Este ano, as mensagens de Natal e Ano Novo das mais proeminentes figuras do estabelecimento ocidental foram sintomáticas. Primeiro, porque demonstram que os valores do cristianismo estão longe de ser os valores das elites que desgraçadamente presidem aos nossos destinos. Depois, porque fazem prova da ruptura a que hoje assistimos entre a realidade e o discurso político, num jogo satânico de antíteses, fabricado com a clara intenção de confundir, humilhar, alienar e desintegrar as massas.
Em Kiev, Zelensky desejou a morte de Vladimir Putin, como se desejar a morte de alguém fosse um adequado recado de boas festas. Na desgraçada ilha dos bifes, o Rei WEF, Carlinhos de seu nome, fez o previsível e estafado elogio da ‘diversidade’ que está a levar o seu Reino à guerra civil. Netanyahu aproveitou a celebração do nascimento de Cristo (nas palavras do seu porta-voz para os EUA, Ben Shapiro, “um fora da lei que mereceu o castigo que teve”) para fazer campanha pela guerra ao Irão. Donald Trump, que não perde uma oportunidade que seja para largar bombas por esse mundo fora, desejou literalmente boas festas aos nigerianos com um postal de natal carregado de cadáveres (o sexto país que o ‘presidente da paz’ bombardeia, em 11 meses de mandato*). Emmanuel Macron, decidiu honrar soldados e bombeiros, uns que quer ver a morrerem nas trincheiras da Ucrânia, outros que quer ver maltratados pelas tribos islâmicas que importa a ritmo recordista para o seu infeliz país. Na Alemanha, o chanceler que está a fazer tudo o que pode e sabe para nos condenar a todos a um conflito termo-nuclear com a Rússia, falou de paz, e conseguiu, no processo, a impossível tarefa de manter sério o seu semblante. Ursula von der Leyen, que não é eleita por ninguém, pelo que não tem um eleitorado a quem dirigir a sua mensagem natalícia, optou naturalmente por direccionar a sua prosápia aos ucranianos, que devem ser nesta altura do campeonato os únicos que a conseguem ouvir sem irem a correr para o vomitódromo mais próximo.
Até o novo papa, que é igual ao último, rompeu todas as regras litúrgicas da época para politizar a mensagem Urbi et Orbi e a homilia de Natal até à agonia, forçando a cartilha da substituição demográfica tão querida ao globalismo descarado que reina triunfante no Vaticano desde que Ratzinger decidiu abandonar o trono de Pedro.
Em Portugal, Montenegro, do alto do seu vigor intelectual e da sua superioridade moral, que vê certamente como inquestionáveis, falou aos portugueses para os acusar de serem um povo sem “mentalidade de superação”, coisa que alegadamente ele terá para dar e vender e que resulta, por exemplo, em 220 milhões de euros por ano, sacados aos riquíssimos contribuintes pátrios para serem desperdiçados na causa perdida, e para além de perdida, corrupta, e para além de corrupta, luciferina, do regime Zelensky.
Os portugueses, que não conseguem encontrar um apartamento em Lisboa por menos de meio milhão de euros; os portugueses, que estão a ser empobrecidos pela inflação a cada mês que passa; os portugueses, que pagam em impostos para aí uns 75% do dinheiro que ganham e que em contrapartida recebem serviços públicos de qualidade terceiro-mundista; os portugueses, cujos interesses e aspirações Montenegro faz questão de não representar nem defender, têm até uma excessiva capacidade de superação, ao contrário da abstrusa acusação do primeiro-ministro, caso contrário já tinham feito dele uma espécie de Antonieta.
A mentalidade de superação do povo luso será, por estes dias, recordista. Superam o facto de serem roubados, substituídos, humilhados, enganados, empobrecidos e desesperançados. Superam o desdém, a indiferença, a malícia, o despudor, e até um cada vez menos secreto ódio que as elites políticas e corporativas nutrem por eles. E superam isso tudo de tal forma que continuam a legitimar a corja de criminosos que os rege nas urnas, nas lojas dos bairros fiscais, nos balcões dos bancos, nas caixas dos supermercados, e até, pasme-se, nas papelarias onde continuam a comprar a propaganda aviltante dos pravdas que lhes enfiam pela goela abaixo, como no meu tempo se fazia às crianças com o óleo de fígado de bacalhau.
Os portugueses são os campeões mundiais da superação. E Luís Montenegro é o primeiro beneficiário dessa mentalidade, afinal recorrente neste cu do mundo, mas que analisa como escassa. Porque, como impenitente e alienado criadito do globalismo transhumanista, o homem é simplesmente incapaz de ter uma ideia aproximada da nação que dirige e do povo que desgoverna.
E Jesus Cristo, é para aqui chamado? Claro que não. O Natal, no Ocidente, já não é de Cristo. Foi entretanto ocupado pelo seu contrário.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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* Iémen, Irão, Iraque, Somália, Síria e Nigéria. A Venezuela é já a seguir.
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