O Reino Unido registou o maior crescimento no número de pedidos de asilo na Europa, com novos dados a revelarem um recorde de 108.000 pedidos em 2024. Os dados, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mostram um aumento de 28% em relação aos 84.000 do ano anterior, marcando o maior total alguma vez documentado no país. O pico anterior aconteceu em 2002, quando 103.000 pessoas procuraram asilo.

Os cidadãos paquistaneses constituíram o maior grupo de requerentes de asilo, com mais de 10.000 pedidos, seguidos pelos afegãos e iranianos, cada uma das nacionalidades com mais de 8.000 pedidos.

Enquanto os números do Reino Unido dispararam, vários países vizinhos europeus registaram quedas. A Alemanha, tradicionalmente um dos principais destinos para os requerentes de asilo, viu os pedidos descer em quase 100.000, para cerca de 230.000. A França também reportou uma diminuição, enquanto a Espanha e a Itália receberam 164.000 e 151.000 pedidos, respectivamente. Embora estes totais sejam superiores ao do Reino Unido em termos absolutos, as suas taxas de crescimento foram muito inferiores.

A OCDE reportou também cerca de 44.000 tentativas não autorizadas de entrada no Reino Unido em 2024, principalmente através de travessias em pequenas embarcações através do Canal da Mancha. Este número representa um aumento em relação às 37.000 tentativas registadas em 2023.

O aumento da migração intensificou a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Keir Starmer, que enfrenta críticas crescentes pela forma desastrosa como lida com o controlo das fronteiras. A situação agravou-se em 2025, com mais de 35.000 migrantes a atravessar o Canal da Mancha, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As tendências migratórias mais amplas continuam a gerar preocupação pública. O antigo ministro da Imigração britânico, Robert Jenrick, alertou em 2024 que “a imigração massiva está a destruir a prosperidade nacional, em vez de a aumentar”, sublinhando que o ritmo das chegadas está a exercer uma pressão significativa sobre a habitação e os serviços públicos. Os dados oficiais indicam que a população da Grã-Bretanha cresceu em mais de 750.000 em apenas um ano, sendo que a imigração líquida representa quase todo este aumento.

A recente nomeação da muçulmana de extrema-esquerda Shabana Mahmood como Secretária do Interior, colocando-a no comando da segurança das fronteiras e da política de imigração, também levantou sérias suspeitas de que o governo trabalhista está na verdade interessado em perpetuar a crise migratória.