“Where Martin assumes that might makes right, Tolkien’s belief is the direct inverse: right makes might.”
Carl Benjamin contrapõe, no interessantíssimo ensaio que publicamos no fim deste texto, o realismo cínico e destrutivo da Guerra dos Tronos ao idealismo moralmente construtivo do Senhor dos Anéis.
Enquanto George R.R. Martin está interessado em levar ao zero absoluto a figura do herói, e relativizar os valores morais, baseado numa visão estrita da condição humana em que a a lei do mais forte é a moral da história (com letra pequena), porque essa é a moral da História (com letra grande); J.R.R. Tolkien trabalhou em favor da transcendência sobre essa realidade histórica, considerando – e bem – que é o mito, estruturado entre o bem e o mal como conceitos absolutos e não relativos, que conduz, consagra, completa e redime o ser humano.
Na Guerra dos Tronos, vence a violência. No Senhor dos Anéis, triunfa a virtude. E num cosmos que por definição nos violenta, será recomendável ter como referência a obra que nos alimenta os melhores instintos, não os piores.
Porque o verdadeiro e último poder reside na força moral, e não na força bruta.
Ou seja: a melhor forma de combater o mal que reside no mundo e em nós mesmos, não é resignarmo-nos à sua manifestação, como faz Martin. É arquitectarmos o seu revés, como fez Tolkien.
Como boomer liberal que é, Martin não consegue sobreviver à sua desilusão com a morte do (equívoco) sonho neomarxista de John Lennon, de uma sociedade igualitária, sem guerra nem Deus (uma contradição em termos) nem… livre arbítrio. Escapa a Martin que um mundo assim utópico seria necessariamente distópico, mas é carregado desse traumático pessimismo que traumatiza as suas audiências com “casamentos vermelhos”, onde decapita os personagens mais queridos dos seus leitores, numa espécie de festim sádico, afinal um exercício de vingança sobre a falência das suas próprias convicções ideológicas.
O malicioso inquérito, apenas aparentemente esperto, a que o autor da Guerra dos Tronos gosta de submeter Tolkien – “Qual era a política fiscal de Aragorn?” – é uma pobre tentativa de desmistificar o universo do Senhor dos Anéis, arrastando uma obra de carácter mitológico para um materialismo espúrio, que o seu autor por certo nunca desejou. A política fiscal de Aragorn é tão importante para o Senhor dos Anéis como a identidade de género para a Ilíada.
E tudo isto talvez explique porque é que Martin não consegue terminar a sua obra: ou a fecha num ciclo luciferino de destruição, que não traz consolo aos seus leitores nem redenção ao universo que criou, ou admite, contrariando a sua filosofia de cinzas, que Tolkien estava certo e faz de Jon Snow um novo Eddard Stark, para levantar um reino virtuoso em Westeros.
Mas disso, de um sinal de esperança, de um vestígio de consideração pela humanidade, o autor das Crónicas de Gelo e Fogo é absolutamente incapaz.
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