Os Estados Unidos estão a enfrentar uma pressão significativa sobre a sua rede eléctrica, devido à crescente procura de centros de dados de inteligência artificial (IA). Estes centros, particularmente concentrados no norte da Virgínia, consomem enormes quantidades de electricidade, conduzindo a rede a uma potencial crise de abastecimento e promovendo a generalizada subida de preços.
A PJM, a maior operadora de rede eléctrica dos EUA, serve uma região de 13 estados, que se estende de Nova Jérsia a Illinois, fornecendo energia a aproximadamente 67 milhões de pessoas. No entanto, como as centrais eléctricas mais antigas estão a ser desactivadas mais rapidamente do que as novas podem ser construídas, a rede está a aproximar-se rapidamente dos seus limites de capacidade, especialmente durante períodos de elevada procura. Esta situação poderá forçar a PJM a implementar apagões rotativos durante condições meteorológicas extremas para proteger a infraestrutura da rede.
O ex-presidente da Comissão Federal de Regulamentação de Energia (FERC), Mark Christie, destacou a iminência da ameaça, afirmando:
“O risco para a fiabilidade está do outro lado da rua”.
A PJM prevê um aumento anual de 4,8% na procura de energia na próxima década, um contraste flagrante com os anos anteriores de crescimento estagnado.
O aumento das tarifas de electricidade irritou os consumidores, enquanto gigantes tecnológicos como a Amazon, a Alphabet (empresa-mãe da Google) e a Microsoft resistem a propostas que exigem que os seus centros de dados construam as suas próprias fontes de energia ou reduzam as operações durante os picos de procura. De referir que a Microsoft estabeleceu uma parceria com o fornecedor de energia Constellation Energy para reactivar o reactor nuclear de Three Mile Island, que será utilizado, em parte, para alimentar as suas operações de IA. No entanto, o problema da sobrecarga na infraestrutura física da rede eléctrica persiste.
Os esforços para resolver os desafios da rede estão paralisados devido a divergências entre os executivos da PJM, as empresas tecnológicas e os fornecedores de energia. Um organismo independente de monitorização do mercado de electricidade solicitou a intervenção federal, alertando que, sem infra-estruturas energéticas suficientes, a PJM poderá ter de racionar a distribuição de energia que poderá conduzir a apagões, em vez de garantir a fiabilidade do fornecimento.
O que não faz qualquer sentido é que os consumidores americanos estejam a pagar o preço do consumo energético de Silicon Valley, em dólares e em risco de apagões. Se o consumo gigantesco das corporações tecnológicas estão a aumentar os preços e a fragilizar a rede, terão essas empresas que assumir esses danos. Até porque o output das tecnologias de inteligência artificial continua praticamente nulo em benefícios significativos para a sociedade em geral.
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