
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) afirmou que o arco de protecção sobre o reactor destruído de Chernobyl foi enfraquecido, após um ataque de drones no início deste ano, levantando novas preocupações sobre a segurança nuclear numa zona de guerra.
O ataque de Fevereiro, que a Ucrânia atribui às forças russas, mas cuja responsabilidade o Kremlin negou, abriu um buraco na estrutura exterior da estrutura de aço erguida em 2016 para conter o material radioactivo do desastre de 1986. Um breve incêndio eclodiu perto do reactor, mas a barreira interna de contenção resistiu e os níveis de radiação não aumentaram.
Ainda assim, o director da AIEA, Rafael Grossi apelou à congregação de esforços para uma restauração completa, de forma a evitar maior deterioração e manter salvaguardas de longo prazo no local. Grossi informou que os reparos de emergência foram concluídos, mas alertou que o recinto
“perdeu as suas funções primárias de segurança, incluindo a capacidade de confinamento”.
Chernobyl continua a ser uma das localizações nucleares mais sensíveis do mundo. As forças russas tomaram a área durante as primeiras semanas da invasão de 2022, mas retiraram-se após um mês.
As instalações nucleares em toda a Ucrânia continuam a enfrentar riscos à medida que o conflito entra no seu quarto ano. O maior complexo de centrais nucleares da Europa, a central de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia, tem sofrido repetidos bombardeamentos, incêndios e interrupções de energia. Em Agosto de 2024, explosões provocaram um incêndio numa torre de resfriamento, com ambos os lados do conflito culpando-se mutuamente. Mais tarde, os inspectores confirmaram que os níveis de radiação não sofreram alterações, mas o incidente reforçou os alertas internacionais de que a continuação da actividade militar em torno do local poderia desencadear uma grande emergência nuclear. A central nuclear requer energia externa estável para manter os seus sistemas de refrigeração a funcionar normalmente, e qualquer interrupção prolongada pode criar condições perigosas.
No meio destas preocupações crescentes, o antigo Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA e enviado do Presidente Donald J. Trump à Ucrânia, Keith Kellogg, enfatizou recentemente que a resolução de questões de segurança nuclear, incluindo a estabilização das operações em Zaporizhzhia, é essencial para alcançar uma solução mais ampla para o conflito.
O tema ganhou ainda mais atenção depois de uma proposta ter surgido em Março de 2025, na qual Donald Trump sugeria que os Estados Unidos assumissem o controlo das instalações de energia nuclear da Ucrânia para protegê-las de ameaças de guerra. As autoridades ucranianas rejeitaram a ideia por considerá-la incompatível com a soberania nacional, embora reconhecessem a necessidade de um envolvimento internacional mais forte na supervisão nuclear.
O conflito também foi marcado por denúncias de tentativas de sabotagem. As autoridades russas alegaram que forças ucranianas treinadas por agentes britânicos tentaram danificar instalações nucleares controladas pela Rússia, enquanto Kiev acusou Moscovo de encenar provocações para justificar uma intensificação da actividade militar.
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