O Governo de extrema-esquerda de Espanha prepara-se para aprovar um decreto que concede amnistia a cerca de 500 mil imigrantes ilegais, segundo a ministra da Migração, Elma Saiz. Em entrevista à estação pública RTVE, Saiz afirmou que os abrangidos pela medida poderiam trabalhar “em qualquer sector, em qualquer parte do país” e destacou o que chamou de “impacto positivo” da imigração.
A ministra acrescentou que a política visa “reconhecer e dignificar” as pessoas que já vivem em Espanha. A regularização aplicar-se-á aos imigrantes que residem no país há pelo menos cinco meses e que tenham solicitado protecção internacional antes de 31 de Dezembro de 2025, bem como aos seus filhos que já se encontrem em Espanha. A previsão é que as inscrições sejam abertas em Abril e se estendam até ao final de Junho.
O líder do partido populista espanhol VOX, Santiago Abascal, conhecido pelo seu ideário de oposição à imigração em massa, reagiu à amnistia concedida no X, afirmando:
“500 mil ilegais! O tirano Sánchez odeia o povo espanhol. Quer substituí-lo. Por isso, pretende promover o efeito de atracção por decreto, para acelerar a invasão. Precisamos de o deter. Repatriamentos, deportações e remigração.”
¡500.000 ilegales!
El tirano Sánchez odia al pueblo español. Quiere sustituirlo. Por eso pretende promover el efecto llamada por decreto, para acelerar la invasión.
Hay que detenerlo. Repatriaciones, deportaciones y remigración. https://t.co/emUBvUAybx
— Santiago Abascal 🇪🇸 (@Santi_ABASCAL) January 26, 2026
O governo planeia implementar a medida por decreto, passando por cima do parlamento, onde a coligação governamental liderada pelos socialistas não tem maioria. O primeiro-ministro Pedro Sánchez defende que a Espanha precisa de imigração em massa para colmatar a escassez de mão-de-obra e compensar as pressões do envelhecimento populacional, alertando, de forma claramente fraudulenta, que o declínio demográfico pode ameaçar as pensões e o Estado Social se não for combatido — embora seja muito discutível que as políticas de imigração europeias contribuem positivamente para os sistemas de segurança social.
Os dados oficiais sobre a criminalidade e os inquéritos do Observatório Demográfico CEU-CEFAS sugerem que os migrantes estão sobre-representados em certas categorias de crimes violentos, incluindo violação e homicídio, em comparação com os espanhóis nativos. Estas conclusões alimentaram críticas de figuras da oposição e comentadores que defendem que a regularização em grande escala poderia piorar a segurança pública e sobrecarregar os serviços sociais.
Não é por isso de estranhar que a notícia tenha caído como uma bomba em certos sectores da sociedade espanhola.
Aquí una demostración de que Pedro Sánchez no puede poner un pie fuera de La Moncloa.
Tenemos que derrotar el socialismo para siempre. pic.twitter.com/P2fNHy4blM
— Julio @𝕿𝖊𝖑𝖊𝖌𝖗𝖆𝖋𝖎𝖆01🇪🇦 🇮🇱 (@Telegrafia01) January 26, 2026
🔴 Esta maniobra de Sánchez es un atentado directo contra nuestra seguridad y detona un nuevo efecto llamada masivo. Regularizar a medio millón de inmigrantes ilegales es premiar la ilegalidad, un indulto a quienes violan nuestras normas de extranjería y un insulto a los que las… https://t.co/c8Ge7d92W6 pic.twitter.com/VZ1EyVzcK7
— Rubén Pulido (@rubnpulido) January 26, 2026
Por toda a Europa, a política migratória continua a ser profundamente controversa. As instituições da União Europeia (UE) têm promovido simultaneamente as chamadas vias legais para migrantes, incluindo plataformas online criadas para atrair trabalhadores de fora da UE e colmatar a escassez de mão-de-obra, enquanto muitos Estados-membros têm reforçado os controlos nacionais em resposta à reacção negativa da população.
Devido ao Espaço Schengen, que não tem fronteiras, os migrantes regularizados por um Estado-Membro tendem a ter fácil acesso a todos os outros, estendendo as consequências da decisão de Espanha muito para além das suas fronteiras.
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