Estamos a caminhar definitivamente para mais uma grande guerra. E os povos no Ocidente não vão poder dizer que não foram avisados. Que foram apanhados de surpresa. Que não sabiam que o apocalipse ia acontecer. Que foram enganados ou iludidos. Muito pelo contrário. Neste momento ninguém esconde que a guerra é o objectivo último e que, para muitos dos líderes ocidentais, será até desejável.

A Rússia está claramente a ser provocada e arrastada para um conflito com o Ocidente que vai acabar por ser obrigada a aceitar. As cúpulas civis e militares da NATO, os generais e os directores dos serviços secretos dos países membros e a maior parte dos seus chefes de estado estão constantemente a anunciar a circunstância como uma inevitabilidade.

Na Casa Branca, reina a hubris neocon, e a estratégia é agora clara como uma manhã azul de Janeiro: impor o domínio imperial americano ou morrer no processo.

Sim, o impensável vai acontecer, quer queiramos quer não, se as populações na Europa e nos EUA não se revoltarem contra esse desígnio, o que, como parece mais que certo, não vai acontecer.

As massas ou estão entretidas a guerrear entre si, por motivos de baixa política, ou entretidas com o futebol, ou entretidas a pensar como é que vão pagar o crédito à habitação do mês que vem.

Daqui a nada têm os filhos a morrer aos milhões nas trincheiras de uma guerra sem valores nem justificação, para além da fome de poder das elites. Daqui a nada morremos todos, pais e filhos, quando os botões do extermínio nuclear começarem a ser pressionados.

Mas ninguém parece muito preocupado com isso, apesar disso ser mais que certo.

E o que Tucker Carlson diz que não é dito por mais ningué, neste  curto e grosso clip de 30 segundos, é que os EUA, para sobreviverem à inevitável III Guerra Mundial, teriam que ter a Rússia do seu lado da barricada.

Ele sabe, e o Contra tem advertido sobre esse facto repetidamente, que uma aliança entre Pequim e Moscovo seria excessivamente poderosa para ser enfrentada pelo Pentágono, considerando que os aliados que restavam aos EUA – a Europa, o Canadá, o Japão e a Austrália, basicamente – não seriam sequer significativos num confronto global.

 

 

Mas, também neste caso, é certo e sabido que ninguém o vai ouvir.

As massas foram transformadas em mortos-vivos. Já nem contam para o totobola.

As elites pensam que são divinas e imortais. Têm bunkers cheios de armas, dólares, barras de ouro, vinhos franceses e outros artigos de supermercado. Acham que têm uma boa hipótese de sobreviver ao armagedão. E desprezam abertamente todos os outros desgraçados, que avaliam como sub-sapiens.

Eis uma excelente receita para a extinção da espécie humana.

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura