Fogo de artifício –
Faz dos adultos
Crianças
O Inverno parou
Para triunfo
Do fogo
A baía celebra a volta
À volta do Sol
Com pólvora
Quando passas meses
Sem escrever haikus
Nota-se
É difícil ser Cristão –
O primeiro de nós acabou
Na cruz
Sempre que não sou capaz de perdoar
Cristo olha-me
Nos olhos
Nunca escreverei um haiku
Decente –
É a vida
O mau poeta cumpre
nobre missão –
A grandeza de outro alguém
Em Portugal o Inverno é raro.
Mas o Inferno
Não
Fazer amigos –
Quando não sentes um choque eléctrico
Não insistas
All Star –
O melhor par de sapatos
depois das sandálias do pescador
É giro viver em sociedade –
Até que não
É
Haiku –
Quantas palavras são
As mínimas?
Haiku –
O ruído máximo
Que traz o silêncio
ContraCultura –
O corpo já não obedece
À ambição
Quando já não houver memória do Homem
Viverá viúva
A baía
Quem julga que o homem destrói o planeta
Não percebe o homem
Nem o planeta
Se há vida
Haverá
Razão
O Haiku é uma droga dura
Sem efeitos
Secundários
Sou desastrado na vida
Como no
Haiku
Vento de Janeiro –
Até o cacto
Estremece
É no Inverno que o mar te diz
Da tua situação
No universo
Desço à vila
E o Inverno transforma-se –
Foi por minha causa?
Desço à vila –
Deus aproveita para exibir
Alguns truques
Às vezes acho que a Natureza
Trabalha para meu prazer
Estético
Amanhece –
Levo o Haiku ao seu último
Verso
_____________
A Arte do Haiku: Introdução.
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