A Belt and Road Initiative da China (BRI), a Rota da Seda que Pequim determinou para o Século XXI, registou um aumento de 75% nos novos contratos de investimento e construção em 2025, atingindo um recorde de 213,5 mil milhões de dólares, face aos 122,6 mil milhões de dólares do ano anterior, segundo um estudo conjunto da Universidade Griffith e do Centro de Finanças e Desenvolvimento Verde de Xangai. Pequim assinou 350 contratos no ano passado, em comparação com 293 em 2024.
O vertiginoso crescimento do programa ocorreu no contexto das tensões entre os EUA e a China sobre o comércio, a tecnologia e as cadeias de abastecimento, bem como as perturbações causadas pelas acções militares americanas que afectaram os mercados globais de energia. Pequim capitalizou sobre a percepção de declínio da influência global dos EUA para expandir o financiamento de projectos de desenvolvimento que visam o escoamento dos seus produtos industriais, minerais e energéticos e um aumento da influência global.
Os projectos energéticos lideraram o crescimento, atingindo 93,9 mil milhões de dólares — o valor mais elevado desde o lançamento da BRI — mais do dobro dos níveis de 2024. Isto incluiu 18 mil milhões de dólares em iniciativas de energia eólica, solar e de conversão de resíduos em energia, reflectindo o domínio da China em tecnologias “limpas”. Os megaprojectos de gás dominaram o cenário, juntamente com os investimentos em metais e mineração que atingiram um recorde de 32,6 mil milhões de dólares, focados principalmente no processamento de minerais no exterior para garantir recursos como o cobre, dada a crescente procura de centros de dados impulsionados pela inteligência artificial.
Exemplos importantes incluem um projecto de extracção de gás na República do Congo, liderado pela Southernpec, o Parque Industrial da Revolução do Gás de Ogidigben, na Nigéria, da China National Chemical Engineering, e uma fábrica petroquímica em Kalimantan do Norte, na Indonésia, resultante de uma parceria entre a Tongkun e a Xinfengming.
Assinalando uma maior confiança dos países em desenvolvimento nas empresas chinesas para lidar com projectos de maior escala, uma vez que estas empresas aumentaram a sua capacidade e procuram maiores oportunidades de expansão, Christoph Nedopil, autor do estudo e especialista em energia e finanças da China na Universidade de Griffith, observou:
“Os megaprojectos são algo que não tínhamos visto antes.”
Os contratos e investimentos acumulados pela Belt and Road Initiative desde o lançamento do programa em 2013, sob a presidência de Xi Jinping, atingiram no total quase 1,4 triliões de dólares, com 150 países parceiros. A iniciativa posicionou a China como o maior credor bilateral do mundo, ao mesmo tempo que aprofundou os laços económicos entre Pequim e os países em desenvolvimento.
A magnitude da iniciativa gerou preocupações quanto à sustentabilidade da dívida para os países beneficiários, a falta de transparência dos termos e as implicações estratégicas, incluindo o acesso limitado ao mercado recíproco e a potencial sobreposição de utilizações militares e civis nas infraestruturas.
Mas o certo é que a China está a estender a sua influência através da criação de riqueza e de infraestruturas, num modelo neocolonial que, mesmo merecedor de críticas e precauções e assente num regime ditatorial e draconiano, será sem dúvida preferível ao modelo imperialista norte-americano, baseado na máquina de guerra, na chantagem comercial das tarifas, nos especuladores de Wall Street, que servem apenas para enriquecer as elites, e nas tecnologias transhumanas de Silicon Valley, que criam prosperidade nenhuma enquanto consomem recursos a um ritmo alucinante.
Relacionados
7 Jul 26
Preços dos combustíveis disparam na Europa com o fim dos subsídios de emergência.
O fim simultâneo dos subsídios de emergência aos combustíveis a 30 de Junho, em quase toda a Europa, desencadeou uma onda coordenada de aumentos drásticos dos preços. Já em Portugal, não houve alterações: continuamos a ser roubados pelo Estado e pelas petrolíferas.
1 Jul 26
Donald Trump critica as petrolíferas por preços abusivos.
O presidente norte-americano apelou para que o preço da gasolina regresse aos 2,25 dólares e acusou as principais petrolíferas de praticarem preços abusivos. Mas a verdade é que este é um problema que ele próprio criou e o trânsito no Estreito de Ormuz está longe da normalidade.
30 Jun 26
Milagre económico da oligarquia WEF: Alemanha perdeu mais de 340.000 empregos industriais desde 2019.
O cenário para as indústrias metalúrgica e eléctrica alemãs está a tornar-se cada vez mais negro, com os empregadores a avisarem que o actual panorama não é apenas “dramático”: a Alemanha perdeu 300.000 empregos industriais desde 2019 e outros tantos perderá em breve.
24 Jun 26
Contribuintes alemães espremidos até ao tutano: Imigrantes custaram mais de 40 mil milhões de euros em 2025.
Os migrantes custaram aos contribuintes alemães — só a nível federal — 24,8 mil milhões de euros em 2025, de acordo com novos dados do “relatório de custos dos refugiados” do Ministério Federal das Finanças alemão. No entanto, o valor real é muito mais elevado.
18 Jun 26
Milagre económico do Regime Epstein: enquanto aumento de preços nos EUA atinge o nível mais elevado em três anos, Trump diz que “adora a inflação”.
A inflação nos Estados Unidos atingiu 4,5%, o seu nível mais elevado em três anos, impulsionada pelo aumento dos custos energéticos provocado pela guerra com o Irão. Mas Donald Trump diz que adora esse empobrecimento dos americanos.
5 Jun 26
Estrangeiros ocuparam 90% dos empregos nos EUA após a COVID-19.
Uma análise de dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho revela que os trabalhadores estrangeiros ocuparam a esmagadora maioria dos novos empregos nos EUA desde o início da pandemia COVID-19. E o trend não desacelerou com Donald Trump.








