A recente operação militar dos EUA na Venezuela gerou especulações sobre o potencial de uma intervenção americana na Gronelândia (e em Cuba, e na Colômbia, e no Irão, e em qualquer lugar da galáxia que Trump cobice ou que Netanyahu queira reduzir a escombros).
Inquirido pela imprensa sobre o assunto, a bordo do Air Force One, o presidente norte-americano descreveu o território como “cercado por navios russos e chineses” e que os dinamarqueses não tinham feito mais para reforçar a segurança do perímetro gelado do que adicionar mais um trenó puxado por cães à força policial local, o que, estando longe de ser um facto, não deixa de ser um meme jeitoso, para adicionar à colecção que Trump guarda ciosamente na gaveta da secretária Resolute.
Trump:
You know what Denmark did recently to boost up security on Greenland? They added one more dog sled. It’s true.
They thought that was a great move. pic.twitter.com/G97IpqtBfi
— Clash Report (@clashreport) January 5, 2026
Trump acrescentou que caberia a outros decidir o que a estratégia para a Venezuela significaria para a Gronelândia.
“Terão de avaliar por si próprios. Não sei bem. Sabe, eu não quero falar da Gronelândia neste momento. Mas nós precisamos da Gronelândia, com certeza. Precisamos dela para a nossa defesa.”
O inquilino da Casa Branca já manifestou anteriormente a necessidade de os EUA controlarem a Gronelândia para fins de defesa, tendo familiares, funcionários e amigos realizado várias visitas ao país, actualmente gerido pela Dinamarca, nos últimos 18 meses.
Questionado também sobre este assunto e as declarações de Trump relativas ao território dinamarquês, Marco Rubio afirmou:
“Quando ele diz que vai fazer alguma coisa, quando diz que vai resolver um problema, está a falar a sério”.
Não era má ideia, de facto.
Nesta altura do campeonato, o Contra está a torcer para que a hubris de Donald Trump o leve a ocupar a Gronelândia, espoletando a cómica e surrealista circunstância da NATO se ver, em teoria apenas, claro, obrigada a defender um país membro da agressão dos… Estados Unidos.
LOL.
Porque nesta questão, até a medíocre primeira ministra dinamarquesa se enche de razão: seria o fim da aliança atlântica. E o fim da NATO vale bem o sacrifício de um território gelado e inóspito, que na verdade nem os dinamarqueses estimam.
BREAKING – Greenland: US attack on NATO ally would be end of ‘everything’, says Danish PMhttps://t.co/LPJ8stjwek
— Insider Paper (@TheInsiderPaper) January 5, 2026
E, ao contrário do que o infeliz líder polaco tenta sonhar, nem uma Europa unida (eis uma contradição em termos) poderia levar o pesporrente inquilino da Casa Branca a mudar de ideias, como é óbvio, caso se mostre realmente determinado em tomar aquele bocado de gelo.
Dá-lhe com força, Donald, dá-lhe com força: envia um batalhão de marines para a Gronelândia, toma conta daquilo e faz, por uma vez, qualquer coisa de jeito por ti abaixo. Afinal, acabar com a NATO será muito provavelmente a única coisa decente que a posteridade vai encontrar no teu legado de cinzas.
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