Ninguém poderia ter previsto isto há cinco anos, mas a conta do Twitter de Elon Musk tornou-se uma das fontes de notícias mais honestas da internet. Uma publicação chamou a atenção de milhões de utilizadores aqui há uma semana atrás.
“Isto é injusto”, escreveu Musk claramente acima de capturas de ecrã das descrições da Wikipédia sobre orgulho negro, orgulho gay, orgulho asiático e orgulho branco.
This is unfair https://t.co/ggYZWUI6p6
— Elon Musk (@elonmusk) December 19, 2025
Eis as definições actualizadas do site, na data de publicação deste texto:
Orgulho negro: um movimento que incentiva os negros a celebrar as suas respectivas culturas e abraçar a sua herança africana.
Orgulho gay: a promoção dos direitos, autoafirmação, dignidade, igualdade e maior visibilidade das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e queer (LGBTQ) como um grupo social.
Orgulho asiático: um termo que incentiva a celebração da etnia e da cultura asiáticas, com várias interpretações e origens.
Orgulho branco: uma expressão usada principalmente por organizações nacionalistas brancas, neonazis e supremacistas brancas para sinalizar pontos de vista racistas ou racialistas.
Repararam na discrepância?
E para clarificar: o ContraCultura acha que ter orgulho por pertencer a uma determinada raça, ou por ser de um determinado sexo (ou preferência sexual) é ridículo. Um indivíduo não tem qualquer mérito, nem nenhuma virtude adquirida por ser branco, preto ou magenta; homem ou mulher, heterossexual ou maricas. Não há nenhum mérito nisso, como não há nenhum estigma nisso. Somos todos produto do acto divino. Mas também somos todos responsáveis, como indivíduos, por quem somos.
É claro que podemos honrar e valorizar a nossa cultura e a nossa história e os nossos antepassados, que nos legaram valores, referências, ensinamentos e – no caso do Ocidente – o mais bem sucedido modelo civilizacional da História, apesar do tenebroso declínio, material e moral, a que assistimos hoje. Mas não é porque herdámos esse edifício que somos dingos dele, como é fácil de constatar.
A Wikipedia, porém, discorda. A Wikipedia acha que há virtudes e defeitos inerentes ao tom de pele de cada um, ou decorrentes das inclinações do seu libido, e descreve o orgulho dos negros, asiáticos e homossexuais em termos elogiosos como “celebração”, “dignidade” e “autoafirmação”, inferindo-se assim que podem ser orgulhosos das suas origens étnicas ou do facto de preferirem acasalar com seres humanos do mesmo sexo, mas critica os brancos que têm orgulho de sua herança como “racistas” e “nazis”.
É espantoso.
Os brancos cometeram atrocidades ao longo da história? Claro que sim, como todos os restantes grupos étnicos e todas as outras raças. E também há homossexuais criminosos. Podemos até encontrar nesse grupo alguns genocidas (Frederico, o Grande, por exemplo). Se todas as populações fossem desprezadas pelos erros dos seus antepassados, toda a gente neste mundo estaria constantemente mergulhada num estado depressivo de culpa, vergonha e arrependimento. Não vivemos assim porque isso seria, não só injusto, mas insano.
E assim sendo, por que é que os brancos devem viver assim?
A culpa de sangue é aberrante. Deixemos isso para regimes distópicos. Somos todos seres humanos, que nascemos livres dos pecados dos nossos ascendentes. Que nascemos, também, inocentes das suas glórias.
E é assim que deve ser. Porque no fim, seremos julgados pelas nossas acções e não pelos erros ou os acertos dos nossos avós.
E já agora: Cristo não veio à terra para salvar esta raça ou a outra, mas para redimir toda a humanidade.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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