Nas últimas semanas, têm surgido sinais de que a administração Trump está à procura de sair airosamente do buraco em que se enfiou ao tomar o partido do regime Zelensky.
Com os avanços cada vez mais significativos das forças militares russas (nos três últimos meses ocuparam mais de oitenta localidades ucranianas) parece que Donald Trump está agora preocupado em não ficar na fotografia como o presidente norte-americano que perdeu a guerra da Ucrânia.
Depois de inventar rapidamente um mal amanhado plano de paz de 28 pontos, que foi entretanto remisturado na Europa e em Kiev, de tal forma que seria impossível a Vladimir Putin subscrevê-lo, a Casa Branca continua à procura de uma solução de paz, de forma a mostrar-se relevante e evitar perder a face num cenário de derrocada das forças ucranianas.
Neste contexto, um general alemão de alta patente afirmou que o Pentágono interrompeu as suas comunicações de rotina com o Ministério da Defesa alemão a propósito da Ucrânia. O tenente-general Christian Freuding, que anteriormente supervisionava os esforços de coordenação de Berlim na Ucrânia e agora comanda o exército alemão, afirmou que, embora antes tivesse acesso regular a oficiais do Pentágono, esse acesso foi entretanto “interrompido”. Como resultado, Berlim precisa agora de recorrer à sua embaixada em Washington para obter informações actualizadas das autoridades norte-americanas.
Entretanto, o enviado norte-americano Steve Witkoff tem um encontro marcado com o presidente russo, Vladimir Putin, esta semana, para dar continuidade aos esforços de negociação com vista a um acordo.
A mudança de atitude dos EUA poderá ter implicações significativas no apoio europeu à Ucrânia. Embora o governo alemão, sob a liderança do chanceler Friedrich Merz, tenha prometido construir aquilo a que chama “o exército convencional mais forte da Europa”, o velho continente continua incapaz de alimentar, mesmo que por procuração, um conflito com a Rússia, sem o apoio americano.
Em desespero de causa, os ucranianos estão agora a abrir uma nova frente de guerra, no Mar Negro, rebentando com vários navios da ‘frota fantasma’ petrolífera russa. O que só vai levar a um aumento da agressividade militar de Moscovo, porque estes alvos têm de facto impacto na economia de guerra da Rússia. Ou seja e por exemplo: a partir de agora as exportações de cereais ucranianas que saiam por Odessa são um alvo legítimo dos russos.
Esta iniciativa do regime Zelensky terá até uma consequência mais profunda: fará com que o Kremlin chegue definitivamente à conclusão que o porto de Odessa terá mesmo que ser tomado, o que vai privar a Ucrânia do acesso ao Mar Negro e estender temporalmente a operação militar russa.
Seja como for, o que hoje passa por verdade nos corredores da Casa branca, amanhã fará parte do anedotário e em Moscovo já toda a gente percebeu que não há desfecho para a guerra que não seja determinado no terreno, por força das armas e dentro dos objectivos que presidiram inicialmente à operação militar russa na Ucrânia.
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