Confirmando a sua cega obediência à agenda sionista, o presidente norte-americano Donald J. Trump disse que está preparado para apoiar mais uma acção militar israelita contra o Irão, se Teerão continuar a desenvolver os seus alegados programas nucleares e de mísseis balísticos.

Em declarações aos repórteres antes de uma reunião com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Mar-a-Lago, Trump afirmou:

“Agora ouvi dizer que o Irão está a tentar reerguer-se, e se estiver, temos que derrubá-los. Vamos acabar com eles. Mas espero que isso não esteja a acontecer. Ouvi dizer que o Irão quer fazer um acordo. Se eles querem fazer um acordo, isso é muito mais inteligente.”

Como vivemos num ambiente mediático sem memória de curto prazo, será pertinente lembrar aqui três factos:

– Em Junho de 2025, os EUA bombardearam as supostas instalações do programa nuclear iraniano, numa acção que Donald Trump qualificou como um retumbante sucesso. Seis meses depois, parece que a operação não foi assim tão bem sucedida, já que o próprio presidente norte-americano reconhece que o programa iraniano pode estar de novo activo e constituir uma ameaça no entendimento da Casa Branca.

– Da última vez que os iranianos acederam a entrar num processo negocial com os EUA, na Primavera do ano passado, foram surpreendidos por um ataque de Israel, com certeza autorizado pelos americanos, numa das mais infames armadilhas montadas sobre o palco da alta diplomacia de que há memória. Assim sendo, é apenas natural que as autoridades em Teerão desconfiem de qualquer ronda de negociações com a diplomacia do regime Trump.

– Convém sublinhar que a Casa Branca aproveitou para baixar a fasquia das condições que podem conduzir à guerra: durante décadas, o discurso sobre a ameaça iraniana baseava-se no desenvolvimento de armas nucleares. Mas agora, Trump já fala de armas nucleares e mísseis balísticos. Ao Irão é agora interdita também a possibilidade de desenvolver sistemas de armamento convencional?

A reunião marcou o quinto encontro presencial entre Trump e Netanyahu desde que o magnata de Queens voltou à Casa Branca e ocorreu no contexto de tensões regionais contínuas, após um frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas mediado pelo presidente norte-americano em Outubro. Desde então, Israel e o Hamas acusaram-se mutuamente de violar o acordo, complicando os esforços para estabilizar a faixa de Gaza.

Trump também abordou os problemas legais de Netanyahu, sugerindo que um perdão relacionado com as acusações de corrupção contra o líder israelita está “a caminho” e elogiando Netanyahu por fazer um «trabalho fenomenal». O presidente de Israel, Isaac Herzog, negou que tivesse havido qualquer discussão sobre um perdão, afirmando que não houve nenhuma conversa com Trump sobre o assunto.

As conversas entre os dois líderes também abordaram a próxima fase da iniciativa de paz de Trump para Gaza, que prevê uma administração tecnocrática palestiniana a supervisionar a reconstrução. O progresso tem sido atribulado, com questões por resolver, incluindo a recusa do Hamas em desarmar-se totalmente, as belicosas iniciativas de Israel – que ainda em Novembro realizou um ataque no Líbano, visando a cúpula política do Hezbollah, que matou cinco pessoas e feriru 28 –  e a incerteza sobre quem garantirá a segurança a longo prazo em Gaza.

Seria de esperar que Donald Trump abordasse o assunto da Cisjordânia com Nethanyahu, cujo governo aprovou no fim de Dezembro a instalação de 19 novos colonatos nesse território, à revelia do que o presidente e o vice-presidente norte-americanos tinham garantido em Outubro. Mas sempre que esperamos que a Casa branca manifeste mesmo que um vestígio de oposição à agenda sionista, as probabilidades apontam fortemente para uma frustração absoluta dessas expectativas.

Porque em Washington, quem manda é Telavive.