Na semana passada, o Contra documentou que Keir Starmer estava a ponderar enviar tropas britânicas para a Gronelândia, de forma a defender a soberania dinamarquesa contra a ambição de Trump.

Agora começamos a perceber a força formidável que o primeiro-ministro do Reino Unido estava a reunir, já que o seu Secretário da Defesa, John Healy, anunciou que as Forças Armadas britânicas vão enviar um único militar para a ilha gelada, como parte de um alegado “grupo de reconhecimento”, isto enquanto o Presidente norte-americano Donald J. Trump continua a insistir que o território deve ficar sob o controlo dos Estados Unidos, declarando a 9 de Janeiro que a América tomará a Gronelândia “quer a Dinamarca queira, quer ou não.”

Healy, numa conferência de imprensa de 14 de Janeiro, afirmou:

“Há um oficial militar do Reino Unido que faz parte deste grupo de reconhecimento. Trata-se de um grupo de reconhecimento para um exercício de resistência planeado no Ártico, liderado pela Força Expedicionária Conjunta (JEF). Partilhamos as preocupações do Presidente Trump sobre a segurança no Alto Norte, e isso faz parte da actuação das nações da NATO e da JEF.”

Na verdade, não é de admirar que as forças armadas britânicas tenham encontrado apenas um infeliz para enviar para a Gronelândia: afinal, o seu exército já não era tão diminuto em efectivos desde 1820…

 

 

Os dinamarqueses e os gronelandeses que estiverem à espera que os países europeus os salvem da anexação americana, vão ter um desgosto grande.

A Alemanha anunciou também o envio de uma força magnificente, de 13 soldados, para a Gronelândia. A Finlândia enviou dois oficiais. Ao todo, a Europa colocou pouco mais de três dezenas de militares no território. Um força de dissuasão absolutamente assustadora.

 

 

Os responsáveis ​​da administração Trump indicaram entretanto que poderão implementar acções a curto prazo em relação à Gronelândia, com o chefe da política para o Atlântico Norte da Casa Branca, Thomas Dans, a sugerir desenvolvimentos em “semanas ou meses”. A hipótese de uma resolução diplomática continua em cima da mesa, e no fim da semana passada o ministro dos negócios estrangeiros dinamarquês esteve envolvido em conversações com a administração americana, para concluir apenas que os dois lados “concordavam em discordar”.

A importância estratégica da Gronelândia foi sublinhada pelas mudanças no planeamento da defesa dos EUA. Em meados de 2025, o Pentágono transferiu a responsabilidade pela defesa da Gronelândia do Comando Europeu para o Comando Norte, alinhando a supervisão do território com o o sector do Pentágono que se concentra na defesa interna.

A Gronelândia, um território dinamarquês semi-autónomo, possui um valor geopolítico significativo devido à sua localização entre a América do Norte e a Europa, através do Atlântico, e entre a América do Norte e a Rússia, através do Ártico. É também rica em minerais de terras raras e reservas de água doce, mas os dinamarqueses pouco fizeram para a desenvolver ao longo de vários séculos, e a grande maioria da sua pequena população é composta por indígenas inuit.

Seja como for, e como já afirmámos anteriormente, a justificação de que os EUA necessitam da Gronelândia por razões de segurança é discutível. Os americanos poderiam, como país patrão da NATO, reforçar a presença da aliança atlântica no território, sem que a anexação fosse sequer um assunto. Esta é mais uma demonstração de ‘posso quero e mando’ da Casa Branca do que outra coisa qualquer, para além de um favor que Donald Trump fará aos seus amigos do clube sionista-globalista-transhumanista.