O resultado do esforço conjunto da CIA e da Mossad no Irão é, para já, de cerca de 2.000 mortos, entre forças de segurança e a oposição amotinada, que está a ser instrumentalizada no contexto de uma operação de mudança de regime de largo espectro, implementada por Washington e Telavive, e em que a sublevação popular é um dos vectores estratégicos.

O regime iraniano reconheceu pela primeira vez este número de mortos, durante mais de duas semanas de protestos e contra-protestos em todo o país. Porque, ao contrário da narrativa que está a ser vendida pela imprensa corporativa e pela imprensa que já foi independente e que agora é mais uma máquina de propaganda, têm ocorrido nos últimos dias no país gigantescas manifestações de apoio ao regime dos aitolás.

 

 

A ‘Embaixada Virtual’ dos EUA em Teerão instruiu os americanos, em termos inequívocos, a “deixarem o Irão agora”, sublinhando que

“os cidadãos americanos devem esperar interrupções contínuas na internet, planear meios alternativos de comunicação e, se for seguro fazê-lo, considerar deixar o Irão por terra rumo à Arménia ou à Turquia”.

O César da federação americana, Donald J. Trump, que aproveitou também para espalhar a sua quota parte de desinformação, afirmando que o líder iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, podia estar a planear fugir do país, impôs uma tarifa de 25% sobre os países que ainda negoceiam com o Irão. Estará também a considerar ataques militares contra o regime, tendo anteriormente avisado que tomaria medidas caso o governo começasse a matar manifestantes.

Primeiro a CIA cria instabilidade e promove motins por todo o país. Depois, o regime reage. A seguir a Casa Branca sanciona e bombardeia. No fim, o Irão mergulhará num caos infernal. E tudo, a mando de Netanyahu.

 

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que a República Islâmica está “preparada para qualquer acção”, mas disposta a dialogar. As organizações de defesa dos direitos humanos reportaram milhares de detenções, estimando o grupo HRANA mais de 10.700 manifestantes presos. As imagens dos motins mostram intensos confrontos nas ruas, carros incendiados e estruturas danificadas.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, alvitrou que a liderança iraniana está a enfrentar os seus “últimos dias”. A União Europeia está a avaliar sanções adicionais contra figuras iranianas envolvidas na repressão dos motins. O bloco já tinha imposto medidas contra mais de 230 pessoas e organizações, incluindo elementos da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Mas em nome de que valores e de que ameaças é que o Ocidente está empenhado nesta perigosa manobra? Em que é que o regime iraniano, por draconiano e repressivo que seja, incomoda os cidadãos alemães ou americanos, ou portugueses ou eslovenos?

E porque é que os persas e os afegãos e os iraquianos e os sírios e os líbios e os somalis são um alvo a abater quando estão nos seus países, mas passam a santos intocáveis logo que transitam para a Europa ou para os Estados Unidos?

Não se percebe. Porque não é para perceber. É para destruir. A lógica globalista das elites políticas ocidentais é sempre a da destruição.