O clube de fãs da adminsitração Trump tem razões de sobra para ser mais cauteloso, no que que diz respeito à operação de mudança de regime na Venezuela. Os americanos não apresentam propriamente um registo histórico favorável neste tipo de circunstâncias, muito pelo contrário, e no caso específico parece que a Casa Branca não tem sequer um programa pensado para gerir as consequências do rapto de Maduro, para além das ameaças de mais intervenções militares, caso as coisas não corram como Washington deseja.

E na verdade, já não estão a correr. Apesar da recém empossada Presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, parecer inclinada a cumprir a agenda dos americanos que a colocaram no poder, nas ruas de Caracas o caos, que era previsível, não demorou muito a suceder.

A noite de segunda-feira ficou marcada por intensos tiroteios na capital, mais concretamente no bairro de Miraflores, onde se situa o palácio presidencial, e circulam rumores de que o braço direito de Maduro, Diosdado Cabello, estará a planear um golpe de Estado contra Rodríguez.

 

 

Na verdade há até quem diga  que se trata de um contra-golpe, já que a intervenção americana, claramente permitida pelo regime venezuelano, que não disparou um tiro na direcção do inimigo, apesar da multitude de alvos que os americanos fizeram questão de colocar ao dispor das defesas venezuelanas, só foi possível como artifício de um golpe palaciano destinado a afastar Maduro do poder.

Diosdado Cabello controla muitos dos ‘colectivos da Venezuela’, grupos paramilitares de extrema-esquerda, fortemente armados e que operam independentemente do governo, sendo capazes de mergulhar o país numa guerra civil. Mas há também generais das Forças Armadas Bolivarianas e membros dos ‘conselhos chavistas’ que não estão contentes com os últimos desenvolvimentos no país e a ascensão de Delcy Rodríguez, que observam naturalmente como uma traidora ao serviço dos interesses do grande capital norte-americano.

 

 

O ataque rebelde ao palácio presidencial parece por agora ter falhado. Mas um “regresso ao poder pelas mãos do bolivarianismo” está a ser anunciado por certos sectores da esquerda venezuelana. E dá a sensação que a intervenção militar norte-americana de domingo passado não foi a última.

Mais a mais, não é certo sequer que Nicolás Maduro seja condenado no seu julgamento em Nova Iorque. O Departamento de Justiça acaba de deixar cair a acusação de liderança de um cartel, já que o tal cartel que o presidente venezuelano era acusado de dirigir nem sequer existe e foi provavelmente inventado pelo Departamento de Estado para que a intervenção militar em solo estrangeiro não tivesse que ser sufragada no Congresso.

 

 

Os dois alexandres do The Duran comentam a situação política num país que está claramente à beira de um ataque de nervos.