Uma simples publicação na rede social X, envolvendo a palavra “parasita”, levou a uma agressiva operação policial contra um cidadão alemão, conhecido apenas pela inicial do seu apelido, M.
A polícia de Berlim fez buscas na casa do homem, apreendeu-lhe o telemóvel, recolheu as suas impressões digitais e utilizou medidas de identificação geralmente reservadas para crimes graves. A dado momento, um polícia ter-lhe-á dito:
“Pensa no que publicar no futuro, precisas de entender que agora estás a ser observado.”
O caso que envolve M. está a ser apresentado como o exemplo mais recente da queda da Alemanha no abismo de um estado policial, onde uma única publicação aparentemente protegida pela liberdade de expressão pode resultar nas acções policiais mais intrusivas e opressivas.
O advogado do cidadão, que trabalha em vários casos relacionados com a liberdade de expressão, afirma que as acções policiais estão a apresentar uma “nova natureza”.
M., um profissional de saúde de 45 anos, auto-denominado “libertário”, da região de Göppingen, relatou ao jornal Welt que agentes da segurança do Estado chegaram a sua casa por volta das 6h00 da manhã do dia 13 de Novembro de 2025. Apresentaram um mandado de busca, datado de 11 de Novembro, autorizando a busca por provas, como telemóveis ou computadores, com base numa investigação sobre incitamento ao ódio.
M. deseja permanecer anónimo “por medo de represálias sociais”. O motivo da intrusão da Stasi de Berlim foi uma publicação na plataforma X de 29 de Setembro de 2025 que rezava assim:
“Não, todas as pessoas financiadas pelo Estado não pagam impostos líquidos, vivem de impostos. Todos os funcionários públicos, todos os políticos, todos os empregados das empresas estatais, todos os que são subsidiados e financiados pelo Estado. Nenhum parasita paga impostos líquidos.”
A sede da polícia de Ulm “confirmou a operação ‘na área de Göppingen sob suspeita de sedição’”, mas recusou confirmar a redacção exacta da declaração de M. “devido à investigação em curso”.
O Ministério Público de Ulm também se recusou a comentar o conteúdo da acusação, afirmando que “informações sobre o conteúdo ou mesmo a redacção da declaração não serão fornecidas numa investigação em curso”, segundo o porta-voz Philip Haslach.
M. relatou que tem sentido ansiedade desde a operação pidesca, acordando em pânico com a possibilidade de uma nova visita da polícia.
O alemão, cuja publicação terá chegado apenas a centenas de pessoas e gerado quase nenhuma interacção, viu-se confrontado com uma situação aterradora, descrevendo os polícias a chegarem à sua porta e a darem-lhe uma escolha:
“Entregar o PIN do meu telemóvel e o aparelho – ou reviravam o apartamento de cabeça para baixo”.
Ele obedeceu, afirmando:
“Não vi outra opção senão dar o PIN à polícia. Caso contrário, levariam tudo: computador, tablet, até um telemóvel antigo. Aí não conseguiria comunicar de maneira nenhuma”.
M. Contesta a declaração da polícia de que foi à esquadra voluntariamente, já que os agentes o informaram liminarmente que seria esse o seu destino:
“Vens para a esquadra agora”.
Durante o percurso, um polícia terá dito a M. que estava “sob vigilância” e que o problema com a sua declaração era a palavra “parasita”, argumentando:
“Ao fazer isso, estás a atacar indivíduos pessoalmente”.
Mas é mais que óbvio que M. não dirigiu o seu discurso a nenhum indivíduo específico.
Na esquadra de Göppingen, M. foi sujeito a medidas de identificação:
“Impressões digitais e fotos criminais. Para isso, tive de expor a parte superior do meu corpo para que uma cicatriz de apendicectomia também pudesse ser fotografada”.
M. recorda ainda:
“Também me pediram uma amostra de sangue para obter ADN. Recusei-me a obedecer.”
M. recusou-se também a depor durante o interrogatório subsequente e afirma que “não recebeu qualquer registo de busca ou interrogatório da polícia”. Foi então levado de volta para casa.
O advogado de M., Marcus Pretzell, está alarmado com o caso, já que, segundo ele, é a primeira vez que “se depara com medidas de identificação deste tipo” entre os seus cerca de 100 clientes acusados de crimes de opinião.
Pretzell afirma que ainda não teve acesso ao processo, mas classifica as acções policiais como “absurdas e claramente ilegais”, argumentando que
“as medidas de busca para crimes de opinião quase nunca são proporcionais. Isto é especialmente verdade neste caso. A própria investigação é obviamente ilegal, uma vez que a declaração é protegida pela liberdade de expressão”.
Pretzell sugere ainda que a rusga pode não “cumprir os requisitos formais para um mandado de busca”, porque a acusação específica relativa à publicação no X não consta do documento que M. recebeu.
Os métodos extremos utilizados contra M. levantam a questão de saber por que razão muitos destes casos estão a ser tratados da forma mais draconiana possível, envolvendo rusgas policiais de madrugada, apreensão de dispositivos electrónicos e recolha de dados biométricos. Frequentemente, tais métodos são utilizados para os crimes mais graves, como o homicídio, a agressão, a violação, o crime organizado ou o terrorismo.
M. rejeita veementemente qualquer associação com o Nacional-Socialismo, e afirma que não utilizou a palavra “parasita” como foi historicamente utilizada para denegrir os judeus.
“Desprezo a violência. Desprezo o extremismo. Desprezo o nazismo, o socialismo e o comunismo”.
Refere que o uso da palavra se refere ao vocabulário de políticos como o presidente argentino Javier Milei, que descreveu repetidamente a elite política da Argentina como “parasitas”.
Como observa o jornal Welt, a palavra também foi utilizada na política alemã: o primeiro-ministro da Baviera, Markus Söder (CSU), por exemplo, disse no início de 2024: “O AfD é um partido parasita.” E em 2005, o então ministro federal do Trabalho, Wolfgang Clement (SPD), usou a palavra para descrever as pessoas desempregadas que trabalhavam ilegalmente.
O caso também atraiu a atenção internacional, com comentadores políticos como Paul Joseph Watson a cobrir a operação fascistóide.
Autoridades alemãs usam rusgas domiciliárias como arma contra a dissidência.
A operação policial à casa de M. ocorre pouco depois de a polícia de Berlim ter feito uma rusga à casa do jornalista e comentador Norbert Bolz, no mês passado, devido a um tweet sarcástico que ridicularizava o título de um artigo de jornal. Os procuradores alegam que usou um slogan nazi proibido.
Bolz descreveu o incidente como uma “piada” que foi grosseiramente mal interpretada.
Após a busca domiciliária, Bolz disse ao jornal Bild:
“A triste e despótica realidade que só descrevi nos últimos anos chegou até mim. Assustador”.
Actualmente, três em cada quatro alemães acreditam que o medo de represálias está a silenciar a liberdade de expressão, de acordo com as sondagens de opinião.
No ano passado, um alemão que descreveu um juiz como “obviamente perturbado mentalmente” — depois deste ter proferido uma sentença branda contra um sírio que violou uma rapariga de 15 anos — foi multado em 5.000 euros por “insultar” o magistrado. Esta multa foi quase o dobro daquela aplicada ao violador sírio pelo seu crime.
Estes casos ocorrem ja há anos, na Alemanha. Em Março de 2022, mais de 100 pessoas viram as suas casas invadidas por “insultarem” políticos, uma vez que a polícia tinha recebido instruções para realizar uma repressão nacional ao que chamavam “mensagens de ódio” dirigidas a figuras públicas. Em entrevista ao Nius, o advogado de defesa Udo Vetter criticou o sistema alemão, revelando que o país tem mais de 140 mil mandados de captura em aberto por insultos contra políticos.
“A criminalidade está fora de controlo e tudo está a ir por água abaixo, e temos de gastar inúmeras horas de trabalho com estas coisas — um desperdício de tempo.”
O desperdício de tempo dos advogados será o último dos problemas dos alemães, que vivem agora mergulhados num regime despótico, em que a criminalização do pensamento e da opinião são uma das prioridades do sistema judiciário e político do país.
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