Durante uma entrevista ao The Wall Street Journal, o presidente norte-americano Donald J. Trump manifestou incerteza sobre se as suas políticas económicas se traduzirão em ganhos políticos para os republicanos nas próximas eleições intercalares. Apesar de ter alardeado os esforços para garantir investimentos bilionários nos EUA, reconheceu a imprevisibilidade do impacto destas medidas no sentimento do eleitorado.

A notícia surge após vários alertas para o desfasamento temporal associado a medidas económicas específicas que deveriam ter sido valorizadas em detrimento de questões internacionais ou de empreendimentos espúrios como a reconstrução da Ala Leste da Casa Branca.

Na entrevista, o presidente alegou uma constante expansão da economia norte-americana desde que assumiu o cargo, mas admitiu que os benefícios não se fizeram sentir de forma uniforme. Questionado sobre as perspectivas republicanas nas eleições intercalares, Trump disse:

“Não posso dizer. Não sei quando é que todo este dinheiro vai começar a ter efeitos”.

E acrescentou, acusando o facto da inflação continuar a empobrecer os americanos:

“Penso que, quando tivermos de falar sobre as eleições, daqui a alguns meses, os nossos preços estarão numa boa situação… Criei a maior economia da história. Mas pode demorar algum tempo até as pessoas compreenderem tudo isto. Todo este dinheiro que está a entrar no nosso país está a construir coisas agora — fábricas de automóveis, inteligência artificial, muita coisa. Não posso dizer como é que isso se vai reflectir no eleitor, tudo o que posso fazer é fazer o meu trabalho.”

Acontece que trabalhar pela prosperidade dos cidadãos da federação a que preside é precisamente o trabalho do… Presidente.

Meredith McGraw, do Wall Street Journal, perguntou ao presidente se teria feito algo de diferente durante o seu primeiro ano, ao que este respondeu:

“No geral, não… É investido mais dinheiro nos Estados Unidos do que em qualquer outro país na história. Os mercados bolsistas atingiram máximos históricos. Fechei a fronteira. Veremos o que acontece. Devemos ganhar. Mas, sabe, estatisticamente, é muito difícil ganhar. É, não faz sentido… Tudo o que vamos fazer é dar o nosso melhor para ganhar.”

A “maior economia da história” vai conduzir os eleitores direitinhos para o Partido Democrata, nas intercalares, e Trump, que é duro de entendimento relativamente a quase tudo o resto, tem bons instintos eleitorais e já percebeu que está a viajar a alta velocidade em direcção ao desastre de 2026. Tarda nada, vai começar a responsabilizar os republicanos do Congresso pelo sinistro. Está-se mesmo a ver.

E expectar que as indústrias de inteligência artificial contribuam para o emprego e o bem-estar material da sociedade é o mesmo que esperar que os gestores de fundos de Wall Street trabalhem para reduzir a diferença entre os muito pobres e os muito ricos. Tanto mais que, como ele próprio admite, Trump tem feito tudo o que lhe é possível para manter felizes as elites financeiras e tecnológicas, e pouco ou nada pelos restantes 99%.

O resultado é este:

 

 

Como os próprios comissários do actual regime gostam de dizer: F**k around & find out.