Que dizer da generalidade (ou deverei dizer “muitos” ou “quase todos”?) dos nossos “jornalistas” e comentadores que falam nos canais (por vezes caneiros) de Televisão com aquele ar pateta, malcriado e sobranceiro de quem tem o descaro de bolsar “para os que nos vêem e ouvem lá em casa entenderem”? Eu sei o que diria, mas não é o momento.
Agora, pergunto: Não há um director, supervisor, chefe ou lá como o chamem que sinta os dislates comunicacionais?
Evidentemente que a Cultura, nomeadamente política, da generalidade dos portugueses é baixa ou inexistente – prova provada de que o 25 de Abril não cumpriu um dos seus objectivos fundamentais – mas os comunicadores que nos aparecem demonstram que também não a têm.
O analfabetismo em Portugal não desapareceu (não houve tempo, dizem alguns e alguns deles foram protagonistas da Revolução), sendo algum garbosamente praticado por licenciados.
Agora há outro tema na moda: a ditadura da Venezuela, para onde vários portugueses foram a fim de escaparem à miséria do seu dia a dia nas terras de origem e ganharem bom dinheiro, nomeadamente como sacrificados comerciantes. Sugiro que, sobre a Venezuela, também falem do ensino e do exercício da grande Música, por exemplo.
A guerra travada na Ucrânia é exemplo paradigmático do abjecto nível da narrativa transmitida aos coitados dos telespectadores que ouvem gente que há pouco tempo atrás decerto não sabia nada sobre o espaço e a história da Europa, nem de Portugal, nem do que seja.
Não sei se José Goulão ou José Catarino Soares (que tem um livro editado em Portugal onde aborda a questão da Ucrânia através de factos – os tais que são teimosos ), por exemplo, aceitariam ir à CNN /TVI falar sobre os assuntos que ela suscita e suscitará. Mas, entretanto, imbecis e ignorantes falam da Ucrânia e da Rússia “para os que os escutam lá em casa” sem a mais leve noção da sua ligação ao longo de séculos. Quanto à questão do Nazismo em certos territórios da Ucrânia, aos violentos confrontos que estes provocaram, talvez alguém conhecedor possa, um dia, ser convidado a falar.
Entretanto, devemos estar agradecidos ao Senhor Major-General Agostinho Costa por continuar a ir à CNN. E a esta por manter, generosamente, o Professor Tiago André Lopes (até o tratarem, sempre, por professor, demorou algum tempo ), para falar com a lucidez que sempre demonstra. Talvez seja pela má consciência de darem antena a certas senhoras cujo nome não preciso escrever.
Quanto ao Senhor Major-General Carlos Branco, malcriadamente tratado, um dia, por um imbecil elemento da CNN, o que lhe teria acontecido para decidir ir parar ao caneiro Now?
Entretanto, outros distintos militares e civis continuam a dizer o que dizem. Talvez, um dia, se possa fazer o levantamento das faladuras sobre o conflito na Ucrânia, neste bravo país da OTAN (cá dizem NATO ), cujo PR quis dar uma condecoração à Ucrânia pelas mãos do Zelensky e este recusou! Episódio tragi-cómico digno da “Viagem à roda da Parvónia”, peça escrita por Guerra Junqueiro e Guilherme Azevedo que originou um escândalo na estreia em Lisboa no ido Janeiro de 1879.
Saudações calorosas e fraternas, como diziam os antigos Republicanos, cujos ensinamentos tive o privilégio de receber.
MAXIMIANO GONÇALVES
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Maximiano Gonçalves é natural de Lisboa. Trabalhou em Comunicação Empresarial e Consultoria e Formação Profissional, tendo leccionado nas áreas da Gestão de Recursos Humanos e Comunicação Institucional e de produto, no I.E.F.P e na A. I. P.. Foi cronista da RDP Antena 2 e no Diário de Notícias. É autor da obra poética “Ouvir a Palavra”.
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As opiniões do autor não reflectem necessariamente a posição do ContraCultura.
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