O governo israelita aprovou 19 novos colonatos na Cisjordânia, segundo o Ministro das Finanças, Betzalel Smotrich, provocando novas tensões com a comunidade internacional e grupos de defesa dos direitos humanos que afirmam que a medida viola o direito internacional e mina a paz.
A organização israelita Peace Now, que monitoriza a situação dos colonatos, afirmou que a decisão eleva o número de colonatos na Cisjordânia para 210, face aos 141 de 2022. As aprovações também legalizam retroactivamente vários postos avançados anteriormente não autorizados e estabelecem novos colonatos em terrenos dos quais os palestinianos foram evacuados durante a guerra de extermínio com que o regime Netanyahu reagiu à operação terrorista do Hamas de 7 de Outubro de 2023.
O actual governo de coligação de Israel tem feito pressão agressiva para consolidar a presença israelita na Cisjordânia. Os críticos defendem que esta política enfraquece os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra em Gaza.
Um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, Hamish Falconer, criticou a decisão, afirmando que corre o risco de minar o Plano de 20 Pontos para o fim da guerra em Gaza e as perspectivas de paz e segurança a longo prazo, um alegado objectivo fundamental da política externa do regime Trump.
Neste contexto, a decisão sobre os colonatos aumentou as tensões entre Israel e os Estados Unidos. Em Outubro, o vice-presidente norte-americano criticou uma manobra parlamentar israelita relacionada com a anexação da Cisjordânia, efectivada quando Vance estava ainda em território Israelita. Falando no Aeroporto Ben Gurion Vance disse que a iniciativa era “uma manobra política muito estúpida”, e que a considerava “um insulto pessoal”, sublinhando:
“A Cisjordânia não será anexada por Israel. A política da administração Trump é que a Cisjordânia não será anexada por Israel. Essa continuará a ser a nossa política, e se as pessoas quiserem votar simbolicamente, podem fazê-lo, mas certamente não estamos felizes com isso.”
Pelos vistos, o voto no Knesset foi tudo menos simbólico.
Por essa altura, Donald Trump chegou a afirmar a este propósito:
“Israel perderia todo o apoio dos Estados Unidos se isso acontecesse. Isso não vai acontecer porque dei a minha palavra aos países árabes”.
Pelos vistos, aconteceu. E é claro que Israel não vai perder o apoio dos Estados Unidos por causa disso.
As relações ficaram ainda mais tensas em Dezembro, depois de a Casa Branca ter repreendido veementemente Israel por violar o cessar-fogo em Gaza, alertando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de que tais acções poderiam prejudicar os esforços de paz liderados pelos EUA. Ao mesmo tempo, Washington continua a prestar um apoio militar substancial a Israel. No início deste mês, o Congresso aprovou um amplo projecto-lei de defesa que inclui aproximadamente 650 milhões de dólares em ajuda ao regime sionista.
A verdade é que Benajmin Netanyahu faz o que lhe dá na real gana, independentemente do que a Casa Branca possa desejar, porque os poderes sionistas instalados em Washington são mais poderosos do que a presidência norte-americana, e Donald Trump, na sua impotência e cumplicidade, parece cada vez mais um refém da agenda israelita.
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