Minnesota, mas por quase todos os estados em que esta polícia federal tem operado, no último ano.
Tucker Carlson equaciona no monólogo em baixo os acontecimentos de uma forma bastante sensata: independentemente do que se possa pensar sobre o regime Trump e a missão do ICE, independentemente do que se possa pensar de Tim Walz, o governador do estado e ex-candidato a vice-presidente de Kamala Harris, a verdade é que o papel constitucional das autoridades estaduais não é o de combater as forças que procuram cumprir ordens executivas e mandatos legislativos do poder federal. É assim que começam a morrer pessoas. É assim que a federação se desintegra. É assim que a guerra civil começa.
E não deixa de ser esquizofrénico que os líderes políticos em Washington estejam focados no Irão e no Curdistão e na Síria e na Palestina e em Cuba e na Venezuela e na Colômbia, enquanto a situação doméstica é a que é.
Dá a sensação que a máquina de guerra americana continuará a cumprir o seu labor de cinzas por esse mundo fora, mesmo quando a federação já não for uma realidade política consistente. Mesmo quando o Pentágono já não tiver uma bandeira que o identifique e justifique.
Responsabilidades divididas.
O regime Trump tem um mandato eleitoral que legitima a deportação de imigrantes ilegais em grande escala e esse mandato implica a acção das várias polícias federais e essa acção não deve ser perturbada pelas autoridades locais. Isto é claro. Acresce que em certos casos, será muito difícil evitar a violência e a perturbação social e que, no processo, poderão ocorrer incidentes letais, até dada a natureza criminosa de alguns grupos de imigrantes ligados a gangues. E o esquema de fraudes bilionárias criado por somalis que residem no Minesotta ilegalmente, tirando partido da clara cumplicidade do governo estadual, é absolutamente escandaloso e até repugnante.
Ainda assim, é claro que o governo federal tem recursos não violentos ao seu dispor, que não estão de todo esgotados, para combater a imigração ilegal e a fraude. Por exemplo, o Departamento de Justiça ainda não conseguiu sequer levar os responsáveis pelo esquema somali a tribunal, e o FBI tem-se mostrado completamente inoperante, sendo que o escândalo da actividade bandida da comunidade somali foi descoberto e revelado por um Youtuber (!).
A acção do ICE tem constituído a frente de ataque à imigração ilegal nos EUA, quando se devia apresentar como um último recurso, depois de esgotados todos os meios de acção da máquina federal. Essa inversão operacional poderá sair cara ao regime Trump, num ano de eleições intercalares, não só porque já há vítimas mortais decorrentes dessa acção (e essas vítimas são cidadãos americanos e não imigrantes ilegais), mas também porque a Casa Branca se viu entretanto obrigada à retirada estratégica, para evitar males maiores, decisão que muitos conservadores consideram como uma rendição à esquerda e ao aparelho democrata, que parece – é preciso dizê-lo – estar a apostar tudo num movimento de insurreição contra a actual liderança federal, democraticamente eleita.
“He wouldn’t call it caving… but it looks like backing down.”@aronberg says Trump’s change in tone on Minnesota reflects a retreat from earlier hardline enforcement.
Which could have ripple effects beyond the state. pic.twitter.com/hmzmIhpwB3
— Timcast News (@TimcastNews) January 27, 2026
Neste contexto, o primeiro responsável pelo caos reside na autarquia de Minneapolis e no governo do Minnesota, que alimenta através da retórica e da cumplicidade operacional a insurreição e o caos que se vive nas ruas.
Tanto mais que no Texas, por exemplo, a número de deportações tem sido incomparavelmente maior, e o processo tem decorrido sem qualquer tipo de problemas graves, porque as acções federais têm sido orquestradas em cooperação com as autoridades locais.
Deputy AG Todd Blanche EXPOSED the truth:
They deport 10 TIMES more illegals in Texas than out of Minneapolis.
No chaos. No riots. No paid agitators. Barely any violence.
The difference? Fraudulent leadership in Minnesota ENCOURAGING lawlessness, rioting, and blocking federal… pic.twitter.com/XP5t2K6oyv
— Mark UltraMaga 1A 2A (@MarkUltramaga) January 25, 2026
Não há traição ao seu eleitorado que Trump não cumpra.
Até a Segunda Emenda, historicamente tão querida aos conservadores, está agora a ser posta em causa pelo regime Trump, depois da desastrada intervenção do ICE em Minnesota. Um regime republicano está a afirmar publicamente que o direito constitucional de posse de arma tem limites circunstanciais, o que é inédito na história dos EUA.
E se é evidente que há de facto agentes provocadores de extrema-esquerda que procuram a confrontação com o ICE e que estão armados, se recuarmos apenas uns anos, aos motins BLM do Verão de 2020, o jovem activista conservador Kyle Rittenhouse levou uma espingarda automática para uma situação de desordem pública muito idêntica àquelas que agora ocorrem diariamente em Minneapolis, matando duas pessoas, em Kenosha, no Wisconsin, e a direita norte-americana defendeu os seus actos com acérrimo fervor, sendo que Rittenhouse acabou até por ser ilibado das acusações de homicídio em segundo grau de que foi alvo, alegando legítima defesa.
A Casa Branca está agora a sacrificar a Segunda Emenda no altar da incompetência estratégica e táctica com que tem gerido a acção do ICE no Minnesota. Outro erro crasso que pode sair caro nas intercalares.
Suddenly pic.twitter.com/6j5nDGBIL4
— Silence Dogood (@sciencebamf) January 27, 2026
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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