Uma investigação recente da Consumer Reports e da Groundwork Collaborative revelou que a Instacart, uma central de compras e entregas de produtos alimentares online, está a realizar experiências de preços com inteligência artificial (IA), resultando em preços diferentes para diversos clientes. Estas discrepâncias podem chegar aos 23% para os mesmos artigos, com a fixação de preços algorítmica baseada em IA a contribuir possivelmente para o aumento dos preços dos alimentos nos EUA.
A investigação envolveu uma análise abrangente das estratégias de determinação de preços da Instacart, aplicadas nas grandes cadeias de supermercados dos EUA, incluindo a Albertsons, Costco, Kroger, Safeway, Sprouts Farmers Market e Target. As experiências de preços da Instacart foram confirmadas pela empresa, embora esta afirme que a prática afecta apenas uma pequena parcela dos seus parceiros retalhistas.
Apesar das alegações da Instacart de que estas diferenças são pequenas e insignificantes, a investigação sugere um impacto mais amplo nos consumidores, especialmente tendo em conta o aumento mais rápido dos preços dos alimentos desde o final da década de 1970. A empresa comercializou as suas experiências de determinação de preços como “arredondamento inteligente”, com o objectivo de optimizar as vendas através de preços fixados por algoritmo. Os esforços da Instacart para a definição de preços através da IA espelham os implementados por grandes retalhistas, como a Amazon e a Walmart. No entanto, os especialistas alertam que tais práticas podem levar à “avaliação de preços por vigilância”, onde os dados pessoais influenciam estratégias de preços individualizadas. Isto levanta preocupações sobre a privacidade do consumidor e a equidade na fixação do preço dos bens essenciais.
A investigação destaca o potencial para variações significativas de custos para os consumidores, com algumas famílias a enfrentarem potencialmente uma oscilação anual de cerca de 1.200 dólares. Embora os dados económicos fornecidos pelos produtores mostrem, em grande parte, que os preços dos supermercados têm vindo a descer desde o início de 2025, os consumidores podem ainda enfrentar preços mais elevados devido às políticas e práticas dos retalhistas.
A Instacart comercializa a sua tecnologia como capaz de aumentar as vendas dos supermercados entre 1% e 3%, além de elevar as margens de lucro de cada compra do consumidor em 2% a 5%.
De forma ainda mais preocupante, a definição de preços algorítmica passa despercebida aos consumidores, que desconhecem que os custos que enfrentam são manipulados com base em análises de IA. Embora cobrar preços diferentes pelo mesmo artigo não seja necessariamente ilegal, o uso de preços algorítmicos levanta questões éticas e de protecção do consumidor.
E seria bom que, por uma vez, as tecnologias de inteligência artificial fossem responsáveis por qualquer coisa de positivo. Qualquer coisa que beneficiasse factualmente as pessoas.
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