Com a clara colaboração ou cumplicidade pelo menos do exército venezuelano, cujos oficiais de topo devem ter sido bem comprados, a Casa Branca montou uma bem sucedida – mas completamente ilegal – operação de mudança de regime, através de uma acção militar em Caracas, destinada a capturar Nicolás Maduro.

Durante a operação as forças militares venezuelanas não reagiram, sugerindo essa cumplicidade.

O regime Trump vai agora, presumivelmente, colocar Maduro no banco dos réus do corrupto sistema judicial norte-americano e deixar no poder alguém da sua confiança, como María Corina Machado, a Prémio Nobel da Paz de 2025, que nem por isso tem grande apoio popular no país do Caribe.

Donald Trump confirmou a acção militar no Truth Social.

 

 

Convém sublinhar que, historicamente, as acções de mudança de regime desencadeadas pelos EUA correm invariavelmente mal, deixando os países pior do que estavam e mergulhados no caos. O exemplo mais recente – a Síria – é a este título eloquente.

A retórica da Casa Branca vai certamente convergir numa alegada promoção da liberdade, da democracia e dos direitos civis, mas todos sabemos que os objectivos desta operação têm a ver com as reservas petrolíferas do país e também a de humilhar russos e chineses, até porque, segundo parece, uma delegação oficial de Pequim encontrava-se em Caracas na altura do ataque.

 

 

É expectável que esta iniciativa da Casa Branca deixe a comunidade internacional algo nervosa. Basta pensar na Dinamarca, cujo governo estará agora a equacionar a possibilidade de que a pirataria norte-americana acabe por tomar a Gronelândia à força.

Em Cuba, o regime também se deve estar a preparar para uma eventualidade análoga.

Os dois Alexandres do The Duran comentam o episódio.