Numa entrevista ao POLITICO divulgada na terça-feira passada, Donald J. Trump declarou que os “dias do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, estão contados”. Questionado sobre a possibilidade de envio de tropas norte-americanas para a Venezuela, Trump recusou dar uma resposta definitiva, afirmando: “Não comento isso”.

As declarações do presidente ocorreram no meio da crescente tensão entre os EUA e a Venezuela, após os recentes ataques americanos a embarcações de cartéis de droga no Mar das Caraíbas e no Pacífico Leste. No final do mês passado, Trump sugeriu que os EUA poderiam “muito em breve” atacar os narcotraficantes venezuelanos em terra e declarou que o espaço aéreo do país deveria ser considerado “fechado”.

No princípio de Novembro, imagens de satélite mostraram o USS Iwo Jima — um navio de assalto anfíbio da classe Wasp — e o USS Gravely — um contratorpedeiro de mísseis guiados Aegis da classe Arleigh Burke (Flight IIA) — a entrar no alcance de ataque do país sul-americano. A movimentação ocorreu numa altura em que o Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS Gerald Ford entrou também no mar das Caraíbas, alargando significativamente as capacidades militares dos EUA na região.

Durante a entrevista, Trump foi questionado sobre até onde iria para destituir Maduro do cargo. O presidente respondeu: “Não quero dizer isso”, mas frisou: “Os seus dias estão contados”. Questionado novamente se descartaria uma invasão terrestre dos EUA, Trump respondeu: “Não quero confirmar nem descartar”.

O presidente abordou também preocupações regionais mais amplas, incluindo o potencial para açcões semelhantes contra os traficantes de droga no México e na Colômbia. Quando questionado se os EUA considerariam medidas como ataques a barcos para combater o tráfico de fentanil, Trump respondeu afirmativamente, dizendo: “Sim, consideraria. Com certeza, consideraria”.

O exército norte-americano realizou mais de uma dezena de ataques contra embarcações nas Caraíbas e no Pacífico nas últimas semanas, matando pelo menos 65 pessoas. A campanha gerou críticas por parte dos governos de toda a região.

O responsável pelos direitos humanos da ONU, Volker Turk, e grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que os ataques, que começaram no início de Setembro, configuram “execuções extrajudiciais”, mesmo que tenham como alvo traficantes conhecidos.

E entretanto, A Casa Branca e o Pentágono decidiram-se a uma missão de pirataria nas caraíbas:

 

 

A captura de um petroleiro venezuelano que navegava em direcção a Cuba por forças militares norte-americanas tem, se não outras, a virtude de demonstrar que a questão do regime Trump com a Venezuela não tem nada a ver com drogas alegadamente originárias deste país com destino aos EUA.