Num exercício fantasista que lhe é característico, o primeiro-ministro Keir Starmer está a considerar a possibilidade de enviar tropas britânicas para a Gronelândia, na sequência das recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possibilidade de assumir o controlo do território dinamarquês.

 

 

As deliberações do primeiro-ministro acontecem logo após este se ter comprometido a enviar tropas para a Ucrânia para garantir um possível cessar-fogo, o que gerou preocupação entre os militares britânicos de alta patente, conhecedores da limitada capacidade das Forças Armadas britânicas para desempenhar as tarefas épicas que estão a ser consideradas pelo governo trabalhista.

De facto, Starmer tem em comum com Macron a megalomania militar, fingindo ou convencendo-se realmente, que o Reino Unido tem uma qualquer hipótese de dissuadir norte-americanos e russos em dois pontos bem distintos da geografia planetária. É claro que não tem. Dois exemplos dessa fragilidade:

Em 2024, a Marinha Real foi incapaz de destacar qualquer um dos seus porta-aviões para ajudar a operação anglo-americana contra os Houthis no Iémen, devido a escassez de efectivos.

Também em 2024, um relatório da comissão de defesa da Câmara dos Comuns revelou que as forças armadas britânicas têm em arsenal munições para apenas dois meses, em caso de conflito com um adversário de poderio semelhante.

A secretária dos Transportes britânica, Heidi Alexander, caracterizou as conversações sobre a Gronelândia como centradas na protecção do Atlântico Norte pela NATO contra as ameaças da Rússia e da China, descrevendo-as como “rotina”. No entanto, a notícia surge pouco depois de Starmer se ter juntado a outros líderes na assinatura de uma carta em que afirmavam que iriam defender a soberania da Dinamarca na Gronelândia, contra os EUA.

Oficiais militares de alta patente, na reserva, expressaram sérias preocupações sobre a prontidão da defesa britânica, citando anos de cortes orçamentais e distrações woke, que foram agravados pelo envio de material e munições cruciais para a Ucrânia, sublinhando também outras carências, incluindo a falta de munições, a disponibilidade deveras restrita dos submarinos da Marinha Real e a insuficiência de pilotos na RAF — provavelmente agravada pelas políticas de recrutamento anti-brancos —, entre outros problemas.

 

Mas Starmer não alucina sozinho.

Entretanto, na Dinamarca, em França e na Alemanha, o histerismo e a alucinação colectiva das elites está atingir um ponto rebuçado.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que certa vez, a propósito de um eventual acordo que levasse ao fim da guerra na Ucrânia, anunciou ao mundo que não há nada mais ameaçador do que a paz, está agora a saborear o prenúncio da sua filosofia, e já em pânico tem insistido em convidar os países europeus a instalarem os seus exércitos na Gronelândia, de forma a protegerem o território da eventual agressão norte-americana:

 

 

Em França, há generais que falam em guerra contra os EUA, como se a guerra que querem fazer à Rússia não fosse já um ataque grave de mais olhos que barriga.

 

 

E o partido de extrema-esquerda La France Insoumise fez circular na Assembleia Nacional o rascunho de uma resolução que iniciaria o processo de saída da França da Aliança Atlântica.

 

 

Quanto a Macron, que gosta de usar o alarmismo como forma de protagonismo, advertiu que Donald Trump não quer anexar apenas a Gronelândia, mas também o Canadá. Até pode estar carregado de razão, mas o que é que pode o Anão Napoleão fazer quanto a isso? E os franceses, estarão assim tão preocupados com o assunto?

 

 

Por seu lado, Friedrich Merz, grão-mestre do discurso elíptico, parece apelar a que os Estados Unidos e a NATO protejam a Gronelândia dos Estados Unidos e da NATO.

 

 

A NATO, porém, tem estado deveras silenciosa sobre este assunto. Pudera: estatutariamente, a aliança é obrigada a defender a integridade territorial dos estados membros. Mas neste caso, quem deseja ofender a integridade territorial da Dinamarca é o Estado-patrão.

A situação, como é bom de ver, não deixa de ser divertida.