Uma publicação no blogue do Museu de Brighton e Hove, no Reino Unido, está sob escrutínio por sugerir que o Pai Natal deveria ser “descolonizado”. O post, da autoria de Simone LaCorbinière, Chefe Adjunta para a ‘Mudança Cultural’ (a nomenclatura diz tudo), escreve este parágrafo, aparentemente sem sombra de ironia:

“Um Pai Natal branco e ocidental que julga o comportamento de todas as crianças é problemático. Quem decidiu que o Pai Natal deveria ser o juiz do comportamento das crianças em todas as comunidades? Como pode ele avaliar, por exemplo, as crianças indígenas a praticar as suas próprias tradições culturais?”

Afirmando que a tradição do Pai Natal “pede-nos para aceitar pressupostos coloniais de superioridade cultural”, LaCorbinière sugere ainda que há algo de sinistro em “ter um velho branco a supervisionar o trabalho dos duendes” na oficina do Pai Natal. Defende que as tradições deveriam ser alteradas para “colocar o Pai Natal a trabalhar na fábrica ao lado dos duendes [para mostrar] que ele e os duendes são iguais”.

É fácil imaginar que a senhora conseguiu escrever isto com a cara mais séria deste mundo.

De uma forma mais abrangente, LaCorbinière sugere que o Pai Natal seja reformulado como “uma personagem mais diversificada” — presumivelmente não branca — “que celebre o intercâmbio cultural”, e que o conceito do Pai Natal que “recompensa as crianças com base numa dicotomia ocidental de ‘bom/mau’” seja eliminado por completo. O Pai Natal também deveria ser despromovido a apenas um dos muitos “distribuidores de presentes de Inverno”, ao lado de várias “Mamãs”, porque “o patriarcado e o colonialismo andam de mãos dadas” e é necessário “mostrar à próxima geração que os homens não precisam de estar no comando”.

Portanto, segundo a brilhante articulista, um Pai Natal não problemático terá que ser uma rapariga somali, marxista impenitente, activista LGBT/BLM, e woke até à raiz dos ossos.

O museu, que recebeu 900.000 libras (aproximadamente 1.200.000 euros) de financiamento público em Outubro, tem enfrentado críticas pela sua posição desde que o post foi divulgado na imprensa britânica.

Sarah Pochin, membro do Parlamento (MP) pelo Partido Reformista de Nigel Farage, afirmou a este propósito:

“Há sectores do estabelecimento neste país que acredito verdadeiramente que não estão bem mentalmente. O Pai Natal é demasiado branco? … Os militantes da cultura woke estão cada vez mais desvairados e distantes da realidade.”

Escusado será dizer que o Pai Natal é uma celebração ritualística e uma projecção icónica de S. Nicolau, um santo grego e bispo de Mira, que viveu entre os séculos III e IV e era conhecido, entre outras características biográficas, por proteger os destituídos e cuidar de crianças pobres e doentes. Transformá-lo num logotipo woke é capaz de ser despropositado.

E ninguém está a impingir o Pai Natal a ninguém. As crianças de outras culturas podem ignorar Nicolau e ignorar o Natal. É para o lado que os cristãos certamente dormirão melhor. Nesta altura do campeonato, só gostaríamos de não ser obrigados a festejar o Ramadão.