As companhias aéreas irão beneficiar financeiramente com a massificação dos novos medicamentos para a perda de peso, que vão aligeirar a carga humana nos aviões, uma vez que os custos com combustível estão directamente ligados ao peso das aeronaves.

A Jefferies Research Services — uma empresa global de investigação, estratégia macroeconómica e análise de acções que aconselha grandes investidores — analisou recentemente a poupança potencial e descobriu que passageiros mais magros podem reduzir o consumo de combustível e aumentar os lucros das companhias aéreas.

A análise observa que uma redução de 10% no peso médio dos passageiros poderia diminuir o peso total da carga em 2%, resultando numa redução de 1,5% nos custos de combustível e num aumento de 4% nos lucros por acção. Para as quatro maiores companhias aéreas dos EUA — American, Delta, Southwest e United — isto poderá significar uma poupança anual de 580 milhões de dólares em combustível.

Utilizando um Boeing 737 Max 8 como exemplo, a Jefferies Research calculou que uma base de passageiros 10% mais leve reduziria o peso à descolagem da aeronave de 82.200 kg para 80.700 kg. Esta redução de peso traduz-se em poupanças significativas, uma vez que as companhias aéreas gastam anualmente milhares de milhões em combustível, e os lucros dependem frequentemente de margens de lucro muito apertadas.

As companhias aéreas têm um longo historial de procura de métodos inovadores para reduzir o peso das aeronaves e poupar combustível, reduzindo os custos ao máximo. Embora possam controlar muitos aspectos da redução de peso, a forma física dos passageiros sempre esteve fora do seu controlo.

A análise surge numa altura em que os medicamentos para a perda de peso, como o Ozempic e o Wegovy, se tornaram acessíveis e ganham popularidade.

Mas é muito improvável que a poupança resultante na operação da aviação comercial faça descer os preços das viagens aéreas, mesmo quando são os passageiros a contribuir directamente para os ganhos.