As autoridades alemãs estão a investigar um ataque incendiário, muito provavelmente perpetrado por um grupo da Antifa, que paralisou parcialmente a rede eléctrica de Berlim, no fim de semana, deixando grandes áreas da capital às escuras. O incidente ocorreu na madrugada de 3 de Janeiro, quando foi ateado um incêndio numa ponte de cabos eléctricos sobre o Canal Teltow, uma ligação crucial que abastece a central de Lichterfelde.

O incêndio terá danificado linhas de transmissão essenciais, deixando cerca de 45.000 habitações e mais de 2.200 estabelecimentos comerciais sem energia. A Stromnetz Berlin, operadora da rede eléctrica da cidade, alertou que as reparações podem demorar um tempo considerável devido à complexidade técnica da infraestrutura envolvida.

Com as baixas temperaturas nocturnas a representarem riscos para os residentes mais vulneráveis, muitos berlinenses afectados necessitaram de recorrer a abrigos alternativos. O Presidente da Câmara Kai Wegner solicitou o envio das Forças Armadas Alemãs para auxiliar nos esforços de restauro da rede. A vereadora Iris Spranger sugeriu a possibilidade de utilizar militares para distribuir refeições quentes aos afectados.

No domingo, Spranger confirmou que a responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pelo colectivo terrorista de extrema-esquerda conhecido como Vulkangruppe, ou Grupo Vulcão, afecto à Antifa. A vereadora comentou a este respeito:

“Este é um ataque desprezível contra o povo de Berlim, que coloca vidas humanas em risco deliberadamente.” 

Um comunicado atribuído ao grupo e divulgado pelo Tagesspiegel descreveu a sabotagem como um acto relacionado com o histerismo climático, declarando:

“Na noite passada, sabotámos com sucesso a central termoelétrica a gás em Berlim-Lichterfelde… O ataque à central termoelétrica a gás é um acto de autodefesa e solidariedade internacional com todos aqueles que protegem a Terra e a vida.”

O grupo apontou ainda a inteligência artificial (IA) e o seu consumo de energia como justificação para o ataque, escrevendo:

“Estamos a operar a nossa própria vigilância, e é total… As empresas tecnológicas estão nas mãos dos homens no poder que lhes damos… Um dia, simplesmente morreremos de sede e fome sentados em frente a ecrãs brilhantes ou dispositivos inertes.”

As autoridades alemãs afirmam que o incidente se enquadra num padrão mais vasto de ataques de extrema-esquerda, motivados por questões climáticas, contra as infraestruturas, que têm sido observados em toda a Europa nos últimos anos. Estas operações visam frequentemente cabos de energia, linhas de dados, fábricas e redes de transporte. Um acto de sabotagem semelhante em Setembro deixou mais de 50.000 pessoas sem electricidade durante vários dias.

Em reacção aos últimos acontecimentos, o autarca Wegner prometeu uma resposta enérgica, declarando:

“Foi um grupo extremista de esquerda que mais uma vez atacou as nossas infraestruturas e, com isso, ameaçou a vida das pessoas, dos idosos que podem precisar de respiradores, das famílias com crianças pequenas… E temos de capturar estes perpetradores agora… Isto não é uma brincadeira, isto é um ataque terrorista.”

 

Autarquia de Berlim gasta milhões em alojamento para migrantes, enquanto os seus próprios residentes tentam sobreviver em apartamentos gelados e escuros ou têm que pagar estadias em hotéis.

A forma como Berlim lidou com o prolongado apagão no sudoeste da cidade gerou um intenso debate público sobre as prioridades da autarquia e do estabelecimento alemão, depois de os residentes terem sido inicialmente solicitados a pagar 70 euros por noite pelo alojamento num hotel, enquanto os centros de acolhimento de migrantes nas proximidades eram evacuados e realocados a expensas do governo.

Tal como foi noticiado pelo Welt, os residentes impossibilitados de utilizar as suas casas receberam vouchers com desconto para quartos de hotel, através de uma campanha intitulada “Hotéis de Berlim para Berlinenses”, lançada em parceria com a VisitBerlin e cerca de 200 hotéis. O governo estadual isentou o imposto municipal, mas os residentes afectados deveriam suportar o restante custo.

A oferta provocou uma reacção imediata. Nas redes sociais, os utilizadores questionaram como é que os reformados, as famílias com crianças ou as pessoas que recebem assistência social conseguiriam suportar várias noites num hotel. “Nem todo o residente de Steglitz-Zehlendorf poderá simplesmente tirar setenta euros por noite do seu bolso”, escreveu um utilizador, citado pelo jornal alemão, enquanto outros descreveram o plano como “uma piada de mau gosto” e “falsa solidariedade”.

 

 

A indignação aumentou à medida que foram surgindo relatos das condições em que as pessoas estavam a viver nos bairros sujeitos ao apagão. Um doente oncológico disse à imprensa que estava a dormir na escada do edifício porque era o local mais quente disponível:

“Durmo na escada esta noite porque é a parte mais quente do edifício. Infelizmente, no meu apartamento, o frio atinge-me por todo o lado.”

Ao mesmo tempo, os residentes relataram que um centro de refugiados próximo tinha sido evacuado no início da crise. “Os refugiados de lá já foram recolocados”, disse um vizinho. “Já não estão aqui, estão no calor”, acrescentou outro.

No entretanto, uma residente de 83 anos, morreu de hipotermia.

Não há evidências concretas de uma política formal que dê tratamento preferencial aos migrantes durante o apagão, mas as decisões de evacuar centros de refugiados, enquanto se pede aos berlinenses que arquem com a maior parte das despesas de hotel para serem realocados, levantaram legítimas questões sobre as prioridades governamentais.

Segundo dados confirmados à Agência de Imprensa Alemã em Dezembro do ano passado, a cidade pagou 883 milhões de euros em 2024 para acolher refugiados, um aumento brutal face aos 312 milhões de euros gastos em 2020. Grandes instalações como Tegel e Tempelhof representam custos particularmente elevados, tendo Tegel custado cerca de 260 milhões de euros no ano passado.

 

 

As autoridades municipais estão agora sob pressão para justificar o custo cada vez maior que o abrigo de imigrantes representa para o contribuinte alemão, quando essas verbas poderiam ter sido utilizadas como um fundo de contingência para uma crise como a que agora assola o sudoeste de Berlim.

A senadora de Berlim para os Assuntos Económicos e Energia, Franziska Giffey, defendeu a iniciativa dos hotéis como um acto de solidariedade. Elogiando a isenção do imposto sobre o alojamento e agradecendo aos hotéis pelo que chamou de “iniciativa fantástica”, Giffey afirmou:

“Pessoas de 35 mil famílias no sudoeste da nossa cidade estão a precisar, e com esta oferta especial, os hotéis estão a disponibilizar os seus quartos a preço de custo.”

No entanto, após dias de pressão, o Senado reverteu a decisão. O escritório distrital de Steglitz-Zehlendorf anunciou na terça-feira que os custos com hotéis para os residentes afetados serão reembolsados ​​na íntegra. Os residentes que não podem utilizar os seus apartamentos devido a cortes de energia, aquecimento ou água quente podem ficar alojados em hotéis e solicitar o reembolso dos custos, apresentando a conta do hotel, o comprovativo de necessidade e o documento de identidade ao gabinete de assistência social. Os abrigos de emergência continuam disponíveis.

Tim Richter, vice-presidente da Câmara do distrito de Wannsee e presidente da CDU em Steglitz-Zehlendorf, celebrou a cedência:

“Defendi uma solução rápida para os residentes de Steglitz-Zehlendorf e estou muito grato ao Senado por podermos agora oferecer assistência pragmática e ágil”

Alguns, no entanto, dirão que as autoridades municipais já revelaram as suas verdadeiras intenções em relação às suas prioridades, e os berlinenses mais vulneráveis ​​parecem estar em último lugar na lista.