Mark Rutte quer convencer-nos que uma “guerra à escala que os nossos avós e bisavós enfrentaram” é inevitável, necessária e moral. Na verdade, trata-se de uma fabricação infame, para manter no poder uma elite profundamente corrupta e objectivamente ilegítima, disposta a matar-nos a todos para se cristalizar no poder.
O chefe da NATO, Mark Rutte, fez um discurso em Berlim na quinta-feira passada, no qual implorou aos membros da aliança que intensificassem drasticamente os esforços conjuntos de defesa, a fim de enfrentar um conflito iminente com a Rússia que poderá ser “à escala da guerra que os nossos avós e bisavós enfrentaram”.
Repreendendo os parceiros da aliança que não sentem a urgência da “ameaça russa”, afirmou:
“Somos o próximo alvo da Rússia. Temo que muitos estejam silenciosamente complacentes. Muitos não sentem a urgência. E muitos acreditam que o tempo está a nosso favor. Não está. O momento de agir é agora. O conflito está à nossa porta. A Rússia trouxe a guerra de volta à Europa. E precisamos de estar preparados.”
Não é fácil falsificar a realidade assim tão completamente, num parágrafo apenas. A Rússia não trouxe a guerra de volta à Europa. Foi o expansionismo imperialista da NATO que obrigou a Rússia à guerra na Ucrânia.
E se hoje em dia há muita gente em Moscovo que de facto já está a pensar que terá que se preparar para uma guerra contra o Ocidente, essa ideia só se instalou por causa da belicosa, histérica, virulenta e arrogante reacção do bloco ocidental às legítimas expectativas do Kremlin de manter uma mínima esfera de influência, num território que integra inclusivamente populações de etnia russa.
NOW – NATO Chief Rutte warns: “We need to be ready… Russia has brought war back to Europe, and we must be prepared for the scale of war our grandparents and great-grandparents endured.” pic.twitter.com/STEvo8y3Zr
— Disclose.tv (@disclosetv) December 11, 2025
Rutte afirmou ainda que a Rússia poderá estar pronta para utilizar a força militar contra a NATO dentro de cinco anos, numa altura em que a guerra na Ucrânia não dá sinais de abrandar, defendendo que limites de despesa em defesa deviam ser mais elevados e insistindo que os membros da aliança devem alimentar uma “mentalidade de guerra”.
Mais uma vez, o líder civil da NATO mente com quantos dentes tem. A Rússia está mais que preparada para enfrentar a NATO. É a NATO que não está minimamente preparada para enfrentar a Rússia. E nem daqui a cinco anos estará. A não ser, hipótese que o ContraCultura considera a mais plausível, que, talvez pela primeira vez na história universal, uma civilização procure enfiar-se num conflito militar com o estrito objectivo de dele sair derrotada.
A destruição é, como sabemos ou deveríamos saber, o objectivo fundamental do globalismo transhumanista. E nada há com maior potencial destruidor do que uma guerra com a Rússia ou com a China, que promete em qualquer cenário a aniquilação civilizacional.
E dá sempre vontade de rir quando ouvimos estas figuras ridículas, estes homens vis e fracos, que corriam para um canto para se borrarem completamente na simples presença de Alexandre ou de Pompeu Magno ou de George S. Patton, a encher a boca suja com expressões como “mentalidade de guerra”. Rutte, que nem sequer cumpriu serviço militar, nunca deve ter disparado um tiro na vida. E terá por certo uma crise cardíaca se estiver a quinhentos metros de um espectáculo de fogo de artifício.
Mais à frente, o político que os holandeses rejeitaram afirmou:
“Putin está a pagar pelo seu orgulho com o sangue do seu próprio povo. E se ele está disposto a sacrificar russos comuns desta forma, o que está disposto a fazer connosco?”
É, ao contrário, Mark Rutte e a sua companhia satânica de líderes europeus que está a sacrificar o povo ucraniano em nome de uma vil agenda de poder. É, ao contrário, Vladimir Putin quem procura defender o povo russo e a nação que dirige da ameaça existencial representada por organizações globalistas, por definição inimigas da humanidade, como a NATO.
Rutte está também a vender uma iminente e alegadamente incontornável “guerra mundial”, sabendo perfeitamente o que acontecerá à Europa nesse cenário dantesco, enquanto a restante turba de líderes políticos ocidentais, com raras excepções, rejeita qualquer plano de paz, dado que consideram intolerável a perspectiva de concessões territoriais no Donbas e na Crimeia.
Não contente em desafiar a Rússia para uma partida de extinção termonuclear, Rutte quer também fazer da China um inimigo mortal, afirmando que Moscovo não seria capaz de conduzir a guerra sem a ajuda de Pequim.
“A China é a tábua de salvação da Rússia. Sem o apoio da China, a Rússia não poderia continuar a travar esta guerra. Cerca de 80% dos componentes eletrónicos críticos em drones russos e outros sistemas são fabricados na China. Portanto, quando civis morrem em Kiev ou Kharkiv, a tecnologia chinesa está frequentemente presente nas armas que os matam”.
Mesmo partindo do princípio, altamente problemático, que a triste e sinistra figura manifesta nesta afirmação um qualquer vestígio de verdade, é claro que o mesmo se pode dizer, com inequívoco acerto, de muitos sistemas militares ocidentais, mesmo dos que foram implementados pelo Pentágono. A tecnologia chinesa está basicamente em todo o lado, e isso não é segredo.
E a Ucrânia, sem o apoio dos EUA, poderia ter sobrevivido até agora à operação militar russa?
A quantidade de areia que Rutte é capaz de projectar nos olhos de quem o ouve é absolutamente recordista.
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