O Departamento de Justiça norte-americano divulgou na passada segunda-feira imagens chocantes que pareciam retratar o suicídio de Jeffrey Epstein na sua cela na prisão de Manhattan — e que durante breves momentos causaram alvoroço na internet. Até que se constatou que o vídeo era falso.
🇺🇸DOJ uploaded a fake Epstein suicide video.
It’s a 3D render that was posted to YouTube in 2020.
— Lord Bebo (@MyLordBebo) December 23, 2025
O clip, gerado por computador, mostra um homem de cabelo branco a usar um fato-macaco laranja, debatendo-se e abanando a cabeça enquanto ajoelhado na base de um beliche numa cela, e foi publicado sem explicações no site do Departamento de Justiça como parte da divulgação dos ficheiros Epstein — sendo apenas o item mais recente no meio de um conjunto de documentos e imagens a serem revelados após a ordem do Congresso, em Novembro.
O vídeo não sobrevive a uma análise mais atenta, já que a composição evidencia um trabalho de CGI nem por isso muito competente, com objectos sem textura, ambiente excessivamente limpo, movimentos do corpo claramente artificiais e a porta da cela a não corresponder à do compartimento de Epstein.
Um funcionário da administração Trump confirmou posteriormente que o vídeo era falso e estava no YouTube há anos. Foi finalmente removido do site do Departamento de Justiça na segunda-feira.
Mas a sua divulgação já tinha causado grande interesse online, com muitos utilizadores a pensar que as imagens da morte de Epstein tinham finalmente sido reveladas, o que teria contradito a narrativa de longa data dos investigadores de que as câmaras que monitorizavam a cela de Epstein estavam desligadas ou avariadas na noite da sua morte e que não existia qualquer gravação.
A ausência de vídeo de circuito interno tem sido uma das principais fontes de teorias da conspiração em torno da morte de Epstein, com algumas pessoas a usá-lo para alimentar histórias de que o financeiro, outrora poderoso e em desgraça, foi assassinado por forças obscuras.
Estas teorias ganharam força durante a primeira divulgação dos ficheiros Epstein, no início deste ano, quando um vídeo gravado à porta do bloco de celas de Epstein na noite da sua morte foi finalmente libertado — só para se perceber que lhe faltava um minuto, decorrido pouco antes da meia-noite, e que as imagens tinham também sido entretanto manipuladas.
Esta é assim a segunda vez que o Departamento de Justiça e o FBI publicam um documento vídeo falso sobre a morte de Epstein.
Epstein estava sob vigilância para prevenção de suicídio antes de morrer, mas essa vigilância foi retirada e deveria ter um companheiro de cela, que por acaso até foi transferido apenas um dia antes da sua morte.
Os dois guardas que deveriam estar a vigiá-lo também estavam a dormir em serviço na noite em que o pedófilo foi suicidado e, posteriormente, admitiram ter falsificado relatórios para encobrir o erro.
Embora o médico legista tenha determinado que Epstein morreu por enforcamento auto-infligido, uma autópsia independente, patrocinada pelo irmão do criminoso, sugeriu que sofreu uma fractura no pescoço, que tende a ocorrer em assassinatos por estrangulamento.
A divulgação dos ficheiros Epstein começou a 19 de Dezembro e, até à data, muitos milhares de páginas foram publicadas, revelando uns poucos detalhes comprometedores, e dezenas de fotos — incluindo imagens de Epstein em encontros íntimos com raparigas muito jovens – mas que não informam para além do que já todos sabíamos. Cerca de 90% dos documentos publicados pelo DOJ foram rasurados, embora alguns de forma amadora, já que basta fazer copy/paste do texto rasurado para que se torne legível.
So, people have figured out that you can just copy and paste the “redacted” text from Epstein file PDFs to read what it says. Great job Pam bondi 💀 pic.twitter.com/YeISXPKUCz
— Cami 🇨🇱 (@crimsoncamii) December 23, 2025
A mistura de ficheiros falsos com documentos fidedignos, a extensão dos ficheiros, as omissões detectadas e a incompetência técnica (excessivamente grotesca para ser palusível) contribuem para que o encobrimento em relação aos implicados nas actividades de abuso sexual de menores do milionário/pedófilo continue a mostrar-se efectivo, mesmo contra um mandato explícito do Congresso.
Entretanto, Donald Trump decidiu que a sua barricada definitiva é a das elites pedófilas, defendendo banqueiros e políticos democratas como Bill Clinton, enquanto condena e insulta Thomas Massie – um dos representantes republicanos responsáveis por obrigar o Departamento de Justiça a divulgar os ficheiros.
Trump: Everybody was friendly with this guy… You probably have pictures being exposed of other people that innocently met Jeffrey Epstein years ago, and they are highly respected bankers and others. And they will end up, because of guys like Massie, he’s a real low life, he’s a… pic.twitter.com/rLBnwst76T
— Acyn (@Acyn) December 22, 2025
NOW – Trump on Epstein: “Everybody was friendly with this guy, either friendly or not friendly… I don’t like the pictures of Bill Clinton being shown. I don’t like the pictures of other people being shown.” pic.twitter.com/hkOOqHQpOE
— Disclose.tv (@disclosetv) December 22, 2025
Se Trump tivesse dito isto antes das eleições estaria agora em Mar-a-Lago, a envelhecer tranquilamente.
Crápula.
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