As elites globalistas-leninistas têm uma estratégia clara e altamente efectiva para se cristalizarem no poder, mesmo em contextos constitucionais que formalmente dependem do voto universal: usurparem e vampirizarem os mandatos eleitorais populistas, infiltrando nos movimentos políticos anti-sistema agentes do estabelecimento, ou moldando paulatinamente os líderes destes movimentos às exigências da sua agenda totalitária.
O exemplo óbvio de um líder populista que na a prática do exercício do poder cumpre com a cartilha globalista é Donald Trump. Mas como o Contra documenta quotidianamente essa deriva, nem vale a pena carregar nessa tecla, porque este texto está a ser escrito para abordar os casos britânico e português.
No Reino-Unido, os dois partidos do arco do poder estão neste momento a enfrentar a extinção. O governo de Starmer tem 11% de aprovação entre os eleitores e os conservadores não apresentam melhores resultados.
Cansados do unipartido, elitista até ao vómito e alienado da realidade das massas nativas, que reina em Westminster, os eleitores encontraram no Reform UK de Nigel Farage uma natural e adequada resposta ao descalabro que testemunham no seu país. O líder do Brexit e, antes disso, o eurodeputado que se mostrou um radical inimigo do sistema globalista, com tiradas virais no Parlamento Europeu e uma atitude notavelmente filibusteira, deixou entre os britânicos a impressão de ser um sério renegado, pronto a lutar pelos seus interesses, preocupações e aspirações.
Acontece que, com o tempo e à medida que subia nas sondagens, o perfil de Nigel Farage foi convergindo cada vez mais com a agenda do sistema e até contra as grandes questões que o levaram a criar o Reform. Actualmente, Farage, que será em princípio, e se entretanto não acontecer um cisne negro como a III Guerra Mundial, o próximo primeiro-ministro britânico, apresenta-se agora como um russofóbico primário (pró-guerra), um defensor da imigração (legal) e um opositor de políticas de deportação (de ilegais), manifestando convicções pró-sionistas (defensor do genocídio em Gaza) e até pró-woke. Todos estes pontos de vista estão documentados neste artigo que o Contra publicou em Agosto de 2025.
Nos últimos meses, Farage está inclusivamente a permitir o trânsito dos mais sinistros e comprometidos globalistas do Partido Conservador para o Reform UK, transformando o partido num Tory 2.0, de forma a que nas legislativas de 2028 ou 2029 alguma coisa mude para que tudo fique na mesma.
Neste post, o cartoonista e activista Bob Moran destaca a inclusão no Reform UK de Nadhim Zahawi, um iraquiano naturalizado britânico que conseguiu ser ministro sucessivamente nos governos globalistas de Boris Johnson, Theresa May, Liz Truss, e Rishi Sunak. É difícil encontrar um guardião do sistema tão empenhado e corrupto como Zahawi, mas ainda assim:
Wow what a shot in the arm.
A stroke of genius.
Killer move.Apparently Britain needs Reform in the same way that your children need life-threatening heart conditions. https://t.co/PYvGBP5QKb
— Bob Moran (@bobscartoons) January 12, 2026
Este é um dos truques das elites para impedir a representação no contexto constitucional: usurpar o populismo de forma a que os eleitores não tenham qualquer hipótese de votar em favor dos seus interesses e aspirações.
O Reform UK é uma fraude monumental e os bifes estão completamente condenados a mais do mesmo. Vão continuar a ser substituídos loucamente. Vão continuar a ser humilhados e censurados e doutrinados e fascizados e taxados e empobrecidos a um ritmo alucinante. E com um bocadinho só de azar (não é preciso muito porque a via rápida está a ser bem montada), vão ser conduzidos para as trincheiras da III guerra mundial em doses industriais.
O mesmo está a acontecer em Portugal, com o Chega, que respeita uma regra fundamental das democracias no Ocidente: quanto mais votos tem um partido populista, menos populista é.
Os slogans da campanha presidencial de André Ventura são agora “os imigrantes não podem viver de subsídios” e “os ciganos têm que pagar impostos”, ou seja: já não é a imigração que é posta em causa, mas a subsidiação e taxação dos imigrantes. Subliminarmente, percebemos que já não é a entrada abismal de imigrantes que incomoda a sensibilidade política do líder dito populista, mas que quadro fiscal e social é que lhes é adequado.
Quando e se alguma vez chegar ao poder executivo, Ventura terá como prioridade a “integração” dos imigrantes (e já não a sua evasão fiscal ou dependência da segurança social), e, acto contínuo, irá começar a hostilizar e classificar como extremistas aqueles que o lembrarem de que chegou onde chegou porque se opunha à substituição demográfica, ponto final.
A estratégia é tão simples como batoteira: Mudar a posição da baliza, para impossibilitar as massas de marcarem golos.
Seria bom que os portugueses percebessem o esquema. E deixassem de ser tão facilmente ludibriados.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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