Na semana passada, o Contra documentou que Keir Starmer estava a ponderar enviar tropas britânicas para a Gronelândia, de forma a defender a soberania dinamarquesa contra a ambição de Trump.
Agora começamos a perceber a força formidável que o primeiro-ministro do Reino Unido estava a reunir, já que o seu Secretário da Defesa, John Healy, anunciou que as Forças Armadas britânicas vão enviar um único militar para a ilha gelada, como parte de um alegado “grupo de reconhecimento”, isto enquanto o Presidente norte-americano Donald J. Trump continua a insistir que o território deve ficar sob o controlo dos Estados Unidos, declarando a 9 de Janeiro que a América tomará a Gronelândia “quer a Dinamarca queira, quer ou não.”
Healy, numa conferência de imprensa de 14 de Janeiro, afirmou:
“Há um oficial militar do Reino Unido que faz parte deste grupo de reconhecimento. Trata-se de um grupo de reconhecimento para um exercício de resistência planeado no Ártico, liderado pela Força Expedicionária Conjunta (JEF). Partilhamos as preocupações do Presidente Trump sobre a segurança no Alto Norte, e isso faz parte da actuação das nações da NATO e da JEF.”
Na verdade, não é de admirar que as forças armadas britânicas tenham encontrado apenas um infeliz para enviar para a Gronelândia: afinal, o seu exército já não era tão diminuto em efectivos desde 1820…
JUST IN – UK veterans aged 65 told to prepare for war, as MoD set to increase the age for calling upon the strategic reserve from 55 to 65, with the UK Army shrinking to its smallest size in more than 200 years — Telegraph pic.twitter.com/k7GQWwyJC8
— Disclose.tv (@disclosetv) January 15, 2026
Os dinamarqueses e os gronelandeses que estiverem à espera que os países europeus os salvem da anexação americana, vão ter um desgosto grande.
A Alemanha anunciou também o envio de uma força magnificente, de 13 soldados, para a Gronelândia. A Finlândia enviou dois oficiais. Ao todo, a Europa colocou pouco mais de três dezenas de militares no território. Um força de dissuasão absolutamente assustadora.
Finland to send 2 military officers to Greenland. pic.twitter.com/6A5nBOZI8Q
— Globe Eye News (@GlobeEyeNews) January 15, 2026
🇺🇸🇬🇱 After Trump said he wanted Greenland to become part of the U.S., Europe sent 34 troops there.
Thirty-four.
Now the U.S. Army will definitely take them seriously…
Source: BBC, AP pic.twitter.com/yeSSIb9Da4
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) January 15, 2026
Os responsáveis da administração Trump indicaram entretanto que poderão implementar acções a curto prazo em relação à Gronelândia, com o chefe da política para o Atlântico Norte da Casa Branca, Thomas Dans, a sugerir desenvolvimentos em “semanas ou meses”. A hipótese de uma resolução diplomática continua em cima da mesa, e no fim da semana passada o ministro dos negócios estrangeiros dinamarquês esteve envolvido em conversações com a administração americana, para concluir apenas que os dois lados “concordavam em discordar”.
A importância estratégica da Gronelândia foi sublinhada pelas mudanças no planeamento da defesa dos EUA. Em meados de 2025, o Pentágono transferiu a responsabilidade pela defesa da Gronelândia do Comando Europeu para o Comando Norte, alinhando a supervisão do território com o o sector do Pentágono que se concentra na defesa interna.
A Gronelândia, um território dinamarquês semi-autónomo, possui um valor geopolítico significativo devido à sua localização entre a América do Norte e a Europa, através do Atlântico, e entre a América do Norte e a Rússia, através do Ártico. É também rica em minerais de terras raras e reservas de água doce, mas os dinamarqueses pouco fizeram para a desenvolver ao longo de vários séculos, e a grande maioria da sua pequena população é composta por indígenas inuit.
Seja como for, e como já afirmámos anteriormente, a justificação de que os EUA necessitam da Gronelândia por razões de segurança é discutível. Os americanos poderiam, como país patrão da NATO, reforçar a presença da aliança atlântica no território, sem que a anexação fosse sequer um assunto. Esta é mais uma demonstração de ‘posso quero e mando’ da Casa Branca do que outra coisa qualquer, para além de um favor que Donald Trump fará aos seus amigos do clube sionista-globalista-transhumanista.
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