Dan Bongino, ex-podcaster conservador que se tornou o número dois do FBI na administração Trump, anunciou na quarta-feira que vai deixar a agência no próximo mês. Ninguém vai sentir a sua falta.

A infeliz e incapaz criatura escreveu no X:

“Deixarei o meu cargo no FBI em janeiro. Quero agradecer ao Presidente Trump, à Procuradora-Geral Bondi e ao Director Patel pela oportunidade de servir com propósito. Acima de tudo, quero agradecer-vos, meus compatriotas americanos, pelo privilégio de vos servir.”

Não se percebe bem, porém, que serviço foi este que se orgulha de ter prestado aos seus concidadãos, já que Bongino não fez mais que mentir, encobrir, trair o eleitorado populista, contradizer tudo o que disse durante anos no seu podcast, proteger pedófilos e (supostos) inimigos políticos, e manter o FBI no seu trajecto de organização criminosa, como braço armado do Estado profundo norte-americano.

 

 

O presidente Donald Trump pareceu indicar, em declarações à imprensa na quarta-feira, que Bongino iria abandonar o cargo, afirmando:

“O Dan fez um óptimo trabalho. Acho que quer voltar ao seu programa.”

Esta gente mente por vício. Como é que é possível a alguém dizer uma coisa destas sem se desatar a rir convulsivamente?

Após o anúncio de Bongino, o director do FBI, Kash Patel, foi também ao X para escrever um parágrafo que vai ficar para a História Universal da Areia Para os Olhos:

“[Bongino] foi o melhor parceiro que eu poderia ter pedido para ajudar a restaurar este FBI. Ele não se limitou a cumprir a sua missão — superou-a em muito. Vamos sentir a sua falta, mas estou grato por ele ter aceite o chamamento para servir. O nosso país está melhor e mais seguro por causa disso.”

 

Uma verdadeira nulidade.

Trump nomeou Bongino, ex-agente dos Serviços Secretos e polícia da cidade de Nova Iorque, para o cargo de vice-director em Fevereiro. O homem nem um ano se aguentou no cargo. Mas foi de uma competência extraordinária.

Só para lembrar os leitores, muito rapidamente, do percurso desta besta na agência federal onde a transparência e a integridade e o respeito pela lei vão para morrer: Bongino é um dos principais responsáveis pelo encobrimento do caso Epstein, afirmando por exemplo que os ficheiros relativos às actividades do pedófilo não incriminavam fosse quem fosse e que, basicamente, nem existiam. Estes mesmos ficheiros, que Susan Wiles, a chefe de gabinete da Casa Branca, acaba de admitir que revelam o envolvimento de Trump nas actividades de Epstein. Estes mesmos ficheiros que entretanto o Congresso mandou liberar e que, em princípio serão públicos a partir de hoje.

Enquanto jurava a pés juntos que não havia nada para ver naquele que será o maior escândalo sobre a vida privada das elites ocidentais desde que Calígula dormiu com a avó, Bongino aproveitou para negar aquilo que toda a gente sabe como factual: que Epstein não foi assassinado na prisão, que se tratou de um caso normalíssimo de suicídio, apresentando em favor da sua esfarrapada tese imagens do circuito interno do presídio evidentemente manipuladas.

Sob a sua direcção, o FBI não esclareceu ainda as estranhas e muitíssimo suspeitas circunstâncias em que Donald Trump foi alvejado na orelha em Butler, Pensilvânia, durante a campanha eleitoral de 2024, procurando até ocultar documentos relevantes sobre o atentado. Quanto ao assassinato de Charlie Kirk, a narrativa oficial, também suportada pela liderança do FBI, não convence ninguém e está a provocar graves cisões na direita americana e a destruir o legado de Kirk, a cada dia que passa.

Noutro caso que fede a encobrimento do Estado profundo, que, ironicamente, o actual regime foi eleito para combater, Bongino e Patel e companhia limitada chegaram à conclusão que quem colocou as bombas artesanais perto das sedes do Comité Nacional Republicano (RNC) e Democrata (DNC) em Washington, na véspera dos motins de 6 de Janeiro de 2021, é um rapaz autista, que não sabe fazer mais do que levar o cão à rua. Isto enquanto provas forenses de análise de imagem vídeo de CCTV demonstram inequivocamente que o autor, ou um dos autores, da tentativa de atentado foi Shauni Rae Kerkhoff, uma agente da polícia de Washington que logo depois foi contratada pela CIA.

A agência que esta triste figura co-liderou foi incapaz de levantar um processo decente a todos os bandidos do regime Biden, incluindo aqueles que actuaram intestinamente no FBI, perseguindo e prendendo ilegalmente opositores político e cristãos pelo simples facto de serem cristãos, com destaque para as operações pidescas sobre os manifestantes de 6 de Janeiro, mesmo os que nem sequer entraram no Capitólio.

Ainda sobre os acontecimentos de 6 de Janeiro, este FBI nunca se preocupou em explicar porque raio é que a agência infiltrou nada mais nada menos que 275 agentes à paisana entre a multidão de manifestantes.

Bongino fez um trabalho de tal forma fantástico que nem sequer uma investigação sobre a fraude do conluio russo, fabricada pela campanha de Hillary Clinton em 2015/16 e instrumentalizada pelo FBI, ao ponto da liderança da agência ter colocado escutas na campanha de Trump e até nas reuniões que com ele teve depois de ser eleito. Sim, o FBI tratou um presidente norte-americano em exercício como um criminoso, sem possuir provas minimamente sólidas que consubstanciassem a sua inaudita actuação.

Mais tarde, já como ex-presidente, Donald Trump e toda a sua família foi vítima de uma rusga realizada pela agência federal em Mar-a-Lago sem que ainda hoje se conheçam as razões por trás dessa infame operação. Os responsáveis nunca foram investigados, apesar da direcção do actual FBI ter sido nomeada pelo próprio Donald Trump.

Dan Bongino deve estar a pensar em voltar à sua profissão de pundit. Mas vai ter um desgosto, de certeza, quando comparar as audiências que já teve, com as audiências que vai ter agora.

E talvez depois de se afastar dos corredores do poder, volte a encontrar a sua espinha dorsal. Mas dado este percurso humilhante e vergonhoso, é capaz de a ter perdido para todo o sempre.

 

 

Zango-me, não me zango; demito-me, não me demito.

Embora o primeiro mandato de Trump tenha sido marcado por uma rotatividade recorde nos mais altos escalões do governo, o primeiro ano do seu segundo mandato tem sido relativamente estável sob este aspecto, apesar dos despedimentos em massa e dos programas de demissão voluntária no governo federal. Mike Waltz, que iniciou o mandato como conselheiro de segurança nacional de Trump, foi posteriormente nomeado embaixador dos EUA nas Nações Unidas após o seu envolvimento no caso que ficou conhecido como Signalgate. Keith Kellogg, o conselheiro de segurança que é um fã incondicional de Zelensky, também parece ter a porta de saída escancarada.

Bongino considerou demitir-se em Julho, depois de o FBI e o Departamento de Justiça terem afirmado, num memorando conjunto, que tinham concluído uma revisão “exaustiva” dos ficheiros de investigação relacionados com Jeffrey Epstein e que nenhuma outra pessoa seria acusada no caso, e que as agências federais não divulgariam mais informações.

Fontes disseram à imprensa na altura que Bongino teve uma discussão acesa com a procuradora-geral Pam Bondi após a divulgação do memorando, que tinha provocado indignação entre muitos apoiantes de Trump.

Antes de ingressar no governo, Bongino apresentava um podcast no qual alegava ter havido um grande encobrimento envolvendo os arquivos de Epstein.

Mas o vice-procurador-geral Todd Blanche rebateu as notícias de que Bongino e o director do FBI, Kash Patel, estariam descontentes com o memorando, escrevendo no X:

“Todos nós aprovamos o conteúdo do memorando e as conclusões nele contidas. A sugestão de que houve qualquer divergência entre a liderança do FBI e do Departamento de Justiça sobre a elaboração e divulgação deste memorando é patentemente falsa”.

Bongino não regressou ao trabalho pelo menos um dia após a discussão com Bondi, mas acabou por permanecer no cargo.

A Casa Branca anunciou em Agosto que Andrew Bailey, então procurador-geral do Missouri, seria nomeado “co-director adjunto” do FBI.

Mais um guardião para o pântano.