Num exercício fantasista que lhe é característico, o primeiro-ministro Keir Starmer está a considerar a possibilidade de enviar tropas britânicas para a Gronelândia, na sequência das recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possibilidade de assumir o controlo do território dinamarquês.
🚨🇬🇧 STARMER CONSIDERS UK TROOP DEPLOYMENT OVER GREENLAND
Keir Starmer is reportedly considering deploying British troops to the Arctic in response to tensions over Greenland.
🔴 UK military involvement being discussed
🔴 Aligning with European positions against the US
🔴 No… pic.twitter.com/R3hwBuvHLb— British Intel (@TheBritishIntel) January 11, 2026
As deliberações do primeiro-ministro acontecem logo após este se ter comprometido a enviar tropas para a Ucrânia para garantir um possível cessar-fogo, o que gerou preocupação entre os militares britânicos de alta patente, conhecedores da limitada capacidade das Forças Armadas britânicas para desempenhar as tarefas épicas que estão a ser consideradas pelo governo trabalhista.
De facto, Starmer tem em comum com Macron a megalomania militar, fingindo ou convencendo-se realmente, que o Reino Unido tem uma qualquer hipótese de dissuadir norte-americanos e russos em dois pontos bem distintos da geografia planetária. É claro que não tem. Dois exemplos dessa fragilidade:
Em 2024, a Marinha Real foi incapaz de destacar qualquer um dos seus porta-aviões para ajudar a operação anglo-americana contra os Houthis no Iémen, devido a escassez de efectivos.
Também em 2024, um relatório da comissão de defesa da Câmara dos Comuns revelou que as forças armadas britânicas têm em arsenal munições para apenas dois meses, em caso de conflito com um adversário de poderio semelhante.
A secretária dos Transportes britânica, Heidi Alexander, caracterizou as conversações sobre a Gronelândia como centradas na protecção do Atlântico Norte pela NATO contra as ameaças da Rússia e da China, descrevendo-as como “rotina”. No entanto, a notícia surge pouco depois de Starmer se ter juntado a outros líderes na assinatura de uma carta em que afirmavam que iriam defender a soberania da Dinamarca na Gronelândia, contra os EUA.
Oficiais militares de alta patente, na reserva, expressaram sérias preocupações sobre a prontidão da defesa britânica, citando anos de cortes orçamentais e distrações woke, que foram agravados pelo envio de material e munições cruciais para a Ucrânia, sublinhando também outras carências, incluindo a falta de munições, a disponibilidade deveras restrita dos submarinos da Marinha Real e a insuficiência de pilotos na RAF — provavelmente agravada pelas políticas de recrutamento anti-brancos —, entre outros problemas.
Mas Starmer não alucina sozinho.
Entretanto, na Dinamarca, em França e na Alemanha, o histerismo e a alucinação colectiva das elites está atingir um ponto rebuçado.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que certa vez, a propósito de um eventual acordo que levasse ao fim da guerra na Ucrânia, anunciou ao mundo que não há nada mais ameaçador do que a paz, está agora a saborear o prenúncio da sua filosofia, e já em pânico tem insistido em convidar os países europeus a instalarem os seus exércitos na Gronelândia, de forma a protegerem o território da eventual agressão norte-americana:
🚨 JUST IN: In a jaw-dropping escalation, Denmark is urging EU troop deployments to Greenland to counter U.S. President Trump’s annexation plan. Britain, Germany, and France are reportedly in talks to deploy joint military forces to Greenland as a deterrent. pic.twitter.com/Rt3g1bQYHm
— WORLD NEWS (@_MAGA_NEWS_) January 11, 2026
Em França, há generais que falam em guerra contra os EUA, como se a guerra que querem fazer à Rússia não fosse já um ataque grave de mais olhos que barriga.
🚨 UPDATE: In a jaw-dropping warning, French Army General Nicolas Richoux cautioned America by declaring, “Greenland is the red line. If the US invades, they stop being systemic adversaries — they become enemies. If the US attacks Greenland, we must fight the Americans.” pic.twitter.com/1xDUSGa92S
— WORLD NEWS (@_MAGA_NEWS_) January 11, 2026
E o partido de extrema-esquerda La France Insoumise fez circular na Assembleia Nacional o rascunho de uma resolução que iniciaria o processo de saída da França da Aliança Atlântica.
BREAKING: 🇫🇷
A draft resolution has been submitted to France’s National Assembly to begin the process of withdrawing from NATO, signaling a potential major shift in the country’s defense policy. pic.twitter.com/XhQcTrExs6
— Globe Observer (@_GlobeObserver) January 12, 2026
Quanto a Macron, que gosta de usar o alarmismo como forma de protagonismo, advertiu que Donald Trump não quer anexar apenas a Gronelândia, mas também o Canadá. Até pode estar carregado de razão, mas o que é que pode o Anão Napoleão fazer quanto a isso? E os franceses, estarão assim tão preocupados com o assunto?
Carney met with French President Emmanuel Macron.
Now Macron is telling his own people to bee scared of Trump as Canada might become the 51st state… and Greenland will be invaded.
pic.twitter.com/YPB33ozcUs— TheRealMrBench (@therealmrbench) January 9, 2026
Por seu lado, Friedrich Merz, grão-mestre do discurso elíptico, parece apelar a que os Estados Unidos e a NATO protejam a Gronelândia dos Estados Unidos e da NATO.
Merz wants the US to protect Greenland from the US. You honestly cannot make this shit up. pic.twitter.com/ViWu431hy7
— Thomas Fazi (@battleforeurope) January 12, 2026
A NATO, porém, tem estado deveras silenciosa sobre este assunto. Pudera: estatutariamente, a aliança é obrigada a defender a integridade territorial dos estados membros. Mas neste caso, quem deseja ofender a integridade territorial da Dinamarca é o Estado-patrão.
A situação, como é bom de ver, não deixa de ser divertida.
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