O Presidente norte-americano está a intensificar hostilidades em todas as frentes e anunciou que vai apoiar uma iniciativa legislativa do Congresso que lhe permitiria impor tarifas sem precedentes, semelhantes a sanções, aos produtos exportados para os EUA por países como a China, a Índia e o Brasil, por comprarem petróleo russo.
O senador norte-americano Lindsey Graham (republicano da Carolina do Sul), que parece cada vez mais influente nas decisões de política externa da Casa Branca, anunciou na quarta-feira a iniciativa bipartidária, que inclui tarifas de até 500% sobre os compradores de petróleo bruto e urânio russos.
A legislação visa aumentar drasticamente a pressão sobre as nações que continuam a negociar com a Rússia, apesar das sanções americanas já existentes. A Índia, em particular, aumentou as suas importações de petróleo russo com desconto desde o início da guerra na Ucrânia. De acordo com dados do governo indiano, as importações de petróleo russo representaram mais de 35% do total das importações de petróleo do país em Novembro passado, marcando o índice mais elevado em seis meses.
O insuportável senador Graham afirmou a este propósito:
“Este projecto-lei permitirá ao presidente Trump castigar os países que compram petróleo russo barato, alimentando a máquina de guerra de Putin.”
O projecto-lei, que se refere às medidas como “sanções secundárias”, está em desenvolvimento há meses, enquanto a administração Trump continua a pressionar por um acordo de paz na Ucrânia. Como se um país que sanciona uma das partes do conflito enquanto apoia financeira e militarmente a outra pudesse alguma vez ser um mediador de paz credível.
Entretanto, no passado domingo, o presidente Trump avisou a Índia de que poderão ser impostas tarifas comerciais mais elevadas caso o país não reduza as suas importações de petróleo russo., afirmando:
“Podemos aumentar as tarifas sobre a Índia se não ajudarem na questão do petróleo russo.”
Espera-se que a legislação seja votada já na próxima semana, com o senador Graham a manifestar optimismo quanto a uma “votação bipartidária expressiva”.
A eficácia destas medidas é porém discutível, já que dificilmente os chineses, por exemplo, irão ceder à chantagem. O que não tem discussão é isto: o impacto no bolso dos consumidores americanos, que na verdade são aqueles que realmente pagam as tarifas que Trump tem decretado, será por certo substancial.
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